27 de jul de 2010

Pensar, depois falar

     Sinto um prazer em escrever logo pela manhã, durmo cedo e acordo logo nos primeiros clarões do sol, então estar teclando nessa hora não é nenhum sacrifício, a mente ainda está tranquila e o silêncio age como um aglutinador de idéias. Nesse momento ouço apenas o barulho do vento acariciando as folhagens e o ar matutino insiste em propor, incansavelmente, que meu dia seja muito agradável, tanto quanto ele.
     Acordei certa em levantar um assunto delicado: a difícil arte de pensar antes de falar. Adquirir maus hábitos é tão simples e por vezes até prazeroso, mas tarefa árdua é a tentativa em desarraigá-los, uma vez instalados tomam conta do comportamento alterando, até mesmo, algumas características da personalidade.
     Fiquei meditando numa frase do conhecido Marquês de Maricá: “É mais seguro escrever do que falar; falando improvisamos, para escrever refletimos”. De fato, no papel deletamos aquilo que não foi colocado adequadamente, mas a língua ferina quando se dá conta já falou o que não devia, então tarde demais! O pior é quando a pessoa nem se dá conta das bobagens proferidas, aí se estabelece uma certeza: nessa criatura, a sonsice impera!
     Coisa mais irritante é conversar com aqueles que nos interrompem e quando voltamos a falar, sequer prestam atenção na continuidade do assunto, isso é de tirar qualquer um do sério! Para esses o melhor mesmo é o monólogo, quem sabe se falando sozinhos aprendam, para dialogar é necessário que ambos se expressem. Um conselho: quando estiver junto a uma pessoa assim, leve consigo uma bandeirinha branca e a faça tremular, pedindo a vez para falar (risos), brincadeira gente, mas se fosse sério eu já estaria com o braço em frangalhos causados pelo uso da tal bandeirola.
     As palavras são uma extensão de nós mesmos, através dela o caráter se revela, um motivo a mais para que a sensatez tome ares de comando. Pessoas que conversam apenas assuntos negativos, tristes e rancorosos, acabam por deixar o ambiente carregado e o coração empedernido de todos que estiverem próximos. Dizem que a alegria é contagiante, mas a tristeza também! Algumas coisas podem fazer com que a língua se solte com mais facilidade, uns copinhos de cerveja, algumas taças de vinho, depois disso... bla, bla, bla! O álcool em quantidade moderada auxilia na descontração e relaxamento, o único cuidado é não deixar que essa alegria momentânea leve a palavras destoantes. Acordar no dia seguinte com um peso na cabeça é normal, mas com uma tonelada na consciência, por ter dito o que não devia, é imperdoável!
     E para refletir: “Mesmo um tolo é considerado sábio se mantiver a boca fechada” (Pr 17,28).

5 comentários:

Pituca disse...

Sábia Neia! Tomara eu consiga segurar minha lingua e seguir seus conselhos.Esse seu post eu devia emoldurar. bjbj

Pri disse...

É melhor escutar (abobrinhas)do que ser surdo, já que ainda não inventaram um freio para más línguas.

Tati Pastorello disse...

Oi Néia, adorei o texto. Escrevendo realmente temos a oportunidade de ponderar. Falando, em especial quando estamos de cabeça quente, caímos em erros, alguns de difícil reparo.
Adorei a reflexão.
Beijos.

Jana disse...

E eu aprendi um ditado...
" O que se fala não se escreve"
" O que se escreve somente se lê, não tente opinar sobre"....

Beijos

Pri disse...

Aaaaaah...sabia que já tinha visto uma blá blá blá em algum lugar, revirei este blog hj!hauhauhauhauhau