30 de dez de 2010

Novo ano, novas flores


     Desejando um feliz Ano Novo quero dizer aos meus amigos queridos que o meu coração tem estado num colorido bonito, forrado de flores representando as belas almas que caminham comigo, algumas são velhas conhecidas, de tão suaves nem se fazem aparecer, porém estão sempre presentes e são absolutamente essenciais. Outras chegaram há pouco e deram uma cor especial, um delicado perfume, suas pétalas preenchem os espaços vazios e ajudam a delinear os meus novos sonhos.
     Não se iludam, esse coração é igual ao de todo mundo, às vezes ele também se faz sentir apertado, encolhido. Nesses momentos, numa total falta de delicadeza, acabo falando demais de mim, das minhas dores e emoções, virando-me ao avesso revelo a minha maior fraqueza, ser completamente dependente de amor. Não tem graça ser feliz sozinha, desejo então que a alegria desmedida,  o combustível que me coloca em movimento, faça também parte da vida de todos, unidos faremos um lindo céu aqui na terra. E no ano que vai começar quero acordar todas as manhãs e sentir o prazer indizível de não estar só, juntos faremos poesias sabendo que tudo pode ser melhor, mais doce, suave, ETERNO.



Direitos Reservados

26 de dez de 2010

Voo seguro


     A imagem de aves migratórias me encanta, uma inspiração para falar sobre a arte da boa convivência, companheirismo, união. Algumas espécies de pássaros voam muitos quilômetros sem descanso, a forma como se organizam, onde um vai à frente rompendo a barreira do vento, facilita e exige menos dos que vão no vácuo, ao longo do percurso se revezam, assim todos participam da mesma forma, sem que nenhum fique sobrecarregado. Também essa é uma maneira de se vigiarem para que nenhum fique para trás ou sofra ataques de predadores. Quanta lição de vida e tamanha delicadeza em cuidar um do outro. Quisera o ser humano fosse também tão preocupado com o bem-estar dos seus amigos e familiares.
     Voar junto é sempre mais prazeroso, sem medo do perigo e do imprevisível é possível aproveitar melhor os pequenos detalhes da paisagem, como o colorido da vida, o olhar complacente do amigo, o aconchego do amor que alivia a dor, assim a viagem se torna mais suave e acontece numa paz bem merecida. Unidos haveremos de atingir de maneira sensata o nosso destino, iremos tão longe quanto a nossa imaginação permitir. Com uma atenção ilimitada, percebendo o que contém na mente e no coração dos companheiros, certamente, a jornada será muito melhor vivida.
     Quando eu for uma velhinha, quem sabe muito simpática - e um pouco mais modesta - quero olhar para o tempo passado e enxergar todos os queridos que comigo fizeram a jornada, tomara que nenhum tenha se perdido pelo caminho disperso pelo egocentrismo, mas que juntos tenhamos alcançado tranquilamente o almejado porto seguro.

23 de dez de 2010

Natal feliz

É prazeroso dar e receber presentes,
reunir a família,
ter mesa farta, bebida para brindar,
dar um abraço de corpo inteiro,
olhar nos olhos e dizer te amo,
estar junto de quem precisa,
doar sem fazer alarde,
em pensamento
trazer para bem perto
quem está longe.
É interessante perceber,
alguns presentes que Jesus
ao nascer recebeu
não caíram em desuso,
os mais importantes,
amor, respeito, carinho, atenção,
ainda hoje são indispensáveis.
Tanto os que dão
quanto os que recebem
tem uma chance e tanto
de se tornarem melhores.
Não percamos essa oportunidade
que o Natal oferece.



Direitos Reservados

17 de dez de 2010

Era uma vez...


...um baú que de tão escondido,
acabou num canto esquecido,
dentro dele estavam guardados os meus sonhos,
cada um com uma dimensão,
uns tão simples,
outros nem tanto.
Um belo dia, como num passe de mágica,
surgiu uma varinha de condão,
um cálice de poção
ou seria um anjo sem asas?
Meus sonhos então empoeirados,
adormecidos, amarelados
agora brilham como estrelas,
tomam novas cores,
enchem-se de suaves odores.
Um medo ainda pulsa o coração,
porém algo me acalma,
como em todo conto de fadas
onde ao final tudo acaba bem,
também acredito piamente
que eu e os meus sonhos
seremos felizes para sempre!




Direitos Reservados

14 de dez de 2010

Eterna sabedoria

     Sempre fui apaixonada pela cultura oriental, considero a maioria dos seus princípios de grande sabedoria, uma maneira inteligente de preservar a saúde do corpo e do espírito e nos ensina que as maiores grandezas estão nas coisas mais simples.
     No meu post Nipônica por um dia, relato a saga em me transformar por algumas horas numa japonesinha, uma missão quase impossível! Não adianta, tenho mais é que assumir essa minha ocidentalidade entranhada nas veias e fortemente visível nos fios dos meus cabelos. Tudo isso me veio à mente ao reler hoje os três conselhos da medicina oriental: comer a metade, andar o dobro e rir o triplo. Confesso que pelos quilinhos a mais na balança andei bobeando e invertendo a ordem dos fatores: devo estar comendo o dobro, andando a metade, pelo menos tenho procurando rir o triplo, que consolo! Como é fácil nessa nossa cultura não levar a sério alguns ensinamentos, mesmo que sejam imprescindíveis à saúde. Basta uma nuvenzinha no céu para a caminhada ser adiada, a dieta balanceada dura até o instante em que nos vemos diante de um prato suculento e o sorriso no rosto não resiste à primeira contrariedade. Enquanto somos ainda jovens não nos preocupamos muito com os nossos hábitos, consumimos o que nos causa prazer, embora nem sempre recomendável. Difícil é resistir aos saborosos chocolates, às apetitosas massas, isso sem falar na cervejinha gelada... hum... melhor mudar de assunto.
     Numa noite dessas estávamos - marido e eu - num jantar e nos sentamos à mesa com um casal de amigos japoneses, uma companhia altamente agradável, neles a simpatia é algo intrínseco , a delicadeza dos gestos e a gentileza das expressões são suas características natas. Sempre me encanto ao observar a forma como comem com tranquilidade, procuram sentir o sabor de cada alimento, demonstram uma serenidade incomparável, são mestres na arte de ouvir educadamente, que inveja!
     Esses hábitos tão simples, na correria do dia a dia, vão sendo esquecidos ou simplesmente não adotados, mas  fazem toda a diferença e dão boa qualidade à vida.
     Quanto mais admiro essa cultura vejo que tenho ainda muito a crescer, nunca é tarde para começar e chego à seguinte conclusão: um pequeno tempo vivido com sabedoria valerá mais que uma vida inteira sem ter tentado aprender.



Direitos Reservados

7 de dez de 2010

Refúgio


Embriago-me de silêncio na capela,
essa paz me contagia,
a luz trêmula na porta do sacrário,
faz-me lembrar que ali existe vida.
Fecho os olhos, palavras são desnecessárias,
Ele sabe de tudo que preciso.
Reorganizo pensamentos,
revejo atitudes, preencho vazios.
Descubro que agradecer
é sempre melhor que pedir.
A verdadeira oração vem do coração,
no âmago meu espírito se comunica,
não preciso gritar para ser ouvida.
A suavidade do ambiente me tranquiliza,
sinto-me renovada, reabastecida,
a fé alivia a vida!


Direitos Reservados

3 de dez de 2010

O anjo dos meus sonhos

     Algumas pessoas dizem não se lembrarem dos sonhos, comigo isso não acontece. Na noite passada, por exemplo, meu anjo disse estar indo trocar de roupa e que voltaria já, mais tarde apareceu com um chapéu esquisito e montado numa vassoura, mas ele não era feio, era bonito! Como assim? Será que resolveu mudar de profissão? Oh não! Nem pediu permissão! Pelo visto nunca ouviu falar em aviso prévio, bem que podia ter me avisado pelo celular ou pelas redes sociais, afinal até o céu é virtual.
     Fiquei me perguntado, como vou encontrar assim tão de repente outro para ocupar o seu lugar? Ninguém mais quer ser anjo de ninguém, mostrar-se companheiro em todas as situações, estar sempre presente mesmo estando distante e na tristeza, com toda delicadeza, roçar suas asas no rosto da gente. Sabe aquele que nos toma pela mão quando não mais acreditamos que a vida pode ser bonita? E que nos carrega em suas asas para que também aprendamos a voar? Cuja presença é a mais pura alegria? É assim que um anjo se faz.
     Vou contar, eu sempre quis ser anjo, mas Deus achou melhor que eu fosse gente, não me deu asas porque o meu céu não teria limites, eu ia querer cuidar de todo mundo, já pensou? Na atual situação eu não daria conta do recado, hoje é preciso um anjo para cada um e muito bem preparado, ter no mínimo um mestrado! Dizem que em algumas cidades - onde a violência impera - já estão exigindo até doutorado, não é fácil ser anjo por aqueles lados não, tem que ser muito bom!
     O meu não é um anjo qualquer, ele vive conectado, entre um voo e outro usa seu laptop, troca mensagens e experiências com seus amigos querubins e serafins, ultimamente esses também andam muito atarefados.
     Enfim, bem acordada percebo que ele não me abandonou só se fantasiou, quis relaxar e viajou pelo mundo da imaginação, eu o quero sempre por perto, não importa em qual traje se apresente, quando anjo é anjo a gente sente!



