29 de abr de 2010

Boa música


     Estou aqui tamborilando os dedos pensando no que escrever hoje, porém minha atenção é dispersa por uma voz maviosa que entra, sorrateiramente, pela minha janela escancarada, chegando aos meus ouvidos numa fluidez cômoda. É minha vizinha cantando: “Eu vou pra Maracangalha eu vou, eu vou de uniforme branco, eu vou. Se Anália não quiser ir, eu vou só, eu vou só, eu vou só.” Há algum tempo tenho prestado atenção em seu rico repertório: Dorival Caymmi, Vinícius de Moraes, Tom Jobim. Talvez seja uma forma de driblar sua solidão e mascarar a realidade atingida pelo Alzheimer, acho até que os familiares desconhecem esses seus dotes musicais, pois canta somente nos momentos em que está só. Sequer imagina que do lado de cá do muro tem uma ouvinte assídua, suas interpretações reacende em mim o fascínio pela música popular brasileira de qualidade.
     Na minha guerra de cada dia em busca de algo bom para ouvir, tenho tropeçado numa variedade de composições nada prolíficas, sinto espanto e revolta em saber que existe uma grande massa consumista para esse nicho de mercado musical. Quero acreditar que a atual escassez de bons compositores não se perpetue, que novos talentos surjam numa vertente oposta à atual, tragam músicas harmoniosas e melódicas passíveis de serem cantaroladas em alto e bom som, sem aquelas dancinhas do créu, da bundinha, da bicicletinha e tantas outras recheadas de fantasias impraticáveis. Cada um é cada um, preferências à parte de acordo com a ética individual, mas esses “rebolations” da vida são de extremo mau gosto e seus apreciadores, um desafio à psiquiatria!
     Instigada pelo bom gosto da cantora nostálgica, deixo aqui uma das magníficas criações de Tom Jobim e Vinícius de Moraes:

Eu não existo sem você

Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso, meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos me encaminham pra você

Assim como o oceano
Só é belo com luar
Assim como a canção
Só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem
Só acontece se chover
Assim como o poeta
Só é grande se sofrer
Assim como viver
Sem ter amor não é viver
Não há você sem mim
E eu não existo sem você.

26 de abr de 2010

Dons "enganiúnicos"






     Chegando da caminhada diária que tenho encarado não apenas como terapia, mas sobretudo como um imperativo terapêutico (minha coluna é que tem dado as ordens ultimamente) fui logo abrindo a caixa do correio na certeza de que haver algo a ser recolhido. Saí com as mãos repletas de panfletos, alguns de mercados anunciando as ofertas da semana, outros de lojas de eletrodomésticos oferecendo produtos a serem pagos pela próxima geração tão longo o prazo e extratos do cartão de crédito, que servem apenas para dar um tranco no coração, tamanho o susto. Em meio a essa papelada toda, na minha opinião, um total desperdício, encontrei um folhetinho já meio amarrotado, com aspecto de ter sido feito em impressora caseira, sem nenhum cuidado com o layout ou coisa que pudesse deixá-lo mais atraente ou menos imperfeito. Nele um convite para fazer uma consulta com preço módico, à D. Áurea, que estaria atendendo com seus atributos mediúnicos durante a semana na cidade vizinha. No rodapé da página vinha a seguinte observação: “Não perca a chance de resolver seus problemas amorosos, financeiros, de desemprego, mau olhado, quebra de feitiço, inveja, impotência”. Por um instante quis ser uma pessoa mais determinada, corajosa, espirituosa e marcar um horário com essa multifacetada empresária com dons “enganiúnicos”. Sempre tive ojeriza a esse tipo de gente, no entanto, agora imaginei que seria interessantíssimo narrar aqui o episódio.
     Você, assim como eu, lá nos porões da sua alma, também já deve ter sentido curiosidade de saber como uma pessoa assim, tem a capacidade para influenciar mentes e alterar comportamentos no século em que estamos, onde a tecnologia e a informação estão tão acessíveis. São coisas inexplicáveis que permeiam nosso cotidiano.
    Porém esse tênue fio de coragem durou pouco, não tenho sangue gélido nas veias o suficiente para viver essa experiência surreal, fica para a próxima.

