30 de jul de 2010

Há de se ter tempo!

     Eu sinto uma saudade do tempo em que as pessoas eram tranquilas, tinham um único trabalho e esse era suficiente para viver, educar os filhos, passear, trocar o carro de vez em quando - nessa época nem se falava nos importados, o fusca era um show - e também podiam usar e abusar das horas juntos de quem mais se gostava. Quando anoitecia não havia preocupação em voltar cedo para casa, era logo ali, as distâncias eram curtas, nada de taxi, ônibus, metrô, van, motoboy.
     Ao fechar os olhos para dormir, com espírito sossegado, isento de medos, preocupações, angústias, o que vinha à mente eram apenas coisas agradáveis como a lembrança dos belos contornos do rosto da pessoa amada. Os tempos mudaram e hoje tem muita gente travando um rude combate com os ponteiros do relógio, eles rodam mais rápido que se deseja, são os compromissos assumidos além da conta. Uma minoria sente que as horas demoram a passar – idosos, doentes, encarcerados - é saudável buscar um equilíbrio e fazer disso uma meta prioritária, só assim se alcança a plenitude do bem estar mental e físico. Como diz um velho aforismo: “Quem faz o tempo somos nós”.
     Atualmente um fenômeno psicológico muito comum é a chamada Síndrome da Pressa. Acredito que seja o mal do século, principalmente para quem vive nos grandes centros urbanos. Vinte e quatro horas são insuficientes para atender a todos os compromissos, assim acabam levando no cenho um franzir de impaciência, feições sombrias e tensas, geradas normalmente pela autocobrança, afinal precisam render sempre mais e mais. Escravos dessas circunstâncias, uma alimentação saudável é sacrificada, com horas de sono em débito a fadiga é visível, atividades físicas somente quando o médico alerta para o risco de morte. Perdem o olhar naturalmente perceptivo e não são mais capazes de sentir os sabores, perceber as cores, os matizes e tons da natureza. Não há tempo para a família e às vezes nem querem ter tempo para si mesmos, temendo um autojulgamento, certamente severo e inquestionável. E as emoções...ah, as emoções, na sua maioria, são silenciosas, herméticas, inexprimíveis.
     É preciso  lembrar, a vida passa rápido demais, quando nos dermos conta, já éramos! Assim, melhor não gastar as horas com coisas efêmeras e aproveitar o tempo que ainda nos resta para estarmos juntos dos que amamos, principalmente, daqueles que sabemos não terem mais muito tempo por aqui, um atraso nesse caso seria irreparável!
Lembrando Mário Quintana:
" Tão bom viver dia a dia/ A vida, assim, jamais cansa.../"


Um comentário:

Marliborges disse...

Olá! Estou conhecendo seu blog. E gostando.
Adorei esse texto. Real. A vida tem se mostrado assim mesmo como descrevestes. Também penso assim, temos que viver cada instante. E as palavras de Quintana, são um arraso.
" Tão bom viver dia a dia/ A vida, assim, jamais cansa.../" Beijo.