7 de jul de 2010

Jeito simples de ser feliz!

     Mesmo com os olhos fechados percebo os raios de luz desta tarde bonita, iluminada, meus pensamentos são embalados pelo vai e vem na rede em minha varanda. Um prazer apenas destoado pelo ar extremamente seco que impera há dias, saudades da chuva! A minha rinite que o diga! Vez ou outra, volto os olhos em direção ao quintal e vejo meu filho - em casa somente nos finais de semana - lavando o carro. A minha ansiedade não permite que eu o observe por muito tempo, nunca vi ninguém mais meticuloso e exigente ao realizar essa tarefa que se por mim fosse feita, demoraria não mais que trinta minutos. Para ele - perfeccionista em matéria de limpeza de carro - é impossível de ser realizada em menos de duas horas. Digo-lhe que poderia ser assim também nos cuidados com o seu quarto, seria uma beleza!
     Percebo que alguma coisa chamou sua atenção, acredito que seja muito interessante, pois para interromper sua ocupação não é fácil e me olhando lá do portão, disse: mãe, olha aí um assunto para o seu blog!
     Tenho dito que minha rua tem se mostrado um verdadeiro palco de inspiração, pois com algumas personalidades, um tanto quanto esdrúxulas, acabam por rechear e enriquecer meus textos. Hoje, são três rapazotes que no auge de suas tardias adolescências empunham uma carriola, levada com esforço e pelo extremo esmero até parecem estar transportando o último exemplar de uma espécie em extinção, “muita calma nessa hora”, dizia um deles. Todavia o embasbacante conteúdo daquele precário meio de transporte não era nada mais nada menos que uma gigantesca caixa de som ligada a uma bateria, produzindo um som com decibéis apropriados a um show que poderia reunir toda a população da cidade e mais um pouco!
     O que não fazem esses jovens, isentos de disfarces, conseguem assumir com galhardia seus ridículos e não estão nem um pouco preocupados com os olhares de perplexidade que são lançados sobre eles. Minha opinião não condiz com a alegria indizível estampada em seus rostos, quanto prazer em ostentar a potência daquilo que para mim era apenas um barulho ensurdecedor. Quem sabe lá nas cavernas secretas do meu coração eu também gostaria de estar contente assim por um motivo tão simples. Imaginei o quanto gostariam de ter um carro e dessa forma, sem nenhum desgaste físico, fazer ecoar aquele som até onde os ouvidos pudessem alcançar.
     São felizes desse jeito rompendo a quietude do silêncio, a eles incômodo e deprimente, fico pensando se os seus tímpanos ainda estão intactos, tenho minhas dúvidas! Por um bom tempo ainda ouço a música tocando, certamente tiveram que usar de muita destreza e prudência para manobrar o “carro de som” rua abaixo. A recompensa por seus esforços será o ajuntamento de outros jovens nas proximidades da praça fazendo da tarde um momento de alegria embalados pelos seus sons dissonantes.
     Esse é o famoso jeitinho brasileiro!


3 comentários:

Pri disse...

Morro de medo que o Fábio veja eu lavando meu carro!hhauhauhauhauhauhau

geraldo pereira disse...

Se passasse pela minha rua uma geringonça dessa abusando de minha sensibilidade auditiva -
tenho certeza que veria nenhuma poesia na cena

e sacaria o meu trabuco
e mandaria bala na caixa barulhenta
e nos pés dos mancebos
e acordaria
e ficaria irritado por ter despertado
e não tenho trabuco
e não tenho bala
e não moro na SUN´S5ª
e aprecio apenas a crônica da parenta

Jana disse...

1 - que legal seu filho "participar" da sua vida blogueira...rsrsrsrs

2- Né, afinal todos nós quando crescemos temos vergonha do ridiculo....rsrsrsrs
Nós na verdade gostariamos de estar ali.... Com aquela caixa, quem sabe dançando,pulando, sem medo de ninguem rir da nossa cara.....

Enquanto ao carro............. hum .nem passo perto.... mas acho que se fosse eu que lavasse o meu, levaria o mesmo tempo que seu filho (maldito perfeccionismo...)
Um beijo