24 de abr de 2010

Escrevendo

     Hoje logo pela manhã, li a seguinte frase no twitter: "Escrever é uma maneira de falar sem ser interrompido." (Jules Renard). De fato, tenho tido essa experiência aqui, quando coloco minhas idéias, meus sentimentos e desabafos sem ninguém para me fazer calar. Confesso que já me peguei escrevendo coisas que por fim não foram publicadas, achando que estava sendo irônica demais, por certo o tempo, grande conselheiro, dará mais confiança a não temer o repúdio.
     Não me falta vontade de falar sobre política, por exemplo, porém tenho me contido, quero que esse espaço seja utilizado para coisas mais amenas, já são tantas as manchetes sobre isso para amargar o dia, mas estou numa ânsia por contar um ocorrido.
     No feriado de quarta-feira (21 de abril) estive aproveitando para fazer umas comprinhas no shopping numa cidade vizinha e no banheiro feminino, que mais parecia uma torre de Babel pelo vozerio incontrolável, pude ouvir alguns comentários meramente superficiais sobre um suposto candidato a deputado aqui da região. O que estava sendo levado em consideração era a beleza física do dito cujo que deixavam aquelas eleitoras falantes, despudoradamente felizes e certas com relação aos seus votos. Indignação é o que senti naquele momento por ver como é fácil se descompor e revelar tamanha falta de consciência política, informação e cultura.Tento ser otimista com relação às mudanças que nosso país necessita e procuro lançar um olhar sob um prisma favorável para os preclaros candidatos, mas há momentos em que sucumbo diante de tanta excrescência e absurdos perversos manifestados por essa classe que chamamos de “nossos representantes”. Ainda cultivo um resquício de esperança, há de surgir alguém com o qual eu sinta empatia por sua história de vida pública e que mereça minha confiança.
     Embora isso me deixe com um sorriso encolhido nos lábios, acabo de me lembrar que hoje é sábado, final de semana é para relaxar e esquecer, convenientemente, desses assuntos. Alegro-me em saber que amanhã estarei com a família e amigos queridos numa festa paroquial rural, onde a alegria e a simplicidade, principais convidados, terão o poder de deixar o dia maravilhosamente belo!

23 de abr de 2010

"Remover pedras e plantar roseiras..."

Aninha e suas pedras (Cora Coralina)

"Não te deixes destruir...
Ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas.
Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.
Faz de tua vida mesquinha
um poema.
E viverás no coração dos jovens
e na memória das gerações que hão de vir.
Esta fonte é para uso de todos os sedentos.
Toma a tua parte.
Vem a estas páginas
e não entraves seu uso
aos que têm sede".


     Maravilhosa Cora Coralina que me deixa em estado de sedação, nos seus poemas há sempre uma instrução explícita de como estar de bem com a vida. Faz-me pensar que sempre é menos incômodo ficar livre do quotidiano monótono que tem o poder de levar para o fundo feito areia movediça. Também preciso “remover pedras e plantar roseiras”, dando assim um cromatismo diferenciado na estação da minha vida.

