12 de jun de 2010

Paciente impaciente

      Alguém já conseguiu sair da sala de espera de um consultório médico sem uma história para contar? Não sei se isso só acontece comigo, pois tenho a mania de ver em meros detalhes e fatos corriqueiros um material generoso que pode ser útil, por exemplo, na criação de uma crônica. Assim sendo, não posso deixar de narrar uma situação, no mínimo curiosa.
     Três horas da tarde, quarenta minutos de atraso do médico ginecologista que resolveu, simplesmente, ampliar seu período de almoço sem nenhuma preocupação com os compromissos das quatro pacientes que o aguardavam. Uma delas - eu - demonstrando calma; duas visivelmente entediadas folheando revistas velhas e outra, notadamente perturbada, num vai e vem que já estava me deixando tonta, parecendo mais uma tenista jogando consigo mesma. Apiedada pela agonia daquela mulher e notando o suor que empapava a gola de sua blusa – em pleno inverno - perguntei-lhe se estava tudo bem. Com a voz embargada e sem conseguir tirar as unhas dos dentes, disse que sempre ficava assim ao realizar exames preventivos do colo do útero. Pensei que talvez precisasse naquele instante era mesmo de um cardiologista, pela respiração ofegante e batimentos cardíacos audíveis, sua pressão arterial, certamente, deveria estar roçando o pico do Everest.
     Ofereci-lhe um copo de água que prontamente fora aceito e vendo em mim alguém com quem poderia dividir seu pavor, foi logo mostrando uma vermelhidão no pescoço, que segundo ela, era um sintoma que sempre a acometia nos momentos de nervosismo, pânico e ansiedade. Por um instante achei que ela estava no consultório errado, um psiquiatra seria uma boa indicação naquele momento. Alguns minutos mais tarde, os braços avermelhados e empipocados por uma alergia súbita a deixou em estado apavorante. “Por favor, alguém conhece um dermatologista?” Vendo todo aquele desconforto e sem saber o que fazer por aquela agonizante criatura, sugeri que ocupasse a minha vez na fila de espera, assim poderia ficar livre mais rapidamente daquela angústia opressiva. No que ela recusou, peremptoriamente, “não, não, não, quero ser a última, quanto mais demorar, melhor”.
     Isso é gostar, definitivamente, do calvário! Sou mais por resolver os imbróglios rapidamente, já que tenho que passar por uma situação não muito agradável, porém necessária, então que seja sem maiores delongas!
     Fui atendida e ao sair, mais uma cena para fechar o episódio novelesco, a paciente multissintomática, corria desesperadamente em direção ao banheiro, mais um mal lhe acometera, um descontrolado desarranjo intestinal. Achei então que para resolver aquela sua apoquentação, necessário seria os serviços de uma completa junta médica que pudesse diagnosticar e remediar toda aquela incômoda aflição, literalmente, intrauterina.


3 comentários:

Pituca disse...

Delicia de historia. minha ansiedade perto dessa, e' fichinha.

Drix disse...

Credo!!!!!!!
Que mulher descompensada, rsrsrsrsrsrs
Imagina o pobre do médico, quando foi realizar o exame?
Eu também ,prefiro resolver logo uma situação desagradavel, do que ficar adiando.
bj

Patrícia disse...

Meu Deus...a parte da junta médica foi demais hahahahahahah