30 de nov de 2010

Rabiscando frases II

Num ímpeto de coragem dou continuidade ao post Rabiscando Frases I e continuo dizendo: caso não gostem, ignore-as e se aprovadas, vivenciem-nas.

Amigo é aquele que sabe lapidar, sem dor, a pedra bruta que há em nós.
Escrevo para drenar minha mente inundada por palavras.
O gosto pela leitura é um escudo que nos protege da trivialidade.
Apreciando a paisagem o caminho fica menos árduo!
O bom contador de piadas não esquece os detalhes, não começa do fim, não troca os personagens, enfim, sou melhor rindo!
O pouco, vivido com intensidade, transborda!
Acordar cedinho é sentir a fragrância do frescor das flores me dizendo “bom dia”.
Duradouro é tudo aquilo que se pode recomeçar.
É preciso examinar, detidamente, o terreno onde fincamos os pés, podemos lá ficar para sempre.
Quando minha voz silencia, grito poesia.
Saber ouvir, raro e inexcedível luxo.
Ressentimento e ódio, rugas que pesam no semblante.
O entardecer é o sol derrubando as pálpebras.
Queres ocultar o que levas no coração? Não me fites então!
Pedir perdão na iminência do apagar-se da vida pode ser tarde demais.
Somente no mundo mágico da poesia a felicidade, de fato, existe.
O bom senso regula as palavras.
Não possuir opiniões próprias é o cúmulo da sonsice.
As escoras da fé aliviam o peso das obrigações que nos são impostas pela vida.
Bom humor e simplicidade, dinâmica parceria.
Mágoas são velharias empoeiradas.
Em certas ocasiões um doce olhar age tanto quanto um abraço.
Não procuro entender as distâncias, quero apenas diminuí-las.
Nunca estou só, tenho muitos anjos ao meu redor.
Meu pensamento voou longe, foi em busca de emoções, voltou trazendo saudades.
Na infância não podemos nada, na juventude quase tudo, na meia idade um pouco de cada, na velhice...voltamos ao início!
Benefícios em manter a boca fechada: perder peso e não criar inimigos.
Quando os poetas suspiram, exalam poesias.
Há algo errado em mim, tateio com o olhar, enxergo com o coração, ouço a voz do silêncio, meu olfato capta odores da alma, com o paladar detecto os sabores do amor.




Direitos Reservados

26 de nov de 2010

Alegres companhias

     Nas minhas idas e vindas à cidade próxima, coincidentemente, no mesmo horário acompanho um ônibus escolar que, até certo ponto, faz o mesmo trajeto. Devido à frequência desses nossos encontros percebo que já fiz amizade com aquelas crianças, quando veem meu carro se aproximando alguns - os mais peraltinhas - já se levantam e colocam a carinha no vidro me sorrindo, trazem na expressão a alegria própria da idade. Estão felizes, nem tanto por irem à escola, mas por aquela rápida viagem que para alguns é a mais longa que já fizeram na vida. Com caretinhas engraçadas e gestos ansiosos fazem sinal para que eu não os ultrapasse, querem continuar a brincadeira, nem percebem quando não estou para conversa, mal humorada ou atrasada, ainda bem, eles não tem nada a ver com isso. Aliás, o nosso rosto deveria ser sempre o reflexo da expressão dos outros, então vamos combinar assim, sorriam sempre para mim!
     Pudesse eu me fazer entendida lhes diria que também gosto da companhia, é tão bom não estar só! Mesmo por tão rápidos minutos me sinto abastecida com aquele vigor infantil que salta aos olhos. Neles a sinceridade está estampada, a verdade exibida, não são personagens fantasiados e sim a própria vida! Com a imaginação tento descobrir seus desejos, tomara já saibam o que na vida serão, pior que não realizar sonhos é não saber quais são.
     Em meio a esse grupo de crianças há um que se destaca pelas traquinices, aparentando ser o mais novo, com ares de capetinha me faz gestinhos obscenos, como pode? tão pequeno em estatura e tão grande na malícia? ah moleque travesso! Com o olhar, puxo-lhe a orelha. Posso acompanhá-los por pouco tempo, tenho um bebê tão impaciente quanto eles que me espera - meu pai - ligo a seta, dou um tchauzinho, ganho beijinhos, vou-me embora pensando nas sábias palavras de Mario Quintana: “Só as crianças e os velhos conhecem a volúpia de viver dia-a-dia, hora a hora e suas esperas e desejos nunca se estendem além de cinco minutos...”


18 de nov de 2010

O que as palavras fazem

Um ajuntamento de palavras
tem lá seus objetivos,
pode ser força e encanto ou
um pesado dedo no gatilho.
Construir com letras do bom senso
é seguir os passos do oleiro,
lenta e laboriosamente
ao barro amassado dá boa forma,
obras lindas e duradouras são criadas.
Atirando sílabas inconsequentes,
destrói-se tudo pela frente.
Relíquias inestimáveis são quebradas,
amontoam-se entulhos de dor.
Quem sabe um dia
os cacos estilhaçados serão colados,
alguns pedaços moídos
jamais serão reconstruídos.
O todo nunca mais será a mesmo,
restarão profundas cicatrizes,
as marcas de quem atirou!
É certo que a perfeição não existe,
isento de erros somente Deus
que à sua imagem e semelhança
a humanidade criou,
aos seus olhos, no entanto,
maior valor terá
um sábio analfabeto
que um letrado ignorante!


Direitos Reservados

13 de nov de 2010

O intangível que há em nós

   Ao escrever um texto tenho o hábito de desenvolvê-lo a partir da idéia principal, somente após a conclusão é que dou o título. Hoje saí da rotina, dormi e acordei com a frase que encabeça esse post me martelando os miolos e não há como deixar de falar sobre isso.
     O intangível é o que há de mais bonito no ser humano, pois a princípio é o que lhe concede uma beleza pura, imaculada, visível apenas a quem é capaz de olhar com o coração.
     A natureza nos dá lições esplendorosas, aqui no Sul quem tem o privilégio de um espaço em seu quintal certamente possui uma videira, tenho um verdadeiro fascínio por essa planta que nos ensina que as aparências enganam e que na vida é preciso ter paciência e esperar o momento certo para cada coisa. Há uma época em que necessita ser podada e com um aspecto ressequido faz de conta que a vida ali não mais faz morada, mostrando-se feia e enrugada, quem não a conhece nenhum valor lhe concede. Depois de um tempo de repouso, renasce em brotos e florada, enche-se de vigor e exibe seus frutos em fartos cachos.
     Assim são alguns seres humanos, à primeira vista podem não demonstrar suas qualidades, trazem algumas marcas deixadas pela dor, desamor, seja o que for. Com ar sombrio e rostos frios nunca marcados pela emoção, causam em alguns momentos repúdio e aversão. Com uma atenção mais medida e uma alma desprovida de vaidade será possível perceber que ali a vida também poderá florescer e frutificar, faltando-lhes quem sabe apenas uma oportunidade.
     As vilanias existentes em nós é que diminuem a visão real que deveríamos ter das pessoas. Deixássemos de lado nossos olhares severamente endurecidos e enxergássemos apenas com a força da alma, captaríamos assim o que há de melhor nos outros e que nem sempre se faz revelar.
     Por trás de uma pele manchada e mal cuidada, pode-se encontrar uma alma limpa e delicada, sejamos mais cuidadosos com o nosso olhar.