20 de abr de 2010

Lenda Viva




                                                            Foto de Néia Lambert



Há um bom tempo tenho vivido numa modesta cidade onde, na quietude da noite, não se ouve senão o coaxar dos sapos, uma melodia harmoniosa capaz de deixar até um regente de coral impressionado, tamanha é a combinação de “vozes”.
     Nunca ouvi dizer que aqui exista o famigerado “homem do saco”, figura usada pelos pais do interior para amedrontar os filhos, impingindo-lhes toda sorte de castigos, inclusive o de serem levados pelo temível personagem. No entanto, contamos com a presença real do “homem do cavalo” que tive o prazer de conhecer logo nas primeiras semanas por aqui, pois a rua onde moro faz parte do seu trajeto diário, caminho percorrido por ele duas vezes ao dia, com horário rigorosamente marcado.
     A sua imagem impressiona logo à primeira vista e ainda não cheguei à conclusão de quem é mais apático: o homem ou o cavalo. Pela morosidade do animal, chego a pensar que seu dono medita enquanto cavalga. Com um chapéu por demais surrado encobrindo parte do rosto, um cigarro palheiro no canto da boca, o tronco ligeiramente curvado para frente, o cavaleiro traz em cada ruga de sua pele queimada as marcas de sua longa vida, creio que octogenária.
     Conta-se que chegando à cidade é absolutamente necessário que ele permaneça montado, pois caso contrário seria preciso organizar uma verdadeira força tarefa para colocá-lo de volta à sela. Onde quer que pare é atendido na calçada, sempre com muita paciência, afinal, trata-se de uma figura quase lendária e que por certo irá render ainda muitas histórias. É fato que toda cidade do interior conta com personagens singulares, fictícios ou não, pois assunto não pode faltar nas esquinas.
     Na farmácia é atendido in loco e tem a sua pressão arterial medida em cima do cavalo, não é qualquer um que pode contar com esse atendimento vip. No boteco conta com o serviço de um verdadeiro drive-in, para que apear do pangaré se a cachaça pode ir até ele?
     Cada vez que o vejo, de certa forma, invejo-o, queria poder jogar a ansiedade fora e andar também assim, no meio da pista como se a rua fosse inteirinha minha. Pressa? Jamais! Mesmo que quisesse o seu “corcel” não mais trotaria, sua idade - que já se confunde com a do dono - não permite mais essa habilidade.
     Outro dia, num final de tarde, vi o cavaleiro voltando da sua segunda ronda diária pelo vilarejo, um vento forte varria a poeira da rua e numerosas nuvens obesas denunciavam o aguaceiro que estava por vir, trovões e raios não foram motivos suficientes para alterar seu ritmo. De quando em quando - para meu desespero - puxava as rédeas pegajosas e contemplava as árvores onde os pássaros, bem mais preocupados, faziam sua guarida. Certamente sua longevidade é consequência dessa tranquilidade ímpar, por mim modestamente invejada.
    Creia, já tive que, pacientemente, seguir com meu carro essas duas figuras, cavalo e cavaleiro, por um longo e estreito trecho, sequer cogitando em usar a buzina, de nada adiantaria mesmo, dizem que os dois já não andam muito bem dos ouvidos. Hilário foi olhar no retrovisor e descobrir que atrás de mim já se formava uma fila parecendo mais um cortejo, ninguém ousava fazer a ultrapassagem, isso seria por demais desrespeitoso e também, convenhamos, perigoso.
     Assim, caso você venha para esses lados do Paraná e encontrar pela frente o “homem do cavalo”, certamente sua viagem será um tiquinho retardada, mas em compensação terá a chance de conhecer uma verdadeira lenda viva.



17 de abr de 2010

Sol da meia noite


     O mundo se voltou durante a semana para prestar atenção a um acontecimento nada esperado, a erupção de um vulcão na Islândia, que resolveu despertar depois de quase duzentos anos (uma cochilada e tanto). Por conta disso a Europa tem vivido um verdadeiro caos aéreo. Nada mais , nada menos que 17 mil voos cancelados, muita gente parada sem poder voltar ao seu destino, tantos compromissos adiados e por conta disso uma grande quantia de dinheiro transformado em cinzas (força de expressão).
     Uma cordilheira submarina que se encontra sob o Oceano Atlântico e o Oceano Ártico, chamada de Crista Oceânica do Atlântico, apresenta em alguns locais pontos mais elevados que acabam emergindo e formando ilhas, essa é a origem da Islândia. Não somente as erupções vulcânicas, que fazem parte de sua formação geológica, chamam a atenção para esse pequeno país. Quem já não ouviu falar do maravilhoso Sol da Meia Noite? Um fenômeno que ocorre devido à inclinação do eixo da terra nas regiões polares, deixando a área em torno do pólo norte exposta ao sol por 24 horas. Do mês de julho a agosto nunca anoitece por lá.
     Apesar de toda a sua exuberância, fico pensando que esse cenário é fantástico somente para os turistas, que vão em busca de contemplação, pois para os habitantes não deve ser fácil viver dias sem o escurinho da noite, que faz o sono ser mais tranquilo e renovador de forças.
    Que esse país insular nos contemple somente com esse lindo atrativo turístico e para o bem da humanidade, mantenha seus vulcões no sono eterno.

14 de abr de 2010

A falta que o "Peixoto" me faz!

