1 de set de 2010

De molho!

     Eram quatro e meia da manhã quando acordei com uma sede violenta, sentei-me na cama e não senti meus pés no chão. Só então despertei de verdade e me lembrei que aquele leito alto não era o meu e sim de um hospital. Era o segundo dia de um internamento às pressas, não conseguia respirar por conta de uma laringite horrorosa que parecia me estrangular. Estava há alguns dias com dificuldade para falar, teimosa que sou fiquei achando que iria melhorar e com isso minha garganta fechou e nenhum fio de voz por três dias, apenas grunhidos. Foi horrível a sensação de não poder me expressar, gestos e olhares era minha forma de comunicar.
     Em alguns momentos em que fiquei só, quando alguém chamava no celular, já procurava enviar uma mensagem dizendo que só desse jeito poderíamos conversar. Tão bom receber a atenção dos amigos, deveria fazer parte do receituário, não tem nenhuma contra indicação e saber que algumas pessoas estão pensando na gente até ajuda a dor passar.
     Quando decidi mandar uma mensagem ao meu filho, que está a estudar e trabalhar em outra cidade, procurei não alarmar, disse-lhe que só estava tomando uns remedinhos e que no dia seguinte estaria em casa,  não havia motivo para se preocupar. Até parece que não o conheço, antes mesmo do dia clarear, estava ele entrando quarto à dentro a me abraçar.
     Tem gente que diz que carinho é bom em doses homeopáticas, não concordo, sou exagerada, prefiro logo uma hiper, mega, over dose! É assim, naturalmente, que somos em casa, quer coisa melhor para a saúde melhorar?
     Nesses dias internada, confesso que apenas o meu corpo estava lá, o pensamento era todo voltado ao meu pai, que não está acamado há dois dias como eu, mas há seis meses. Certamente ele esteve a perguntar: por onde anda essa minha filha que não está a me cuidar? Logo estarei de volta, preciso apenas recuperar as forças e a fala senão como vamos papear?
     Vou fechar esse texto, não sei porque hoje só me vem palavras com terminação em “ar”, assim você vai logo se enfastiar! Pode ser resultado dos meus dias inerte no leito, não me restou outra opção senão ficar a pensar em algumas coisas como: rezar, sarar, voltar, acalmar.
     Tenho certeza que a atenção de todos me fez aprender, ainda mais, a conjugar o verbo amar.




9 comentários:

orvalho do ceu disse...

Olá,
Muito bonito seu relatório de uma fase que já vai passar...
Deus permitiu que vc estivesse a repousar para a vc curar...
Continuo no ar... não só pela rima mas é o que lhe desejo de todo o coração: cura, alegria, paz e bem!
Olhar por seu paizinho será uma Missão que necessita da sua saúde física... já passei por isso há um ano...
Ótima tarde de quarta!
Bjs

Tati Pastorello disse...

Oi Néia, menina... que susto! E que bom os carinhos dos seus. Essa é a melhor parte, com certeza! Que fique bem logo para poder paparicar o paizão e deixá-lo bem também!
Um beijo.

Lúcia Soares disse...

Néia, a esta hora, espero que já esteja em casa, mais tranquila.
Sinto muito pela saúde do seu pai e espero que possam conversar muito ainda, com ele bem.
Todas essas "ites" que nos vem da garganta são chatad demais. Eu, ao primeiro sinal, já entro com uma medicação e se não dá certo, no 20 dia estou no médico.
"Cautela e canja de galinha..."
Melhoras pra você e que seu pai possa usufruir dos seus dias com mais saúde e paz.
Bj

Wilma disse...

Oi Néia, vim aqui conhecer um pouco mais de você. Menina! espero que já tenha melhorado!!! como pode deixar uma faringite chegar a esse ponto?!! Que perigo. Gostei do seu jeito tranquilo de contar esse episódio, que a mim, assusta. Cuide-se bem, viu?!!

Denise Portes disse...

Néia
Tudo de bom e muita saúde pra você.
Que bom que você pode expressar pelas palavras escritas.
Beijo
Denise

Alexandre Mauj Imamura Gonzalez disse...

Néia. Imagino o seu sentimento. Vc se viu da maneira que seu pai vive. E deve ter entendido o sofrimento dele, como isso é difícil. Pq eu tb passei por isso, meu pai está na mesma situação. E é uma dor aqui dentro da gente que não passa, uma preocupação constante.

Eu te desejo sinceras melhoras, que vc se recupere logo. E que esteja bem. E para seu pai, desejo a ele muita saúde e força!

Muito obrigado por sua atenção e amizade, sempre!
bjs

Mônica disse...

Néia
Ficar no hospital é horrivel mesmo. Ficamos com mamae 9 dias da ultima vez. Mas é assim mesmo. Depois o importante é sarar.
Obrigada por ir me conhecer, meus rascunhos.
Vou colocar nos mmeus favoritos jájá.
com carinho estimo suas melhoras rapidamente

Pri disse...

Tá mió? Espero que sim.Diga alô, som, testando, som!
Vovô perguntou de vc. Falou até que quer passar um dias na sua casa...huahauauhauhauauha

geraldo pereira disse...

Há dias não lia suas linhas e hoje a novidade da cama de hospital. Espero que já tenha superado e voltado para casa.

Beijo do Primo.