8 de nov de 2010

É bom estar aqui

     Impossível ser feliz sem ter paixão por alguma coisa, algo que nos faça sentir bem, traga leveza e descontração. Alguns chamam isso de hobby, eu chamo de prazer, o meu nesse momento da vida é escrever, não que tenha feito isso somente recentemente, já vem de longe esse hábito, mas somente agora divulgado e escancarado assim desse jeito.
     Nem quero pensar no quanto me desnudo ou me coloco ao avesso por aqui, tantas impressões deixadas sobre coisas que me encantam ou desencantam, deixando em alguns textos as minhas e as suas sobrancelhas arqueadas de espanto. Alguns dizem que minhas tão simples linhas vem impregnadas de emoção, saiba que isso nunca foi por indução, as palavras brotam e dão sentido ao momento vivido, assim sem nenhuma intenção, inclusive a de rimar.
     As ruas surpreendentemente calmas por onde hoje caminhei, o olhar desconfiado do garoto travesso matando aula, a mulher soltando impropérios ao varrer o lixo na rua esparramado pelos cães, o sol insistindo em perpassar as árvores mostrando ser mais forte que as sombras, de tudo isso eu poderia falar e encontrar um sentido, é assim que me imbuo de inspiração, na observação.
     Sei que alguns preferem um texto meu mais bem humorado, outros buscam uma reflexão e ainda há quem goste de poesia em verso e rima, não tenho um estilo definido, dou asas à imaginação. Não sou de palavras contundentes e nem pretendo mudar o mundo com aquilo que escrevo, mesmo porque sou cheia de defeitos, não sirvo de exemplo. Apenas aproveito esse espaço para fazer com que minha vida não seja pautada de coisinhas empoeiradas, pelo contrário, quero estar a cada dia renovada.
     Quero continuar tricotando, entrelaçando  palavras, tentarei arrematar o trabalho de forma sutil e serena, dando-lhe boa forma e completude, quando isso não acontecer, como uma artesã dedicada, desmancharei tudo e recomeçarei. E caso você observar, nas entrelinhas eu também estarei com uma ou outra mensagem que talvez não lhe agrade. Com isso se eu conseguir apenas um silêncio me desculpe, vou continuar escrevendo o que penso.
     Ah...essa minha alma impetuosa!

1 de nov de 2010

"Deus é capaz"

“Deus é capaz de transformar tua vida
O impossível Ele fará porque és precioso aos Seus olhos
E se tiveres a coragem e a loucura de acreditar
Então irás provar que Ele pode muito mais”.
(Walmir Alencar - Vida Reluz)

Ouvindo essa música logo pela manhã fiquei com ela na memória, a todo instante estive cantarolando esse trecho que me tocou mais, certamente pelo forte sentido que traz.
Falta mesmo um pouco mais de coragem e disposição em acreditar no que Deus pode fazer por nós. Vejo muitos que se dizem cristãos lançando mão de artifícios tão fugazes na tentativa de resolver suas mazelas, demonstrando assim o quanto são fracos espiritualmente. Isso serve apenas para dar campo aos espertalhões de várias categorias que aproveitam desses momentos de fraqueza para arrebanhá-los. Não me refiro às diferentes denominações religiosas, mas a grupos que vão sorrateiramente e quase imperceptivelmente adquirindo o controle total da vida afetiva, financeira e profissional daqueles que frequentam suas reuniões.
Entristeço-me ao ver a ingenuidade e incapacidade de decisão em alguns seres que precisam lançar mão de artifícios dessa espécie para entenderem a si mesmos.
A muitos parece ser mais fácil e cômodo acreditar nas palavras ditas em alto som, porém Deus no silêncio também se faz presente e com delicadeza sussurra em nossos ouvidos tudo que precisamos para encontrarmos o rumo certo, basta estarmos atentos aos seus mais simples e menores sinais.
A fé é um apoio para superar as dificuldades, uma alavanca na busca pelas soluções, tem o poder de desanuviar os olhos embaçados pela incerteza e um conforto no sofrimento. E quando a direção parecer não existir, feito um artista lançando mão de suas tintas, Deus criará uma via, um caminho nítido onde possamos seguir, deixando claro que Ele está no controle da situação.
Aquele que crê no poder infinito e misericordioso de Deus, mesmo vivendo de maneira rústica consegue trazer em si a delicadeza de uma flor e até em meio à dor traz um sorriso dócil emprestando dessa forma, suavidade à vida!
E a música termina assim:
“Deus é capaz de trocar reinos por ti
Abre mares para que possas atravessar
E se preciso fosse daria novamente a vida por ti
Deus só não é capaz de deixar de te amar”.



28 de out de 2010

Padroeiro

Hoje é feriado em minha cidade, dia de São Judas Tadeu.
Antes mesmo de mudar nesta cidade, Quinta do Sol, vez ou outra estava por aqui visitando os parentes. Desde então ao chegar fazia questão de passar pela avenida central, pois ao final dela poderia me inebriar com a beleza do cenário oferecida pela igreja católica, que a meu ver, é de uma primorosa arquitetura.
Por aqui já fazendo morada, acostumei-me a estar presente na missa aos domingos pela manhã quando começa, de fato, a semana e não na segunda-feira como muitos acreditam. Tenho o hábito de chegar pelo menos vinte minutos antes do início, ainda com poucas pessoas presentes sinto que numa saudação silenciosa, mas acolhedora, Jesus me dá boas vindas, convidando-me a oração e a um exame de consciência assim vou me preparando para uma boa celebração, um tempo curto, mas precioso na busca por uma migalha de eternidade.
Nesse momento aproveito também para me deliciar com a beleza que o interior do templo oferece, delicadamente cuidado, as gravuras em suas paredes, criadas com uma graciosa habilidade, remetem a momentos vividos e eternizados na Bíblia, algo que enleva o espírito. Com um olhar atento é possível sentir em cada traço a presença de Deus, basta ter o coração aberto e desejoso de vê-lo em tudo que ali o representa.
Do lado de fora, encontra-se uma grandiosa imagem, mesmo nos tempos em que aqui eu era uma mera visitante tinha a enfática convicção de que se tratava da imagem do padroeiro. Estabelecida a residência nessa cidade e entabulando conversa com alguns moradores, dei-me conta da gafe cometida, precisei ser alertada para perceber que a figura ali representada era de Jesus. Faltou-me subir um pouco mais o olhar e ver melhor o rosto daquele que está a nos abençoar.
Logo eu, tão observadora, cometi esse erro grosseiro, certamente serei perdoada afinal acabei confundindo Jesus, nada mais, nada menos com o intercessor das causas impossíveis, valei-me S. Judas Tadeu!


23 de out de 2010

Viajando



Toda vez que entro no carro para ir à cidade próxima dar uma ajudinha nos cuidados com meu pai (acamado há oito meses) fico tentando imaginar como irei encontrá-lo.
Há dias em que ele está lúcido reconhecendo a todos, outros em que divaga, volta ao passado, pergunta se fui a cavalo, uma graça, faz-me rir com seus devaneios.
Às vezes sou filha, em outros momentos sou neta, ainda não consegui descobrir com quem ele me confunde, o certo é que agora começou a chamar todas as filhas (seis) de Néia. Esse foi o jeito que encontrou de driblar sua memória, para que ficar matutando tentando lembrar o nome de cada uma se as ama da mesma forma?
Na sua sala há uma miniatura de um carro de boi esculpido primorosamente pelo seu irmão Francisco, para nós Tio Chico, que tem o lindo dom de criar incríveis peças talhadas em madeira. A foto acima foi tirada por mim, percebem como não tenho a menor habilidade com uma câmera fotográfica? Na tentativa de achar um ângulo ideal, virei para cá e para lá, por pouco não deixei ir tudo ao chão, enfim essa saiu melhorzinha, pelo menos consegui enquadrar todos os elementos e a peça sobreviveu à minha total falta de jeito.
Outro dia, nas suas idas e vindas no tempo, meu pai achou que ainda era jovem e que estava em sua terra natal, a longínqua Minas Gerais, pôs-se a falar com ar obstinado que precisava dar água aos bois senão como iriam trabalhar?
Pude então perceber que aquela peça outrora encomendada para decorar seu ambiente é mais que um objeto de sua estima, retrata uma época feliz da sua vida e da qual sente um orgulho enorme e embriagador.
Ao seu lado viajo, vou e volto, faço um pacto comigo mesma de não trazê-lo à realidade nos momentos de delírio, melhor completar o cenário e atuar como coadjuvante nas suas histórias do passado. Decidi estar com ele em qualquer momento no ontem, no hoje ou no amanhã, em qualquer época embarcarei na sua imaginação. Não importa se nas tardes iluminadas pelo sol acobreado ou no silêncio frio das madrugadas, juntos sonharemos!