     Fazer amizade com ele foi muito fácil, pois com seu jeito tranquilo e temperamento invejável seria impossível não querer fazer parte de sua vida. Nas noites em que estive passando com meu pai (acamado), Peixoto mostrou-se um verdadeiro amigo. Não me abandonava em momento algum, queria estar presente caso eu necessitasse de algo. Muitas vezes falei pra ele dormir, não precisava ficar acordado, sua presença me bastava, mas com seu olhar atento, ficava sondando para saber se estava tudo bem por ali. Acho que sua preocupação era que eu pegasse no sono e descuidasse do Vozinho, seu melhor amigo. É Peixoto, ele não tem podido falar contigo, as sequelas do AVC que sofreu fez com que esquecesse completamente de você. Caso sua memória não tivesse sido afetada, iria lhe falar como era feliz com sua presença, que sua companhia fora importante nos momentos de solidão e nas suas manhãs, certamente, você era sempre o primeiro a receber o seu bom dia. Diria ainda o quanto seria bom sair daquela cama, poder voltar a caminhar, a comer sozinho, a não depender de ninguém para sua higiene, enfim, ser ele de novo. Nas nossas noites compartilhadas pude conhecer melhor você Peixoto, diria até que descobri alguns dos seus tiques, manias que conseguira esconder de todos, mas que de madrugada não soube disfarçar, como aquele hábito de fazer biquinho antes de pegar no sono... ai ai ai... não está mais aqui quem falou! Ninguém pudera até então imaginar que com toda sua agilidade, indo para lá e para cá, também precisasse de um momento de descanso. E numa noite, lá do quarto pude vê-lo inerte, completamente exangue, as pálpebras caídas, quase morri de susto! Será que o Peixoto morreu? Que nada! bastou me aproximar e você já estava de novo alerta, pronto para qualquer eventualidade. Nunca vi ninguém despertar assim com tanta disposição e ainda ter o privilégio de não levantar com a cara amarrotada, nem de mau humor, mas também pudera, já acorda com o rosto lavado, que beleza!
     Estou me tornando sua tiete, ainda mais depois de perceber logo nas primeiras noites juntos, que você não ronca, pelo menos você Peixoto me poupa!
     Ao chegar um dia desses, fui surpreendida com sua ausência. Corri saber de seu paradeiro, por que o levaram para outro ambiente? Que tristeza não tê-lo logo na entrada sempre a dar boas vindas. Vou sentir falta dos seus olhos minúsculos, porém tão acolhedores. Bem sabes que sou cativada primeiramente pelo olhar que pode bem revelar a personalidade. Você também deve estar sentindo falta do burburinho, do entra e sai das visitas que nem sempre tem algo animador a dizer àquele que está no leito: “nossa, me disseram que você está ruinzinho”. Tivesse você capacidade de sair do seu aquário diria tantas coisas a essas pessoas, não é mesmo?
     Por tudo isso é que eu quero o Peixoto de volta, que falta ele me faz!

12 de abr de 2010

Mente vazia


     Não sei se é por conta da idade, ultimamente não tenho tido muito ânimo para ficar ouvindo determinadas conversas, papos sem sentido, mostrando somente o quanto é oca aquela pessoa que fala, fala, e não diz nada. Meu tempo é precioso demais para perdê-lo com esses diálogos ou monólogos entediantes. Quando ouço alguém fazendo críticas infundadas a outrem, fico pensando que quem fala demais dos defeitos dos outros, com certeza é porque não conhece os próprios. Por conta disso tomei uma decisão um tanto radical, porém necessária, fugir desses seres negativos de mente vazia, que não acrescentam absolutamente nada na minha vida e na de ninguém.
     Pensar que a felicidade está associada ao que é prazeroso não é uma máxima verdadeira, somos felizes pelo que alcançamos com esforço e muita luta. Então para que ficar se lamentando das coisas que não deram certo e permanecer eternamente com postura de derrota? Chega! não quero mais deixar que meu horizonte fique escurecido pelas mazelas de quem não sabe o verdadeiro sentido da felicidade. Preciso estar provida de sensibilidade para perceber a bondade de Deus nas coisas mais pequenas, pois ele está nas coisas que falo, que faço, que penso. Por conta disso, acho que todos recebemos inspirações para o bem, o que falta é coragem para colocá-las em prática.
     Dessa forma, não quero por perto aqueles que mais parecem pústulas infeccionadas, que trazem na boca apenas morbidez nas suas palavras e que insistem em permanecer eternamente amarfanhados em suas poltronas. Quero ao meu lado somente os que tem brilho nos olhos e sorriso nos lábios, mesmo nas dificuldades, irradiando assim a verdadeira face de Deus, pois essas são as características inerentes de um cristão ou pelo menos deveriam ser. Ao desejar que algumas pessoas se transformem não exijo perfeição, também tenho milhares de defeitos com os quais vivo numa luta ferrenha. O que eu peço é que melhorem um pouquinho só, para que eu não deixe de amá-las!

