5 de jun de 2010

Sol que aquece o telhado

Já acordada bem cedinho nessa manhã fria de sábado, mas tomada por uma preguiça marrenta de levantar, fiquei por algum tempo pensando nos textos e composições que andei lendo ontem, na tentativa de preencher o tempo da sexta-feira chuvosa e cinzenta. Entre outras coisas achei essa linda e inesquecível canção:


Este teu olhar (Tom Jobim)

"Esse teu olhar
Quando encontra o meu
Fala de umas coisas que eu não posso acreditar...
Doce é sonhar, é pensar que você,
Gosta de mim, como eu de você...
Mas a ilusão,
Quando se desfaz,
Dói no coração de quem sonhou,
Sonhou demais...
Ah, se eu pudesse entender,
O que dizem os seus olhos."

     Tão bom se embrenhar nas composições de Tom Jobim. Com sua linguagem poética, sem deixar sinais de superficialidade ou formalidades inúteis, inegavelmente, mostra seu apego corriqueiro às palavras. Fazendo alusão a elementos eternos como o amor, saudade, alegria, tristeza, decepção, fala-nos das emoções incertas, da irremediável insanidade dos apaixonados, demonstrando nos seus versos suculentos, a plenitude de sua vocação.
     Ele soube, como ninguém, argumentar com boa propriedade os sentimentos mais afoitos que invadem os aposentos silenciosos da mesmice, agindo como um sol que, subitamente, surge detrás das nuvens afagando calorosamente o telhado.
     São essas emoções transitórias, esses prazeres secretos a fonte de inspiração para os poetas que assim como Tom, fazem deles lindas e imortais canções.




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Um comentário:

Fernando Fonseca disse...

Nada mais interessante e gratificante do que começar o sábado, com esse pelo comentário de Néia ou seria Dulci ou até mesmo Tom? Não sei dizer ao certo, mas é algo prazeroso ler essas palavras tão bem empregadas sobre um sentimento primordial: o amor, pois todos os outros, mais contidos ou exagerados são sub-produtos deste.