19 de out de 2010

Vale do Sol Noturno

Por uns dias a mídia explorou exaustivamente a clausura e finalmente o resgate dos mineiros no Chile. Agora vemos os programas de humor, que se pautam nos acontecimentos do dia a dia para fazerem suas paródias, aproveitando esse fato para tirar algumas gargalhadas dos telespectadores, sugerindo que aquela mina agora vazia é muito convidativa a deixar lá algumas personalidades, isso não seria má ideia.
Fiquei pensando em tudo isso e confesso que realmente nesse momento de eleição dá vontade mesmo de empurrar algumas figuras buraco abaixo, não esquecendo de um detalhe importantíssimo, fechar a saída. Imaginem se os mineiros já ficaram famosos ao serem tirados de lá, que dirá os políticos, seria a glória eterna, isso não, nem pensar!
Agora devaneando um pouco imaginei que seria muito saudável se todos pudessem contar com um esconderijo para armazenar suas mazelas, decepções, tristezas, cansaços. Isso livraria aqueles que sem culpa alguma pagam pelo stress dos outros.
Vou contar um segredo: eu já tive um “buraco”. No tempo em que fui aprovada no meu primeiro vestibular, saía da minha cidade todos os dias por volta das 18:30 chegando cerca de 40 minutos depois à cidade próxima onde se localizava a faculdade
Havia um trecho da rodovia que me encantava, no verão quando o sol já estava se pondo e a noite se fazendo aparecer, alguns raios avermelhados ainda iluminavam aquele local que aparentava ser um grande caldeirão em meio aos morros. Não poderia deixar de dar um nome apropriado àquele belíssimo lugar e o chamei de “Vale do Sol Noturno”. Visualizar aquele fantástico cenário que só poderia ser uma tela pintada por Deus era uma terapia no fim do dia, principalmente naquele tempo em que eu trabalhava num banco, pairar o olhar naquele lindo lugar era minha forma de desestressar. Ao passar por ali procurava me esvaziar dos sentimentos negativos e uma força propulsora me renovava.
Até hoje quando passo por lá vem à memória os momentos então vividos, nem sei quantas mágoas enterrei naquele vale, certamente os meus problemas e preocupações lá derramados dariam para nivelar aquele terreno.
Não tenho fotos do local, procurei no Google uma imagem que tivesse alguma semelhança, achei essa acima perfeita.
Por isso aconselho que você tenha um lugarzinho qualquer para depositar tudo que o atormenta, flagela, entristece, isso não vai torná-lo famoso, nem irá chamar a atenção de ninguém, mas vai fazer um bem enorme à humanidade!



18 de out de 2010

Renascendo


A ausência de palavras escritas
me fez sentir por uns dias
um melancólico vinhedo retorcido.
Hoje já vejo em mim
folhas verdes brotando
a vida com frutos renovando.
Aprendi que não é preciso
atropelar as estações,
tudo tem o seu tempo.
Os dias e as noites sabiamente
fizeram dos galhos ressequidos
uma seiva mágica escorrer.
Voltam minhas meras sílabas
emprestando suavidade à minha rústica vida.
Mando embora o gosto amargo do fel.
Prefiro o poder das ideias
que trazem aos meus dias
uma doçura comparável à do mel.





Direitos Reservados

13 de out de 2010

Desejos


Quero um mundo melhor
onde possa olhar ao redor
e ver apenas sorrisos inteiros.
Nada de falsidades explícitas
de pessoas malquistas.
Quero apenas a verdade brilhando,
nos olhos o amor se doando
em troca nada esperando.

Quero que a harmonia exista
e como na obra de um artista,
encontrar um tom de claridade,
ver assim no silêncio da reflexão
o melhor caminho para o perdão.
Que as diferenças sejam resolvidas,
metas igualitárias estabelecidas.

Que a simplicidade seja regra,
SER seja mais forte que TER.
Que todo excesso seja controlado,
o tempo muito bem aproveitado.
Voltar os olhos para dentro
e ver que o atual momento
é o melhor para ser vivido.

Não quero passar pela vida
como um desenho garatujado,
meramente esboçado, em seguida desprezado.
Quero ser uma tela sutilmente pintada,
ter a vida em belas cores matizada,
ao final, com dignidade, emoldurada!

Mas se em pouca cor eu me fizer,
resta-me ainda ser como aquela flor
que num branco tom irradia paz,
assim ao menor assopro serei capaz
de espalhar e fazer brotar
formosas sementes de amor.




Direitos Reservados

9 de out de 2010

Ah...o amor é lindo!


O ditado “antes tarde do que nunca” é muito apropriado para esse momento, visto que meu amor e eu fizemos Bodas de Prata no mês de junho e só agora resolvi falar sobre isso. Na verdade não são apenas vinte e cinco anos juntos, mas exatamente trinta e cinco, uma vez que dez foram de namoro, acredite se quiser!
Ele um garoto com dezesseis anos e alguns ralos pelos no rosto, eu aos treze quase ainda uma criança, achava que já era dona do meu nariz, assim começamos a namorar para o desespero de duas irmãs mais velhas, no momento, solteríssimamente sós.
Nesse contexto é possível imaginar que chegar em casa com um namorado à tiracolo pela primeira vez não foi das tarefas mais fáceis, hoje reconheço, a minha ousadia e coragem estiveram muito além do esperado e o que a gente não faz em uma paixão avassaladora? Apetecidos por esse sentimento que invade a alma com uma fúria desmedida e ao mesmo tempo prazerosa, seríamos capazes de romper fronteiras, cruzar mares, desfraldar bandeiras, enfim, tudo em nome do nosso jovial, pujante e impetuoso amor!
Foi difícil para meu pai aceitar que a sua caçulinha, sua seguidora por toda parte, dividisse agora sua atenção com aquele frangote metido a homem sério e brilhantemente educado. Tanto cuidado e o outro foi chegando assim, tirando sua menina da infância querida e a transformando em namorada, uma afronta para a sua condição de progenitor.
Devagar, bem devagarinho, meu velho foi abandonando seu ar de muxoxo e se acostumando com a ideia que aquele namorico estava tomando um rumo certo. As intenções do pretenso genro eram das melhores, mas como um bom mineiro - desconfiado por natureza - somente se convenceu disso uma década depois ao nos ver, finalmente, no altar.
Depois de tanto tempo, fazendo uma contabilidade da nossa vida conjugal, vejo que somamos ricos e lindos momentos, subtraímos diferenças, dividimos tristezas, multiplicamos alegrias, mesmo assim, vez ou outra, precisamos cuidar para não cairmos em saldo negativo. Nessas horas lançamos então um crédito de compreensão, paciência, perdão, ao final as contas se acertam e saímos no lucro.
Hoje com nossos cabelos grisalhos, os meus pela tinta muito bem disfarçados, vejo que o tempo passou, não somos mais os mesmos, agora certamente bem melhores!
Apesar de desprovidos de ambição, conquistamos um tesouro, nosso bem maior, um filho querido, agora já um homem feito, vejo nele o que há de melhor em nós.
Nesse arroubo de ternura e enlevada por essa indizível paixão deixo esses versos, pelo rei cantado, nessa linda e eterna canção:
“Eu tenho tanto pra te falar, mas com palavras não sei dizer, como é grande o meu amor por você”.
Que venham as Bodas de Ouro!




4 de out de 2010

Pilates, para sempre!


Joseph H. Pilates, criador do método que leva seu sobrenome, em uma das suas brilhantes frases nos diz: “Se aos 30 anos você está sem flexibilidade e fora de forma, você é um velho. Se aos 60 anos você é flexível e forte, você é um jovem”.
Resolvi falar sobre isso hoje, pois é algo que me tem sido muito importante ultimamente. Pode parecer bobagem estar durante cinquenta minutos com um grupo de mulheres fazendo exercícios, a princípio, tendo como objetivo apenas um cuidado natural com o corpo.
No entanto, esses valorosos minutos tem sido uma ótima terapia. Não sei se todas as amigas encaram da mesma forma, esses momentos em que nos tornamos iguais, sem preconceitos de classe social, religião ou filosofias são altamente enriquecedores.
Com idades variadas, inclusive penso que sou a titia da turma, vejo em cada rosto o desejo de manter a saúde física para assim ter uma boa qualidade de vida.
Esse pequeno tempo vai além das expectativas, a integração faz com que conheçamos melhor umas às outras, falamos do nosso dia a dia, de coisas ou pessoas que nos são valiosas,  trocamos receitinhas, enfim saímos como se tivéssemos passado por um verdadeiro divã, sempre mais leves.
A tão famosa endorfina liberamos com os nossos esforços, rimos à toa, qualquer coisa é motivo para cairmos em gargalhadas, quer coisa melhor na vida? É assim que mandamos embora um pouco de tudo que nos pesa ou entristece.
Cada uma de nós apresenta alguma limitação, ninguém é melhor em tudo, há sempre aquelas que prevalecem nos alongamentos, mas fatalmente se veem entregues nos exercícios de força. Outras cuidam dos movimentos exigidos e travam uma luta com o controle da respiração. Enfim somos, naquele breve instante, todas iguais apesar de tão distintas.
É exatamente nessa hora que vejo como tudo isso também faz bem não somente ao físico, mas revigora a mente, eleva o espírito e nos ensina a conviver com as diferenças. Pensa que é fácil aceitar que algumas apresentem uma alta performance, enquanto outras se esvaem em suor para acompanhar o ritmo? Adivinhe se puder em qual grupo me enquadro!
Como tenho o hábito ou mania de observar comportamentos - disse isso no meu post "Eu presto muita atenção ao meu redor - vejo que estou muito bem acompanhada com esse querido grupo que se reúne duas vezes por semana.
E o que falar das instrutoras? Em A arte de transformar "ais" em sorrisos deixei um pouco da minha impressão sobre a querida Silmara e da Maria Soraia digo que ela é amiga, companheira e eficiente na sua profissão e como qualquer uma de nós, também tem uma fraqueza que a põe fora de órbita: dormir sozinha, longe do seu amor! Ui, contei!
Não posso deixar de falar de alguém que, sutilmente, faz-se presente e que tem uma importância tamanha: Rose, sempre com um sorriso no rosto, mantém tudo eficazmente cuidado para que o ambiente esteja sempre agradável e organizado, penso sempre nela ao sair com minhas meias tão brancas quanto chegaram, o que prova sua atenção para que o piso esteja sempre limpo. Muitas vezes partilhamos rapidamente nossas dores, pois vivemos uma situação semelhante, tem seu pai vitimado e acamado por um AVC, assim como o meu.
Costumo eternizar alguns momentos preciosos da minha vida e esse é um deles, deixo então o meu carinho a todas as companheiras da sessão de Pilates, é muito bom estarmos juntas.



