27 de mar de 2010

Contador de histórias

     Manhã chuvosa, feia, preguiçosa, um convite a ficar em casa, colocando os e-mails em dia, respondendo as mensagens carinhosas de parentes e amigos que tem desejado melhoras ao meu pai que está acamado (falei sobre isso no post anterior). Estive ao seu lado na noite passada, ele agora precisa de cuidados e companhia 24 horas. O silêncio da noite é sempre favorável a trazer recordações, os pensamentos voam num vai e vem contínuo. Fiquei nessa madrugada ao lado daquele que sempre fora um contador de histórias nato, com um repertório riquíssimo, seus enredos sempre repletos de humor e alguma malícia. Minha infância foi recheada pelos seus contos e causos, por vezes ouvidos à distância, escondidinha, pois nem sempre eram apropriados para minha idade. Disfarçando, melindrosamente, como se nada daquilo me interessasse, ficava na verdade prestando atenção naquelas longas e maravilhosas narrativas, ricas em detalhes e fantasias. Certamente, esse talento ele herdou de seu pai, meu avô, um poeta encantador, embora sua arte conhecida somente no meio familiar, deixou com suas rimas, lindas lembranças. Há de se lembrar ainda que meu pai conta com um irmão repentista, nos seus versos, prazerosamente, ditados e rimados, mostra toda sua maestria no ofício. Oxalá esse veio poético possa ter continuidade e as gerações seguintes também nos alegrem com suas prováveis inspirações.
     Agora o meu desejo imediato é que meu “poeta” saia do seu leito e nos contemple com mais um de seus esplêndidos causos.

Um comentário:

Anônimo disse...

Tambem foi com meu pai que aprendi a amar poesia. Ate hj eh impossivel pensar nos Luziadas,no Navio Negreiro de castro alves e especialmente em Cyrano de Bergerac de edmond rostand que eu nao escute e veja ele recitando seus versos.esses momentos vividos sao os que ficam. eh disso que vale a pena a gente lembrar. estou unida a vc em pensamentos bons para o seu pai.pituca