8 de abr de 2010

Carregador de memória


     Tenho seguido alguns blogs de tecnologia e um post chamou minha atenção, o lançamento de um carregador de pulso, para portáteis. Vencida pela curiosidade, fui logo procurando saber se era apenas mais uma engenhoca mercadológica ou se de fato agora seria possível evitar certos transtornos, como ter uma conversa interrompida pelo fim da bateria do fone. Quem nunca passou por isso que atire o primeiro celular. O fato é que o tal invento veio para salvar os distraídos, que assim como eu, só lembram que deveriam ter carregado a bateria, ao precisarem ligar e se veem então com aquele objeto na mão, mudo, com cara de “não sei para que serve”. 
     Enfim a novidade se trata de uma pulseira, Bracer of Battery Life 2, que poderá ser ligada ao computador via USB para carregá-la e quando necessário poderá ser conectado nela qualquer aparelho com entrada mini, tais como celular, Iphone e outros.
     O meu saudável senso de ironia me fez imaginar a criação de um carregador de memória (a minha anda se esvaindo como água pelos vãos dos dedos), com o qual poderia trazer de volta algumas lembranças suprimidas pelo tempo. Minha condição seria relembrar somente momentos bons que marcaram pela importância ou pela emoção. Pensei como seria prático ligar um aparelhinho no corpo (o local exato deixo por conta da sua imaginação ) e poder visualizar mentalmente a fisionomia da primeira professora, cujo nome ainda sei, mas cujo rosto fugiu completamente da minha mente. Ou então, recordar de cada amigo de infância, muitos se perderam na distância do tempo e do mundo. Certamente iria lembrar de fatos marcantes, como a expressão do meu marido no nascimento do nosso filho, dizem que ele insistia em aparentar tranquilidade e na sala de espera fora visto lendo, teria convencido ser o pré pai mais calmo do mundo se não fosse traído pelo detalhe da revista estar de ponta cabeça em suas mãos. Também me alegraria ao relembrar a primeira palavra dita pelo meu filho, seria “papai ou mamãe”? o instinto materno (que faz das mães seres superiores) insiste em me dizer que fora “mamãe”. E o último abraço da minha mãe, como eu queria não apenas lembrar, mas sentir o seu calor, o cheirinho bom do seu corpo, a sua docilidade, determinação, o sorriso no rosto. Fazia jus ao seu nome (Rosa) e era de fato uma flor, cuja cor tinha as nuances do amor.
     Quanta coisa seria possível com esse invento, que os gênios da tecnologia nos contemplem com essa criação, mas não tardem, que seja ainda nesse século, quero estar por aqui ainda e poder usufruir das suas maravilhas e quem sabe assim turbinar meu HD mental.

Um comentário:

Fernando Fonseca disse...

Realmente, seria uma excelente invenção. Assim, evitariamos desculpas como "esquecer o aniversário de casamento", "aquela matéria da prova" e claro, os bons momentos da velha infância, esquecidos dentro de um baú empoeirado chamado memória.