29 de set de 2010

Bolinhos de chuva ou de amor?


     Em algumas cidades da região após um longo período de tempo seco, a chuva tão desejada chegou devastando, trazendo granizos e ventos fortes. Aqui ela veio mansa, silenciosa, aliviando o sistema respiratório, que já se achava todo dificultado pela fumaça, poeira e falta de umidade. No meio da tarde, ouvindo os leves pingos caindo na calçada e com uma vontade de tomar um cafezinho quente, lembrei-me então dos deliciosos bolinhos de chuva que em casa, quando criança, tínhamos sempre nessas ocasiões. O melhor desse quitute nem era comê-los, mas observar atentamente minha mãe - esmerada na culinária - reunir os ingredientes, misturá-los um a um, deixando claro que qualquer coisa ao ser feita deve ter sua ordem e medida, um ensinamento que me serviu em vários aspectos da vida. Seu prazer estava em servi-los ainda quentinhos, assim com uma consistência macia ficavam mais apetitosos, sequer imaginava que não eram os ingredientes que realçavam o sabor e os tornavam tão especiais, mas a disposição e o carinho com que ela os preparava. Por mais que seu dia estivesse atabalhoado, jamais recusava um pedido e ia para a cozinha, seu ambiente predileto, até hoje quando ela me vem à memória, não a imagino em outro cômodo da casa. Aos estarmos reunidos sempre alegres e animados, com nossas conversas salpicadas de risos,  indagava-nos com brandura se preferíamos bolinhos doces ou salgados, como era um número considerável de irmãos, fazíamos uma votação, vez ou outra para agradar de um modo geral, ela dividia a massa e fazia um pouco de cada sabor. Coração de mãe é assim, não mede esforços para que todos se sintam amados do mesmo jeito, sem predileções. Sinto falta desses preciosos e inesquecíveis momentos.
     Voltando à realidade, sorvo apenas um café vagarosamente, quem sabe assim ele ajude a desfazer esse nó na garganta provocado pelas inevitáveis lembranças.
     Abro a janela embaçada, não sei se pela água respingada ou pelas lágrimas, a chuva que vem dar alívio ao ar há de fazer escorrer também essa minha dor da saudade!



26 de set de 2010

Momentos


“De que são feitos os dias?
De pequenos desejos,
vagarosas saudades,
silenciosas lembranças.”
(Cecília Meireles)

Diria que os meus dias
não são feitos de horas,
apenas momentos,
os bons, eternizo-os
os ruins, sem alimento,
morrem no esquecimento.
Como uma gota d’água,
caio imperceptivelmente
na terra ressequida,
ainda que não a umedeça
para que dela brote a vida,
deixarei ao menos
um suave odor de terra molhada.





Direitos Reservados

23 de set de 2010

E a primavera chegou...


... eclodindo em flores,
amenizando as dores, fortalecendo os amores!
Com contornos bem definidos
se faz obstinadamente bela!

Na rica estação o beija-flor se extasia,
no mar de néctar, alimenta-se para a vida.
A mim, bastam as cores e os odores,
quero apenas vivificar os olhos
e perfumar minha alma.

Que me desculpem as outras estações,
mas a beleza da primavera é única!






Direitos Reservados

22 de set de 2010

Segurança

Ao parar num posto de combustível, enquanto ouvia o barulho da bomba de gasolina, firmei os olhos no sol baixo e amarelado que já se despedia da tarde, num devaneio meditativo me pus a pensar que minha alma também estava precisando ser abastecida.
O nível daquilo que me move anda baixo, visto que não tenho ido à igreja nos últimos dias. Imagino que estou quase na reserva, sem ponteiro algum para avisar, preciso estar atenta e não correr o risco do meu tanque secar.
Ficar no meio do caminho com aquela sensação de vazio, frieza, inutilidade, não dá! Faz-me lembrar um velho sepulcro, uma tristeza só!
Necessito voltar logo à casa de Deus, lá encontro um combustível sem impurezas, que provém de uma fonte inesgotável, não poluente, uma verdadeira energia renovável, ilimitada.
A mão de Deus dá segurança para ir avante, faz-me amparada pelo seu amor generoso, sua benignidade grandiosa e misericórdia infinita. E tudo isso pode ser adquirido gratuitamente, desde que o coração não esteja chaveado.
Dessa forma, onde mais encontraria a força propulsora e a resistência imperecível que me fortalece?
A resposta está em Mateus 11,28:
“Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo e eu vos aliviarei.” (Mt 11,28)



18 de set de 2010

Instinto natural

     Um dia desses ouvi minha amiga e vizinha pedindo socorro, alguns pássaros - pardais - atacavam o seu cãozinho que, de tão minúsculo, parece mais uma amostra grátis. Ele é um pincher e como essa raça costuma ser classificada por número para definir seu tamanho, penso que esse pequenino, por seu porte, seja alguma coisa muito abaixo de zero.
     Whisky é seu nome, um tanto original, mas se ele fosse meu bichinho de estimação certamente eu o chamaria de Beer, estaria assim mais de acordo com a minha suave preferência, nada contra os destilados.
Brincadeiras à parte, o ocorrido foi muito interessante e sério, pois um filhote de pássaro, com um jeito ainda desgracioso, caído antes da hora do ninho, apareceu em seu quintal e como todo cão, desejoso por distração, Wiskynho - como é chamado pelos mais íntimos - com ar atrevido, saiu em perseguição ao penoso. Dois pardais adultos, certamente os pais, saíram em defesa do seu pequeno que ainda não sabia voar. Com bicadas certeiras avançavam ferozmente sobre o cão tentando afastá-lo da vítima, esta por sua vez arrastava-se de um lado para outro na ânsia em proteger sua vida.
     Whisky carente de companhia estava apenas querendo brincar, vendo-se acintosamente atacado e transido de medo, nem pensou em dar ares de ferocidade, tratou mesmo foi de correr para os braços de sua dona, deixando claro não ter nenhuma vocação à cão de guarda, sua tarefa ali é apenas amar e ser amado.
     De cima do muro eu dizia à minha amiga - já ansiosa e com o suor brotando pelos poros - que pegasse o passarinho desgovernado, dessa forma o colocaria no meu quintal, assim os ataques cessariam. Após a cansativa captura, aliviada, deixou-o em minhas mãos, nesse instante eu que até então estava me divertindo com toda aquela cena, não achei mais graça nenhuma, passei a ser o alvo dos pais desesperados que viam em mim mais uma algoz perseguidora do seu filhote. Com voos rasantes, tomado por uma fúria visceral, pardal pai roçava minha cabeça mostrando estar atento ao menor gesto da minha parte, foram-se os caracóis dos meus cabelos!
     Com um suspiro de alívio soltei o bichinho no chão, a paz então voltou a reinar e uma alegria infinita parecia tomar conta daquela pequena família, com suas asas se aconchegavam prazerosamente, uma cena que merecia ter sido registrada.
     Bom seria se os humanos também cuidassem assim, resolutamente, de sua prole. No entanto a realidade é outra, muitas vezes jogam seus recém nascidos pelas latas de lixo do mundo, sem o menor constrangimento e com uma frieza de caráter sequer se lembram que aqueles banidos saíram das próprias entranhas. Enquanto isso pequenos pássaros deixam explicito que a preservação da espécie passa necessariamente pelo cuidado, proteção, carinho.
     Sabiamente nos mostram que devemos socorrer e auxiliar incansavelmente os filhos, mas somente até o momento em que já puderem voar sozinhos. Assim, isentos de qualquer super proteção, estarão, com absoluta segurança, aptos a se defenderem de todas as intempéries da vida.




