6 de mar de 2010

O bom de ser louco



     Há uns vinte anos li uma frase que nunca mais a esqueci, pois achei perfeita: “O bom de ser louco é poder viver a delícia de não ser óbvio”. Desconheço o autor, mas passei-a muitas vezes adiante, apesar de perceber que muitos não entendiam seu significado.
     O louco é alguém que não se preocupa ao fazer coisas diferentes, anormais, pois isso já se transformou numa característica própria e tudo que ele faz não choca, não assusta ninguém. No entanto, caso uma pessoa dita “normal” fizer qualquer coisa fora dos padrões logo se transforma em alvo de críticas e condenações. 
     Lembrei-me outro dia do significado dessa frase quando saindo de casa, ainda na minha rua, vi um sujeito abraçado tão ternamente a um poste que a cena chegava a emocionar. Passando por ele não consegui detectar nenhum sinal de embriaguez aparente, mas pude ouvir o que ele disse com voz firme e segura ao seu interlocutor, o poste: “você fique aqui, eu já volto, não saia daqui”.
     Continuei andando bem lentamente, mas sem deixar de me voltar de vez em quando na tentativa de assistir o final daquela inusitada e triste cena mas, pelo visto, o monólogo ainda se estenderia por um bom tempo e um compromisso me aguardava. Pensei na felicidade de poder agir assim, tão “normalmente”. Pesei os prós e os contras com relação a loucura. Cheguei a conclusão que hoje nesse mundo tão conturbado, com tanta gente preocupada com a vida financeira, profissional e afetiva, deixando assim de levar uma vida simples, prazerosa e por consequência mais saudável, o louco,  imune a todo tipo de comprometimento com o presente e o futuro, acaba por viver muito mais e melhor.
E como diz a música:
“Dizem que sou louco por pensar assim,
Se sou muito louco por eu ser feliz,
Mas louco é quem me diz e não é feliz,
não é feliz”.


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