10 de abr de 2010

Eu separo! Meu lixo é um luxo!


     Atendendo ao convite de uma amiga, adicionei uma comunidade ao meu Orkut : Eu separo! Meu lixo é um luxo! Sinto dizer que na minha cidade, onde sequer a coleta generalizada é feita com eficiência, essa realidade se encontra infinitamente distante (centenas de anos luz).
     Sabe-se que além de evitar doenças, contaminações e infecções, a coleta seletiva auxilia na geração de renda com a comercialização dos materiais reciclados, economizando recursos naturais como energia, petróleo e estimulando a educação ambiental, fazendo dessa forma nosso mundo mais saudavelmente habitável.
     É preocupante pensar no futuro do nosso planeta, as catástrofes climáticas recentes são apenas um prelúdio do que está por vir caso não tomemos atitudes responsáveis e urgentes com relação ao meio ambiente. O Brasil com sua dimensão continental conta com toda sorte de sugestões e inspirações, porém nem sempre colocadas em prática. Confesso que preciso reavaliar alguns conceitos, é mais fácil cruzar os braços, “já que ninguém faz, eu também não faço”. E esperar pelo poder público que não tem feito sequer o básico com relação à saúde e educação, é perder-se num emaranhado de promessas sem realizações.
     Maravilhoso é o feito da cidade de Curitiba que levou o prêmio global de cidades sustentáveis,promovido por uma entidade sueca, Globe Forum. É um exemplo a ser seguido por todos os municípios que deveriam tomar medidas sempre pautadas na sustentabilidade.
     Não posso deixar de sentir uma parcela de alívio quando vejo uma iniciativa como a da querida Regina Armênio, ao criar essa comunidade mostra como fazer uso de uma rede social (Orkut) de forma madura, utilizando-a não apenas como meio informal de comunicação, mas também como instrumento de orientação e conscientização.
     Fico feliz!

8 de abr de 2010

Carregador de memória


     Tenho seguido alguns blogs de tecnologia e um post chamou minha atenção, o lançamento de um carregador de pulso, para portáteis. Vencida pela curiosidade, fui logo procurando saber se era apenas mais uma engenhoca mercadológica ou se de fato agora seria possível evitar certos transtornos, como ter uma conversa interrompida pelo fim da bateria do fone. Quem nunca passou por isso que atire o primeiro celular. O fato é que o tal invento veio para salvar os distraídos, que assim como eu, só lembram que deveriam ter carregado a bateria, ao precisarem ligar e se veem então com aquele objeto na mão, mudo, com cara de “não sei para que serve”. 
     Enfim a novidade se trata de uma pulseira, Bracer of Battery Life 2, que poderá ser ligada ao computador via USB para carregá-la e quando necessário poderá ser conectado nela qualquer aparelho com entrada mini, tais como celular, Iphone e outros.
     O meu saudável senso de ironia me fez imaginar a criação de um carregador de memória (a minha anda se esvaindo como água pelos vãos dos dedos), com o qual poderia trazer de volta algumas lembranças suprimidas pelo tempo. Minha condição seria relembrar somente momentos bons que marcaram pela importância ou pela emoção. Pensei como seria prático ligar um aparelhinho no corpo (o local exato deixo por conta da sua imaginação ) e poder visualizar mentalmente a fisionomia da primeira professora, cujo nome ainda sei, mas cujo rosto fugiu completamente da minha mente. Ou então, recordar de cada amigo de infância, muitos se perderam na distância do tempo e do mundo. Certamente iria lembrar de fatos marcantes, como a expressão do meu marido no nascimento do nosso filho, dizem que ele insistia em aparentar tranquilidade e na sala de espera fora visto lendo, teria convencido ser o pré pai mais calmo do mundo se não fosse traído pelo detalhe da revista estar de ponta cabeça em suas mãos. Também me alegraria ao relembrar a primeira palavra dita pelo meu filho, seria “papai ou mamãe”? o instinto materno (que faz das mães seres superiores) insiste em me dizer que fora “mamãe”. E o último abraço da minha mãe, como eu queria não apenas lembrar, mas sentir o seu calor, o cheirinho bom do seu corpo, a sua docilidade, determinação, o sorriso no rosto. Fazia jus ao seu nome (Rosa) e era de fato uma flor, cuja cor tinha as nuances do amor.
     Quanta coisa seria possível com esse invento, que os gênios da tecnologia nos contemplem com essa criação, mas não tardem, que seja ainda nesse século, quero estar por aqui ainda e poder usufruir das suas maravilhas e quem sabe assim turbinar meu HD mental.

