21 de mai de 2010

Amparo

     Há dias em que dá uma vontade de ficar quietinha no quentinho, ainda mais num dia como hoje, com um frio de gelar as orelhas. Nessas horas um chá de melissa, colhida na hora, tem a magia de tornar o dia mais aconchegante. Quisera ter como acompanhamento os biscoitinhos de polvilho, de dar água na boca, que minha querida mãe fazia como ninguém, saudades daqueles quitutes inimitáveis! Seus ricos dotes culinários não ficaram nada enraizados nos meus genes e para a infelicidade da família, não consegui até agora aprimorar minha relação com as panelas, acho que me saio um pouco melhor com as palavras, uma pena que estas não tem sabor, cheiro e nem enchem a barriga de ninguém.
     Sendo assim, em muitos finais de semana, em casa há um acordo unânime e jamais colocado em dúvida: sair para comer! Numa ocasião desta, profundamente enriquecedora para o estômago, decidimos por um restaurante de comida italiana - ambiente com vocação arrasadora para aumentar uns quilinhos na balança - fomos então em busca desse frugal prazer. Como em nosso povoado não temos o privilégio de contar com regalias desse tipo - aqui de italiano, somente alguns sobrenomes de famílias tradicionais - partimos para uma cidade vizinha que sempre nos salva nesses momentos de desespero gastronômico. Pratos deliciosos e um ambiente altamente agradável teriam sido suficientes para deixar o dia perfeito, mas à saída uma cena deprimente manchou a alegria do momento. No estacionamento, uma filha indignada com a dificuldade da mãe idosa para entrar no carro proferia palavrões e injúrias. A ausência de vínculo familiar tem como consequência o desrespeito aos mais velhos, levando alguns jovens a uma total falta de gentileza, disciplina, ética. É preciso entender as limitações causadas pela idade e saber que a agilidade e mobilidade são afetadas com o tempo.
     As fragilidades impostas pela velhice medram e com medo de incomodar, sentem-se, por vezes, grandes fardos. A sensibilidade é muito oportuna nesses momentos para estendermos as mãos e manifestarmos disposição ao amparo, tirando-os do hermetismo ao qual, muitas vezes, são impostos. Que os mais moços façam sua parte, moldando sentimentos como a paciência, o carinho, a atenção. Ávidos na preparação para vestibulares e concursos, precisam também de um cursinho que os ensine a amar, assim evitariam esses exacerbados conflitos inter-geracionais, que estão cada vez mais frequentes.
     A transitoriedade da vida exige que estejamos sempre em busca de condições favoráveis ao envelhecimento, cuidando da saúde física e mental, driblando dessa forma situações semelhantes à daquela mãe maltratada.
     Pelo andar da carruagem,  já passei da metade da minha expectativa de vida, um motivo a mais para ir correndo às minhas saudáveis sessões de pilates!

Um comentário:

Anônimo disse...

Suas palavras sobre "amparo", fizeram recordar das palavras de Pe. Fábio de Melo que como você minha amada tia, ele também tem o dom das palavras que nos tocam ao coração. O que ele disse foi que temos que saber respeitar o "momento" de cada um, não posso querer que alguém esteja no mesmo tempo (momento) que eu. Às vezes em uma conversa com alguém que viveu mais um pouco do que eu, não posso querer que essa pessoa responda no momento que quero, dai o saber esperar e saber ouvir...Pois se Deus me abençoar ficarei velhinha e quero que às pessoas que estiverem ao meu redor RESPEITE O MEU MOMENTO.