9 de jun de 2010

"Dias melhores pra sempre..."



     Quando estou fora de casa me vejo em dificuldade de concentração para escrever, acostumada com o silêncio inebriante e quase nunca rompido na minha diminuta cidade. Neste instante então, minha atenção é abalada pelo som de um salto de sapato, vindo do andar de cima, teimando em martelar minha cabeça num toc toc sem fim. Adoro estar por aqui com meu filho, mas as limitações de liberdade e privacidade oferecida por um apartamento, sinceramente, incomodam-me! Poder abrir a porta e dar de cara com meu jardim, sem preocupação com os sons dos meus passos e das minhas palavras, são as vantagens incontestáveis de se morar numa casa.
     Esse mero detalhe não diminui minha alegria em estar curtindo meu filhote e de poder colocar em dia alguns prazeres indispensáveis: ir ao cinema, sair para comer e estar em boa companhia, num papo agradável e edificante. Coisas simples como essas fazem de uns dias fora um intenso deleite, repõe o ânimo, reforça e impulsiona a vida.
     Estando nessa cidade linda e permeada de um verde estonteante, logo pela manhã, fui cumprir minha obrigação diária, caminhando ao redor de um maravilhoso parque ecológico com seu trajeto serpenteante. Imediatamente viajei no túnel do tempo e me vi naquele mesmo lugar, trinta anos atrás, com um grupo de jovens num animado pic nic. Naquela época era um dos passeios favoritos daqueles adolescentes dinâmicos, de tão puros, não tinham medo de se olharem nos olhos mesmo que lhes fossem revelado a alma, na sua maioria, ilimitada e sem amarras.
     Esse despertar de lembranças e emoções me deixou com a garganta apertada só aliviada com o exalar do ar impregnado de um perfume intenso de flores e folhas úmidas, levemente molhadas pelo orvalho. Minha visão, no entanto, foi obliterada por uma lágrima de saudade desse tempo bom. Voltar à realidade é preciso, mesmo sem a suavidade e ternura de décadas passadas, mas ainda com uma visão esperançosa de ver dias melhores, onde as pessoas se respeitem e aprendam a depurar hábitos, prestando atenção e valorizando os que estão ao seu lado. Oxalá não fosse preciso engolir e sepultar na indiferença algumas atitudes individualistas que levam em consideração apenas os interesses próprios, como se a felicidade fosse algo que se pudesse alcançar solitariamente.
     Na escola a matéria de matemática sempre me foi odiável, mas aprendi com o tempo que ela é indispensável, pois em muitas situações tive que lançar mão de suas operações, tendo que somar, dividir e algumas vezes subtrair para conseguir manter, sem prejuízos, o ritmo melodioso da vida.


Um comentário:

Pituca disse...

tambem nao gosto de matematica. mas, com seus textos aprendo a somar