15 de set de 2010

Deixando marcas

     Percorri cerca de 20 quilômetros com uma mancha branca tomando parte da minha pista, estendendo-se no asfalto quente e ofuscante pelo sol da tarde. A cada curva achava que a perderia de vista, que nada! Serpenteando, continuava ininterrupta, certamente, era pó de calcário que caíra de algum caminhão com falhas na vedação em sua carroceria, o que é muito comum nas rodovias aqui da minha região, essencialmente agrícola.
     O motorista deveria estar extremamente distraído ao permitir que sua carga se esvaísse daquele jeito ou então, como não era do bolso dele que estava saindo o prejuízo, resolvera continuar sua viagem, sem maiores delongas, deixando assim um longo rastro denunciando sua direção.
   Sentindo uma vaga inquietação por aquele descaso, acabei refletindo sobre as marcas que, voluntariamente ou não, deixamos ao longo da nossa estrada. Normalmente os atos ilícitos, indignos e os erros berrantes, são os que deixam mais visivelmente seus sinais, perceptíveis até mesmo aos olhos mais distraídos. Já os atos de bondade, caridade, os favores ilimitados, a educação e a discrição ficam marcados suavemente, tão de leve que é preciso uma visão apurada para percebê-los. Praticar virtudes desinteressadamente consiste, acima de tudo, em não esperar reconhecimento, o que nem sempre acontece, visto que muita gente quer mesmo é fazer acontecer e aparecer, ainda mais em época de eleição onde o que pode mais é aquele que está em evidência. A esses tenho a oferecer apenas o meu indefectível voto de desprezo!O que me faz sentir, de fato, um deleite sem igual é estar diante de algumas criaturas que apesar da grandiosidade e importância, mostram-se quase invisíveis de tão simples e discretas. Estão sempre presentes, mas sem exibicionismos e com uma auréola de doçura sobre a cabeça, tornam-se inesquecíveis, pois gravam suas marcas no lugar certo, no coração da gente!




11 de set de 2010

Dons musicais

     Normalmente enquanto escrevo ouço música, de preferência instrumental - meu estilo preferido - que tem o poder de levar a um relaxamento agradável, renovando minhas energias físicas e emocionais. Amo melodias em sax e piano, sons que, de um modo particular, invadem e suavizam a minha vida.
     Dizem que o dom para a música é algo hereditário, não acredito que essa convicção seja inabalável. Sou incapaz de tirar o som de qualquer coisa, nem mesmo batendo uma tampa de panela em outra. Houve uma época em que me pus a fazer aulas de teclado, logo nas primeiras lições, onde os exercícios se davam somente com uma mão, achei que tinha encontrado a verdadeira vocação, meus olhos cintilavam de entusiasmo! Para que as notas se completassem a outra mão se fez necessária, deu-se então o início da minha derrocada, quanta falta de ritmo para uma pessoa só! Meus parcos neurônios musicais logo deixaram claro que era melhor tentar outra coisa na vida, porque como tecladista, estava fadada ao fracasso.
     Meu marido, assim como eu, teve seus dias de ilusão e decidiu que tocar violão seria muito interessante e quem sabe nos fins de semana seria uma forma de se livrar do stress. Teimoso, um pouco mais insistente que eu, dedilhava alguma coisa, mas cá entre nós, aquele jeito de segurar o violão como se fosse uma viola, arrancava-me risos - escondidos, é claro - logo foi deixando o instrumento de lado, dizia-se cansado, não admitia ter desistido, jamais daria o braço a torcer! Ao ser indagado, respondia ligeiro que estava só dando um tempo, que dura até hoje.
     Conto isso para que vejam que o dom da música não provém, necessariamente, de laços sanguíneos, pois se dependesse da desastrosa vocação dos pais, meu filho jamais teria nascido com a sua imensa capacidade musical. Por volta dos oito anos de idade já aprendia, com admirável facilidade, os primeiros instrumentos, apaixonou-se por vários e os tocava com maestria, aos treze já dava aulas numa escola de música. Hoje não se dedica tanto, devido à faculdade e trabalho, mas ainda é uma das suas paixões. Então me digam de onde vieram seus dons? Na árvore genealógica da família, constam que apenas os bisavôs maternos e paternos tiravam algumas notas, aprendidas de ouvido. Sua herança musical então seria longínqua, pulando gerações, uma vez que a minha, declaradamente, não fora contemplada.
     Cada um desenvolve os dons que traz dentro de si, alguns preciosos, outros nem tanto, como não me foi dado habilidade e destreza na arte de tocar, resta-me pelo menos aprender a ouvir sons que tenham qualidade, isso não exige vocação, somente um pouco de atenção.
     É bom lembrar que uma boa música tem o poder de aliviar a alma árida pela melancolia e assim como uma bebida revigorante, em pequenos goles, aquece a alma.

8 de set de 2010

É preciso semear flores pelo caminho...

...e não deixar espaço para que as ervas daninhas proliferem, uma vez que estão por toda parte querendo crescer e sufocar os que estiverem por perto. São os hipócritas que, mesmo sem serem convidados, teimam em fazer parte da trilha, com seus olhares curiosos ficam na espreita torcendo para que alguém saia da rota e seja motivo de escárnio.
     Esses jamais aprendem a valorizar o que há de bom nas pessoas, sequer têm a coragem de lançar elogios, principalmente, quando eles próprios jamais os recebem, trazem na expressão apenas zombarias disfarçadas. Vejo-os como marionetes, quando manipulados dão espetáculo, mas ao final do show amontoam-se como objetos inertes, sem vida própria.
     Definiria esse tipo de comportamento ou sentimento como inveja ou um desvio de caráter que chega ao êxtase com a desgraça dos outros, como são feios esses excessos emocionais mal tratados, somente um mergulho nas teorias psicanalíticas de Freud para entender essas mentes febris.
     As boas companhias, as verdadeiras, sinceras, que nos abrem os olhos e dizem o que precisamos ouvir, renovam nossas forças quando estamos prestes a sucumbir, essas são as flores que plantamos ao longo do nosso caminho.
     Como toda ida tem volta, certamente, o retorno será suave quando nossa estrada estiver ladeada pelas plantinhas da paz, do companheirismo, da lealdade, assim não nos sentiremos sem rumo, mas desfrutaremos do conforto, segurança e da alegria desmedida de não estarmos sós.



4 de set de 2010

Lua de prata


     No início de uma noite dessas, voltando para casa, após uma curva dei de cara com a lua cheia logo ali à minha frente, exibia-se inteira e linda! Devido ao relevo acidentado da região, parecia estar flutuando bem rente à minha cidade, banhando-a com o seu intenso prateado. Uma visão estupenda! Uma autêntica tela pintada e emoldurada pelo artista maior, Deus.
    Em um simples devaneio, quis que ela lá ficasse até eu chegar, quem sabe bem de perto, meus olhos perscrutadores poderiam decifrar seus segredos e entender esse poder de trazer à tona alguns dos nossos sentimentos, cuidadosamente guardados.Conforme fui me aproximando, com sua singular beleza ela foi  subindo, não permitiu se revelar e nem poderia mesmo ficar, precisava concluir seu espetáculo, só depois o sol poderia entrar em cena e também brilhar. É o fantástico show do universo, em cartaz há bilhões de anos, apreciado apenas pelos que não se envergonham em deixar a emoção brotar.
     Que se vá, há muito caminho a iluminar para que outros tantos não se percam na negritude da noite ou na escuridão imposta pela vida.
     Comprovadamente, a existência para ser plena e discreta precisa ser iluminada na medida certa, nem de mais, nem de menos, bastam os clarões da lua!





1 de set de 2010

De molho!

