14 de abr de 2010

A falta que o "Peixoto" me faz!

     Fazer amizade com ele foi muito fácil, pois com seu jeito tranquilo e temperamento invejável seria impossível não querer fazer parte de sua vida. Nas noites em que estive passando com meu pai (acamado), Peixoto mostrou-se um verdadeiro amigo. Não me abandonava em momento algum, queria estar presente caso eu necessitasse de algo. Muitas vezes falei pra ele dormir, não precisava ficar acordado, sua presença me bastava, mas com seu olhar atento, ficava sondando para saber se estava tudo bem por ali. Acho que sua preocupação era que eu pegasse no sono e descuidasse do Vozinho, seu melhor amigo. É Peixoto, ele não tem podido falar contigo, as sequelas do AVC que sofreu fez com que esquecesse completamente de você. Caso sua memória não tivesse sido afetada, iria lhe falar como era feliz com sua presença, que sua companhia fora importante nos momentos de solidão e nas suas manhãs, certamente, você era sempre o primeiro a receber o seu bom dia. Diria ainda o quanto seria bom sair daquela cama, poder voltar a caminhar, a comer sozinho, a não depender de ninguém para sua higiene, enfim, ser ele de novo. Nas nossas noites compartilhadas pude conhecer melhor você Peixoto, diria até que descobri alguns dos seus tiques, manias que conseguira esconder de todos, mas que de madrugada não soube disfarçar, como aquele hábito de fazer biquinho antes de pegar no sono... ai ai ai... não está mais aqui quem falou! Ninguém pudera até então imaginar que com toda sua agilidade, indo para lá e para cá, também precisasse de um momento de descanso. E numa noite, lá do quarto pude vê-lo inerte, completamente exangue, as pálpebras caídas, quase morri de susto! Será que o Peixoto morreu? Que nada! bastou me aproximar e você já estava de novo alerta, pronto para qualquer eventualidade. Nunca vi ninguém despertar assim com tanta disposição e ainda ter o privilégio de não levantar com a cara amarrotada, nem de mau humor, mas também pudera, já acorda com o rosto lavado, que beleza!
     Estou me tornando sua tiete, ainda mais depois de perceber logo nas primeiras noites juntos, que você não ronca, pelo menos você Peixoto me poupa!
     Ao chegar um dia desses, fui surpreendida com sua ausência. Corri saber de seu paradeiro, por que o levaram para outro ambiente? Que tristeza não tê-lo logo na entrada sempre a dar boas vindas. Vou sentir falta dos seus olhos minúsculos, porém tão acolhedores. Bem sabes que sou cativada primeiramente pelo olhar que pode bem revelar a personalidade. Você também deve estar sentindo falta do burburinho, do entra e sai das visitas que nem sempre tem algo animador a dizer àquele que está no leito: “nossa, me disseram que você está ruinzinho”. Tivesse você capacidade de sair do seu aquário diria tantas coisas a essas pessoas, não é mesmo?
     Por tudo isso é que eu quero o Peixoto de volta, que falta ele me faz!

Um comentário:

Pituca disse...

lindo, sensível, me comoveu!