3 de abr de 2010

Páscoa

     Ninguém merece numa manhã de sábado enfrentar uma fila homérica no supermercado, afinal outros dias da semana são mais propícios para amargar esse desconforto. Isso porque de segunda à sexta tudo é possível ser suportado como rotina obrigatória, mas no fim de semana, desestressar é preciso.
   Véspera de Páscoa, consumidores frenéticos em busca dos ovos de chocolate, crianças birrentas querendo sempre algo mais que não constava na listinha de compra dos pais, o churrasqueiro brigando com o açougueiro pela carne mal cortada para o almoço de domingo. Enfim, impossível fazer mercado num dia desse e chegar em casa sem uma história inusitada para contar.
     Estava aguardando minha vez na fila, com o pensamento voando alto, quando percebi um sujeito com cara de gerente de qualquer coisa, falando e agitando, desconexamente, as mãos em direção à moça do caixa. Não entendi o motivo da sua irritação, mas o que me chamou a atenção foi o comportamento da funcionária. Numa palidez de morte, procurava acalmar o cliente, explicando algo que ele se recusava ouvir, tamanho era seu nervosismo. Como é difícil assistir uma pessoa sendo ofendida verbalmente, palavras pesadas servem apenas para afundá-la ainda mais no abismo em que já se encontra. Não sei se ando muito sensível ou se essas coisas sempre aconteceram e eu nunca prestara atenção, mas ultimamente tenho visto situações envolvendo pessoas com comportamentos violentos por tão pouca coisa.
     A razão precisa ser usada para pôr limites a determinados sentimentos e a humildade é a única forma de combater o orgulho que se apresenta na forma de arrogância, soberba, prepotência. Querer levar vantagem em tudo, tem sido praticamente uma lei.
    O que desejo nessa Páscoa é que usemos esses episódios corriqueiros para uma análise de como estamos fazendo uso da nossa vida, que deveria ser, mas nem sempre é, um ato de amor. E quando abrirmos a boca, seja para falar algo mais valioso que o nosso silêncio.
     Feliz Páscoa a todos!

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