11 de set de 2010

Dons musicais

     Normalmente enquanto escrevo ouço música, de preferência instrumental - meu estilo preferido - que tem o poder de levar a um relaxamento agradável, renovando minhas energias físicas e emocionais. Amo melodias em sax e piano, sons que, de um modo particular, invadem e suavizam a minha vida.
     Dizem que o dom para a música é algo hereditário, não acredito que essa convicção seja inabalável. Sou incapaz de tirar o som de qualquer coisa, nem mesmo batendo uma tampa de panela em outra. Houve uma época em que me pus a fazer aulas de teclado, logo nas primeiras lições, onde os exercícios se davam somente com uma mão, achei que tinha encontrado a verdadeira vocação, meus olhos cintilavam de entusiasmo! Para que as notas se completassem a outra mão se fez necessária, deu-se então o início da minha derrocada, quanta falta de ritmo para uma pessoa só! Meus parcos neurônios musicais logo deixaram claro que era melhor tentar outra coisa na vida, porque como tecladista, estava fadada ao fracasso.
     Meu marido, assim como eu, teve seus dias de ilusão e decidiu que tocar violão seria muito interessante e quem sabe nos fins de semana seria uma forma de se livrar do stress. Teimoso, um pouco mais insistente que eu, dedilhava alguma coisa, mas cá entre nós, aquele jeito de segurar o violão como se fosse uma viola, arrancava-me risos - escondidos, é claro - logo foi deixando o instrumento de lado, dizia-se cansado, não admitia ter desistido, jamais daria o braço a torcer! Ao ser indagado, respondia ligeiro que estava só dando um tempo, que dura até hoje.
     Conto isso para que vejam que o dom da música não provém, necessariamente, de laços sanguíneos, pois se dependesse da desastrosa vocação dos pais, meu filho jamais teria nascido com a sua imensa capacidade musical. Por volta dos oito anos de idade já aprendia, com admirável facilidade, os primeiros instrumentos, apaixonou-se por vários e os tocava com maestria, aos treze já dava aulas numa escola de música. Hoje não se dedica tanto, devido à faculdade e trabalho, mas ainda é uma das suas paixões. Então me digam de onde vieram seus dons? Na árvore genealógica da família, constam que apenas os bisavôs maternos e paternos tiravam algumas notas, aprendidas de ouvido. Sua herança musical então seria longínqua, pulando gerações, uma vez que a minha, declaradamente, não fora contemplada.
     Cada um desenvolve os dons que traz dentro de si, alguns preciosos, outros nem tanto, como não me foi dado habilidade e destreza na arte de tocar, resta-me pelo menos aprender a ouvir sons que tenham qualidade, isso não exige vocação, somente um pouco de atenção.
     É bom lembrar que uma boa música tem o poder de aliviar a alma árida pela melancolia e assim como uma bebida revigorante, em pequenos goles, aquece a alma.

6 comentários:

Denise Portes disse...

Néia
O seu dom é transformar palavras em histórias deliciosas de serem lidas.
Beijo
Denise

Alexandre Mauj Imamura Gonzalez disse...

Bacana esse seu relato. Achei engraçado vc falar do dedilhar de violão como se fosse uma viola rs.

Meu irmão é professor de guitarra, violão. Eu não tenho o dom. Aprendi a tocar flauta na escola e estudei piano (mas já esqueci tudo rs).

Vc gosta de sax? é um dos instrumentos preferidos dos japoneses. Sempre saem muitas coletâneas com músicas em sax tenor. Tb gosto mto.

bom domingo!

Lúcia Soares disse...

Neia, também não tenho dotes musicais, nem marido, nem meus filhos. Só se começar pelos netos, pois minha família, tanto materna quanto paterna não é nada musical.
Mas pelo menos gosto de ouvir.
Principalmente música calma, envolvente, romântica.
Bom domingo!
Beijo!

Meri Pellens disse...

Tenho sempre uma música tocando na minha memória. às vezes não lembro toda letra, mas a melodia sim, e isso é suficiente.
Beijos na alma e uma linda semana!

Wilma disse...

Também Neia, tentei o violão, depois o piano e vi que não tenho nenhum gen favorável, uma pena, gostaria tanto, tanto de tocar violão, às vezes penso que foi a procura tardia, pois acredito que na primeira infância é muito mais fácil desenvolver algum talento e até despertá-lo. Resta-nos, então, ouvir quem tão bem sabe tocar, não é? Uma boa semana pra ti.

Pituca disse...

Neia, finalmente consegui chegar aqui. o seu blog q devia ser leitura obrigatória acabou sendo deixado de lado pela corrreria dos ultimos dias. Sorte a minha hj ter chegado aqui e sair renovada. bjbj