     Eram quatro e meia da manhã quando acordei com uma sede violenta, sentei-me na cama e não senti meus pés no chão. Só então despertei de verdade e me lembrei que aquele leito alto não era o meu e sim de um hospital. Era o segundo dia de um internamento às pressas, não conseguia respirar por conta de uma laringite horrorosa que parecia me estrangular. Estava há alguns dias com dificuldade para falar, teimosa que sou fiquei achando que iria melhorar e com isso minha garganta fechou e nenhum fio de voz por três dias, apenas grunhidos. Foi horrível a sensação de não poder me expressar, gestos e olhares era minha forma de comunicar.
     Em alguns momentos em que fiquei só, quando alguém chamava no celular, já procurava enviar uma mensagem dizendo que só desse jeito poderíamos conversar. Tão bom receber a atenção dos amigos, deveria fazer parte do receituário, não tem nenhuma contra indicação e saber que algumas pessoas estão pensando na gente até ajuda a dor passar.
     Quando decidi mandar uma mensagem ao meu filho, que está a estudar e trabalhar em outra cidade, procurei não alarmar, disse-lhe que só estava tomando uns remedinhos e que no dia seguinte estaria em casa,  não havia motivo para se preocupar. Até parece que não o conheço, antes mesmo do dia clarear, estava ele entrando quarto à dentro a me abraçar.
     Tem gente que diz que carinho é bom em doses homeopáticas, não concordo, sou exagerada, prefiro logo uma hiper, mega, over dose! É assim, naturalmente, que somos em casa, quer coisa melhor para a saúde melhorar?
     Nesses dias internada, confesso que apenas o meu corpo estava lá, o pensamento era todo voltado ao meu pai, que não está acamado há dois dias como eu, mas há seis meses. Certamente ele esteve a perguntar: por onde anda essa minha filha que não está a me cuidar? Logo estarei de volta, preciso apenas recuperar as forças e a fala senão como vamos papear?
     Vou fechar esse texto, não sei porque hoje só me vem palavras com terminação em “ar”, assim você vai logo se enfastiar! Pode ser resultado dos meus dias inerte no leito, não me restou outra opção senão ficar a pensar em algumas coisas como: rezar, sarar, voltar, acalmar.
     Tenho certeza que a atenção de todos me fez aprender, ainda mais, a conjugar o verbo amar.




27 de ago de 2010

Às cegas

     Outro dia contei por aqui que tenho o hábito de escrever pela manhã, bem cedinho, porém de vez em quando não dou cabo de terminar um texto por falta de tempo ou ideias. Quando me foge alguma palavra ou frase, não fico matutando por demais, prefiro deixar para que à noite, quem sabe, o pensamento flua com mais facilidade. Porém, em casa temos o costume de dormir cedo - não é um segredo de beleza, bom se fosse! Apenas um hábito saudável - lá pelas tantas desisto, desligo o PC e me recolho, então é só colocar a cabeça no travesseiro e pronto! Aí vem a bendita inspiração trazendo aquela expressão que eu tanto queria, são as artimanhas inexplicáveis da criação. Queria entender, seria o conforto do colchão ou a posição horizontal que, numa mágica habilidosa, faz o intelecto entrar em ação? O certo é que depois disso, não consigo pegar no sono sem antes anotar aquilo que tanto ansiava pois certamente no dia seguinte serei, fatalmente, traída pela memória.
     Numa ocasião dessas, não querendo ligar o computador novamente, nem quebrar a quietude e sequer acender a luz do quarto - o marido já dormia o sono dos deuses - levantei-me e, às apalpadelas, fui em busca da bolsa onde certamente acharia papel e caneta, só então me dei conta que não havia feito ainda aquela faxina tão necessária e botar fora tantas inutilidades que trago dentro delaApós uma minuciosa e demorada busca, apalpando cada objeto, encontrei finalmente um papel dobrado, meus dedos hábeis sentiram pela textura que seria a folha arrancada de uma velha agenda onde havia anotado alguns itens das últimas compras, ela serviria adequadamente ao meu intento. Fiquei feliz com a eficiência do meu tato, dos cinco sentidos, este mostrava que ainda permanecia preservado, que orgulho!
     Envolta pelo escuro e inebriada pelo sono já atrasado, em garranchos deixei registradas as palavras que precisava para abotoar no dia seguinte o texto inacabado. Pude assim, finalmente de forma merecida, dormir na paz dos anjos. Pela manhã não acordei com um coro angelical e sim, como de costume, assustada com o cachorro do vizinho - meu natural despertador - com aquele vozeirão ou latidão, parecia estar dizendo: “vamos levantar minha gente, comigo não tem essa de dormir um pouquinho mais no sábado e domingo não”! Confesso já ter pensado em dar uns gritos - ao cão e não ao seu dono – ou será que se eu invertesse acabaria de vez com essa apoquentação? Meu eterno “conselheiro” bom senso sempre diz não! Sendo assim, já de olhos abertos e com a luminosidade da manhã invadindo o quarto, o jeito foi levantar, pus-me a espreguiçar e ao esticar os braços senti minha mão roçar um papel ao lado da cama, trouxe-o junto a mim e qual não foi meu sobressalto, não podia crer no que estava vendo! Um pedido de exames - ainda não realizados - emitido pelo médico e nele gravadas, em letras garrafais e à caneta, as minhas noturnas e inspiradas palavras! oh...não!!!



24 de ago de 2010

Que tal contribuir?


     Não se ouve outra coisa, ultimamente, que não esteja relacionado às campanhas, são políticos vorazes por nossos votos ou redes de televisão num apelo interminável travando uma corrida em busca de fundos para entidades filantrópicas e projetos sociais. Prefiro não opinar sobre até que ponto há realidade em tudo que é proposto, divulgado e qual o alcance das mesmas. Apenas imaginei, nas minhas ligeiras divagações, como seria interessante aproveitar todo esse layout de publicidade e nos mesmos moldes fazer também uma abrangente e saudável campanha. O objetivo não seria arrecadar fundos, sequer fazer discursos inflamados na tentativa de amealhar votos, eu iria pedir somente SORRISOS! Uma frase - desconheço o autor - chamou minha atenção há um tempo: “O problema é meu, mas minha cara é de todos”, como o mundo seria diferente e bom se, de fato, pensássemos assim. Sinto em toda parte, nos lares, escolas, empresas, até mesmo nas igrejas - onde o espírito deveria estar sempre desarmado - que há muita gente de cara feia, cenho franzido, transmitindo visivelmente o que levam no coração, às vezes acabrunhado, revoltado, endurecido.
     Nessa minha forma imaginária de doar seria tão fácil contribuir, não haveria nenhum custo, já está difícil emitir um sorriso gratuitamente, que diria se fosse preciso colocar a mão no bolso. Vou logo avisando, não adianta tentar fazer uma falsa contribuição, enviando aqueles sorrisinhos desanimados mal movendo os lábios, esses não teriam nenhuma utilidade, melhor que fiquem na clausura das suas insignificâncias. E aqueles forçados, na perversa e infeliz tentativa de serem simpáticos, mas logo reconhecidos em sua falsidade, nem adianta, seriam ostensivamente rechaçados.
     Uma doação verdadeira é aquela em que entregamos algo que nos é importante, do qual gostamos muito ainda e que seja bom para os outros. Ao oferecermos aquilo que desprezamos, estamos apenas nos livrando de entulho, desocupando espaço. Sendo assim, não tente passar adiante um sorriso surrado, desbotado, tenha coragem e doe aquele melhor, que você traz generosamente do fundo da alma e não apenas na superficialidade do semblante.
     Então para que guardar sorrisos? Esta atitude não é nada inteligente muito menos vantajosa, pois quando divididos - invertendo a matemática - multiplicam-se!
     Contribua, sorrir é lucro certo!


20 de ago de 2010

Espetáculo!


     Esporadicamente, escrevo sobre alguns personagens da vida real dessa pequena e modesta cidade, de povo acolhedor, onde tenho vivido nos últimos dois anos. Uma tarefa nada árdua, visto que são figuras que permeiam nosso cotidiano repleto de fatos e histórias interioranas.
     Hoje trago, com merecimento, um grupo folclórico encantador, partindo do princípio que temos que valorizar o que é da nossa terra. No primeiro dia do festival - quinta edição - escolhi um lugar no último degrau da arquibancada, assim nada obstruiria minha visão, nenhum detalhe poderia ser perdido durante a apresentação do grupo folclórico Pôr do Sol. A noite era fria, aos poucos foi se tornando aconchegante à medida que os espectadores se aglomeravam ansiosos por mais um espetáculo,  grupos de diversas cidades e até mesmo de outro Estado - Pará - estariam mostrando sua arte.
     O que presenciei foi um misto de beleza e de magia, nas danças magnificamente executadas, o nosso grupo - já posso chamá-lo assim - trazia em cada passo o desejo ilimitado de não deixar morrer a cultura popular brasileira. As músicas - suprema forma de expressão artística - foram esplendidamente cantadas e muito bem colocadas em cada tom, traziam nas suas letras algumas lendas, até mesmo costumes da história regional e nacional. Seus trajes, criados com originalidade, exibiam coloridos de vivificar os olhos, acresciam em beleza e agiam como coadjuvantes, expressando ainda melhor o enredo cantado.
     Esses jovens - alguns um pouco mais maduros - demonstram, perceptivelmente, em cada gesto ou nota musicada que a alegria só pode vir de dentro para fora, deixam assim um rastro de enternecimento e suavidade para que não os percamos de vista. Há alguns anos estão viajando e participando de festivais pelo país, espero que contem com incentivos irrestritos, assim poderão continuar o cultivo dessa riqueza que é o folclore brasileiro. O que foi criado e, diga-se de passagem, muito bem idealizado, não pode parar, pois o intuito maior é difundir a arte e a cultura que enriquecem a formação de todo indivíduo.
     Que os aplausos os eternizem e sigam a cantar e a bailar com toda essa bela maestria que nos enche os olhos e infla nosso orgulho.

