10 de jul de 2010

Pote de amor

    Por comodismo, às vezes, deixamos ou demoramos para desfrutar de alguns prazeres que nos enlevam e enriquecem.
    Há exatamente trinta e um anos não via uma tia que para mim não é apenas a esposa de um irmão do meu pai. Ela é um grande exemplo de vida para a família. Como desejaria não carregar esse meu rol de torpezas para assim tentar adquirir um pouquinho da brancura da alma desta tão querida pessoa. Digo sempre que a minha incomparável Tia Tereza é tudo o que eu gostaria de ser, isenta de sisudez, muita sabedoria nas idéias, uma fé inabalável, transpira espiritualidade, um autêntico pote de amor.
   Depois de tanto tempo eis que recebo sua visita e com um abraço, firme e cheio de carinho, lança-me aquele sorriso cativante que age como um unguento suave em qualquer ferida, ainda mais com aquele olhar sutil e doce que penetra e perscruta o coração da gente. Senti a fria austeridade de uma consciência pesada por até hoje não ter ido ao seu encontro afinal, pela sua idade, essa seria minha obrigação. Lembramos de tantos fatos da minha infância que se confunde com a de alguns de seus filhos, também partilhamos a saudade dolorosa de alguns rostos já desaparecidos, porém muito amados.
    Estou feliz demais pela vida ter me presenteado com esses momentos tão valiosos junto a ela e percebo o quanto tenho que aprender e amadurecer para tentar ser um dia, quem sabe, uma pequena extensão de si... que petulância minha!
    Na minha alegria arrebatadora até me esqueci de entregar um mimo que havia comprado para presenteá-la. Um lapso ainda possível de ser corrigido, pois a verei antes que volte para sua longínqua morada, bom que ainda terei mais alguns momentos junto a sua ilimitada ternura, que coisa boa!


4 comentários:

Jana disse...

Né.... nós somos egoístas mesmo....
A medida que envelhecemos, começamos a ver que trabalhar, trabalhar, trabalhar, dar atenção a quem não é tão especial e pensar somente em futuro promissor, nos deixa afastados das pessoas que mais amamos e nem percebos e que nos fazem muito bem....
Fico muito feliz, por vc ter tido oportunidade de reencontrar uma pessoa que é BOA.....
Um beijão

Geraldo Pereira disse...

Dulcíssima,

pouca palavra.

SILÊNCIO.

Terezinha.

Mãe.

Rosa.

Tia.

Nossa!!

Mãe.

Tia.

Só...

Anônimo disse...

Oi Néia!

Letras esforçadas para precisar - e compartilhar - o privilégio de SENTIR!!!

:D

Elogio o seu Blog, pois o seu estilo de escrever é autêntico. Parabéns pelo seu talento!

Um beijo,

Bruna

Regina disse...

Néia... Q linda e justa homenagem. Creio que você expressou nas suas palavras o sentimento de muitos de nós. A "vó" Tereza...ou tia, para você, é sim um grande exemplo de vida e sabedoria e mais ainda, de amor, ternura e paz. Somos abençoados em poder conviver (ainda que não permanentemente) com ela. Obrigada! Regina