6 de abr de 2010

A arte de transformar "ais" em sorrisos


     Quando o ortopedista constatou um abaulamento discal na última vértebra da minha coluna lombar, dizendo que era algo com o qual eu teria que conviver, pensei logo na mudança de alguns hábitos que, certamente, estariam me prejudicando. Um deles é a minha forma de dormir. Não consigo manter o corpo de maneira adequada na cama. O quadril para um lado, o ombro para o outro, a cabeça de lado, as costas para cima, algo digno de deixar qualquer fisioterapeuta em prantos!
     Saí do consultório com uma receita muito simples, um comprimido em caso de dor extrema e fisioterapia. Confesso que o primeiro ítem me agradava mais e cheguei a cogitar em não fazer uso do segundo. Porém, aquela dorzinha aguda e intermitente fez a maior amizade comigo, não queria largar do meu pé, ou melhor, da minha coluna. Passei os olhos no pedido médico tentando entender o que ele havia indicado nas sessões de fisioterapia, mas como decifrar aquelas letras ininteligíveis que mais parecem hieróglifos? o que eu temia lá estava: alongamentos. Não me considero uma pessoa sedentária, sou disciplinada com minhas caminhadas diárias, mas confesso que não tenho o hábito de me alongar como deveria. Assim, pude antever que muitos “ais” e “uis” viriam pela frente.
     Contei com o trabalho de uma profissional, que até então não conhecia, mas que ganhou logo a minha simpatia, tamanha a competência, delicadeza e com muito de eterno dentro de si (falei no primeiro texto desse blog, o quanto é importante para mim o conceito de eterno). Pude observar durante os dias de tratamento que o seu trabalho não se restringe à prática da fisioterapia, mas cumpre de certa forma, o papel de psicoterapeuta, ouvindo de maneira atenciosa os pacientes que chegam fragilizados pela dor do corpo e também quem sabe, da alma. Isso é essencial no processo de recuperação, mas nem todos os profissionais da área tem essa habilidade e sensibilidade. Quão árdua é a sua profissão, no entanto, lindamente edificante, pois recebe nossos “ais” e nos devolve sorrisos. Preciso lembrar ainda do quanto foi firme em suportar meus pés, inacreditavelmente gelados (por conta de uma ansiedade) e que sempre me matam de vergonha.
     Parabéns à Dra Silmara pelo profissionalismo e pela maneira diferenciada com que exerce sua função. Conhecê-la e contar com seu trabalho foram fatores imprescindíveis para a redução das minhas limitações, fazendo a minha vida ainda mais feliz!

3 de abr de 2010

Páscoa

     Ninguém merece numa manhã de sábado enfrentar uma fila homérica no supermercado, afinal outros dias da semana são mais propícios para amargar esse desconforto. Isso porque de segunda à sexta tudo é possível ser suportado como rotina obrigatória, mas no fim de semana, desestressar é preciso.
   Véspera de Páscoa, consumidores frenéticos em busca dos ovos de chocolate, crianças birrentas querendo sempre algo mais que não constava na listinha de compra dos pais, o churrasqueiro brigando com o açougueiro pela carne mal cortada para o almoço de domingo. