6 de abr de 2010

A arte de transformar "ais" em sorrisos


     Quando o ortopedista constatou um abaulamento discal na última vértebra da minha coluna lombar, dizendo que era algo com o qual eu teria que conviver, pensei logo na mudança de alguns hábitos que, certamente, estariam me prejudicando. Um deles é a minha forma de dormir. Não consigo manter o corpo de maneira adequada na cama. O quadril para um lado, o ombro para o outro, a cabeça de lado, as costas para cima, algo digno de deixar qualquer fisioterapeuta em prantos!
     Saí do consultório com uma receita muito simples, um comprimido em caso de dor extrema e fisioterapia. Confesso que o primeiro ítem me agradava mais e cheguei a cogitar em não fazer uso do segundo. Porém, aquela dorzinha aguda e intermitente fez a maior amizade comigo, não queria largar do meu pé, ou melhor, da minha coluna. Passei os olhos no pedido médico tentando entender o que ele havia indicado nas sessões de fisioterapia, mas como decifrar aquelas letras ininteligíveis que mais parecem hieróglifos? o que eu temia lá estava: alongamentos. Não me considero uma pessoa sedentária, sou disciplinada com minhas caminhadas diárias, mas confesso que não tenho o hábito de me alongar como deveria. Assim, pude antever que muitos “ais” e “uis” viriam pela frente.
     Contei com o trabalho de uma profissional, que até então não conhecia, mas que ganhou logo a minha simpatia, tamanha a competência, delicadeza e com muito de eterno dentro de si (falei no primeiro texto desse blog, o quanto é importante para mim o conceito de eterno). Pude observar durante os dias de tratamento que o seu trabalho não se restringe à prática da fisioterapia, mas cumpre de certa forma, o papel de psicoterapeuta, ouvindo de maneira atenciosa os pacientes que chegam fragilizados pela dor do corpo e também quem sabe, da alma. Isso é essencial no processo de recuperação, mas nem todos os profissionais da área tem essa habilidade e sensibilidade. Quão árdua é a sua profissão, no entanto, lindamente edificante, pois recebe nossos “ais” e nos devolve sorrisos. Preciso lembrar ainda do quanto foi firme em suportar meus pés, inacreditavelmente gelados (por conta de uma ansiedade) e que sempre me matam de vergonha.
     Parabéns à Dra Silmara pelo profissionalismo e pela maneira diferenciada com que exerce sua função. Conhecê-la e contar com seu trabalho foram fatores imprescindíveis para a redução das minhas limitações, fazendo a minha vida ainda mais feliz!

Um comentário:

Anônimo disse...

Quanta lisonja a minha pessoa e profissão, querida Dulcinéia! Deixa-me sim emocionada e de certa forma mais sensivel àqueles que Deus me encaminha. Ninguém pode passar pela vida do outro sem fazer alguma diferença. Faça o outro crescer, faça o outro sentir-se humano!!! Seguindo com esse lema levo em minhas mãos o meu instrumento de trabalho que tanto me gratifica e me realiza não somente quando de jaleco branco, mas principalmente pelo exemplo de vida que cada paciente carrega consigo e que tanto me ensina!!! Obrigada pelo carinho minha cara. Tenha certeza que os pezinhos de gelo serão jamais esquecidos hehehehe. Um abraço bem apertado no seu coração.E sabe né, precisando bater um papo, precisando alongar o ciático... é só me chamar, ok?