17 de ago de 2010

Voar...voar...

“... subir, subir, ir por onde for
descer até o céu cair...
O que sai de mim
Vem do prazer
De querer sentir
O que eu não posso ter
O que faz de mim
Ser o que sou
É gostar de ir
Por onde, ninguém for...
...ir até que um dia
Chegue enfim
Em que o sol derreta
A cera até o fim...”
(Byafra)

     Esses versos, muito bem cantados pelo próprio autor, trazem nas entrelinhas o sentido da real liberdade, aquela desejada por todos, mas que poucos sabem como ela é de fato.
     Ícaro, ao ser dotado de asas, não se conteve diante da perspectiva de ir mais além, subiu a ponto de se esquecer dos raios de sol aquecendo e derretendo a cera que colava suas asas. Junto consigo vieram ao chão todos os seus sonhos terminados, repentinamente, por sua insidiosa imprudência.
     Quem já não colocou suas asas em risco, que atire a primeira pena! Há uma ânsia em sair do maior cativeiro que são nossas próprias limitações, sejam elas pessoais, psicológicas, profissionais, intelectuais e outros tantos ais. Para sair da clausura é preciso sonhar, com os pés sempre fincados no chão, é bom lembrar, tentar vencer por seus próprios meios sem jamais transgredir o protocolo da vida.
     E o que falar do amor e da paixão que também costumam voar alto, subir além e obscurecer a razão? Nesse caso, Deus concede a alguns - poucos - um favor supremo, cautela e sensibilidade para irem apenas onde o sol não derreta a cera até o fim!

13 de ago de 2010

Noite de meteoros


     A Nasa divulgou ontem, devido a passagem da Terra por uma zona de detritos, oriundos de um cometa, seria possível visualizar uma chuva de meteoros em grande parte do Brasil durante a madrugada de hoje. Como costumo dormir muito cedo, sequer cogitei em segurar as pálpebras - que em certa hora caem teimosamente - e tentar assistir essa maravilha prevista entre 00:30 e 02:30 h.
     Coloquei a cabeça no travesseiro e demorei a pegar no sono, pus-me a pensar nos prodígios do mundo cósmico já em parte pesquisados, outros tantos ainda indecifráveis diante da imensidão do universo. A humanidade avançou muito em tecnologia, ciência, medicina e tudo mais, mas ainda não conseguiu provar, de fato, a origem do mundo. Tantas teorias debatidas, estudadas, cravadas em nosso intelecto pelos entendidos. Isso tudo não reduziu a sensação de impotência, pequenez, um vazio por não ter certeza de como tudo começou e muito menos de como será o fim, ainda mais no ritmo em que estamos vivendo, altamente conspiratório contra a natureza.
     Enfim, minha modorra noturna não permitiu que eu me levantasse e fizesse parte do público brasileiro que certamente estaria apreciando o fenomenal acontecimento meteórico. Pensando bem, antes tivesse me posto em pé, pois acabei prestigiando, compulsoriamente, outro espetáculo apresentado unicamente à minha pessoa: um show de ruidosos e incontroláveis roncos, com direito a assovios intermitentes, oferecidos por aquele que dormia, solidamente, ao meu lado. Tem coisas que só o amor explica ou suporta...ah...meteoro da paixão!


10 de ago de 2010

Segredo?

Da discrição (Mario Quintana)

Não te abras com teu amigo
Que ele um outro amigo tem.
E o amigo do teu amigo
Possui amigos também...

     Não reparem se estou novamente trazendo palavras do Quintana, que posso fazer se ele retrata nesses versos e em tantos outros exatamente aquilo que penso?
     Pois é, o poeta não ousa falar de si aos seus amigos, sábia atitude! Será segredo apenas aquilo que não foi contado, uma vez dito, jamais guardado! Isso me fez lembrar da brincadeira do telefone sem fio, é exatamente o que acontece quando um ocorrido é propagado, ao final tanto enredo será acrescentado que a história tomará rumo inesperado - deu até rima - é a eterna tendência ao excesso.
     Compartilhar confidências é saudável, em algumas situações até mesmo confortante, desde que não seja necessário pedir segredo, senão...triste sina!
     Melhor é refletir as palavras de Molière: “Convém em certas ocasiões ocultar o que se traz no coração”.


6 de ago de 2010

De flor em flor...


     Costumeiramente, logo pela manhã abro a porta da cozinha que dá acesso ao quintal, é um prazeroso hábito de sentir o ar fresco, agradabilíssimo, ajudando-me despertar de verdade. Porém hoje levei um grande susto, assim que coloquei os pés para fora, um beija-flor abruptamente veio ao meu encontro. Senti o roçar de suas penas junto ao meu rosto e seu pontiagudo bico deixou uma leve marca no cantinho do meu olho, por muito pouco não o acerta, que sujeitinho mais desastrado! Pelo visto não se comoveu nada com minha patética cara de espanto, partiu tão rápido quanto chegou e sem pedir desculpas deixou no ar apenas o leve barulho do silvo de suas asas.
     Bendita a natureza que proveu esse lindo pássaro com uma agilidade sem igual, pois se dependesse dos meus reflexos - nada imediatos - estaria escrevendo esse texto agora enxergando, quem sabe, pelas metades. Certamente não veio somente para me dar bom dia - e que bom dia! - e sim atraído pelas flores das minhas orquídeas que estão, por esses dias, espalhando agradavelmente suas doces fragrâncias. Vou relevar seus maus modos, afinal pela sua beleza e sutileza tem sido até agora sinônimo de poesia e fonte de inspiração em diversas músicas. Foi justamente lembrado quando um compositor, ao proteger no anonimato, deu ao seu amor o “codinome Beija-flor”.


3 de ago de 2010

Eu presto muita atenção ao meu redor

     Durante algum tempo deixei no meu Orkut a seguinte frase: “Eu presto muita atenção ao meu redor”, alguns amigos ainda me perguntam o que eu estava querendo dizer, então explico: sou completamente distraída com relação a algumas coisas, principalmente no que diz respeito à aparência dos que estejam por perto, a maneira como se vestem ou se penteiam, a cor das suas madeixas, o que levam nos pés, nada disso chama a minha atenção, sequer consigo lembrar das roupas que eu mesma usei no dia anterior.
     Porém, não se enganem, não trago uma auréola sobre minha cabeça, sou absolutamente criteriosa e chata com alguns pormenores que não me passam despercebidos: comportamentos, atitudes, palavras, gestos, enfim, sou extremamente observadora com relação a isso, afinal é como, a princípio, começamos a conhecer uma pessoa, por dentro.
     Julgamento prévio não é de bom tom, mas é tão simples perceber quando estamos diante de algumas criaturas lascivas e execráveis. Falam exaustivamente, sempre no sentido de ofender e diminuir ou tentando passar uma imagem inverídica de si mesmos, com uma imponência cravada no nariz, sempre empinado! Não é preciso uma minuciosa atenção para detectar esses tipos licenciosos e mundanos, estão sempre em evidência e se fazem, facilmente, aparecer.
     Nessa tentativa em descobrir um pouco da personalidade de alguns indivíduos, quem sabe futuros amigos, normalmente me livro de muitos aborrecimentos. Meu círculo de amizade é pequeno, mas cada um que dele faça parte terá sido meticulosamente observado, aprovado e querido.
     Olhos observadores não afrouxam a vigilância, são capazes de perceber quando estão diante de uma alma límpida, de caráter transparente, mesmo que a beleza física não esteja presente, é como uma flor que flutuando tem sua imagem distorcida pela água, porém na sua essência a beleza permanece imaculada.
     Tão bom conhecer pessoas melhores,dessa forma, vou continuar prestando muita atenção ao meu redor!