22 de mar de 2010

Justiça em boa medida


     Tenho por hábito não ler notícias no final de semana, é um momento para recarregar as baterias, colocar em dia a vida espiritual, ir também em busca das opções de lazer que descansem a mente, afinal ninguém é de ferro. Já na segunda-feira não consigo começar o dia sem antes dar uma passadinha de olhos nos sites informativos. Não sei até onde isso é positivo, uma vez que não temos tido muitas coisas boas veiculadas ultimamente, porém é melhor estar por dentro do que está acontecendo. Assim algo me chamou a atenção logo pela manhã, o início do julgamento do casal Nardoni, acusados pela morte da pequena Isabella. A opinião pública já tem uma sentença antecipada, a condenação é praticamente certa. Porém a imprensa tem divulgado que existem muitas brechas deixadas pela polícia no período de investigação e que deverão ser usadas pelos advogados de defesa que acreditam, fortemente, na absolvição do casal. Por conta disso, cogita-se um adiamento do julgamento.
     À mídia aprouve, durante todo esse tempo, mostrar a rotina da madrasta e do pai, ambos em suas respectivas penitenciárias com uma mudança aparente de vida, religião e comportamento, como se isso os bonificasse e os fizesse merecedores de perdão. No entanto, crimes trágicos explorados, exaustivamente, pela imprensa na ânsia de audiência não são esquecidos e nem aliviados facilmente pelo público.
     Nas minhas elucubrações tento imaginar como estará vivendo a mãe da menina, a sua dor certamente continua latejando, dilacerando, o tempo para ela deve correr num ritmo diferente, os ponteiros trabalhando lentamente, carregados pelo peso da saudade. Tamanha angústia só poderá ser amainada, indiscutivelmente, pelo poder da fé buscando ânimo para a continuidade da vida.
     Somos humanos, passíveis de erros e a justiça brasileira tem sido muito questionada quanto à sua infalibilidade. Resta-nos então pedir a Deus, conhecedor de todos indistintamente, que seja feita, verdadeiramente, justiça em boa medida.


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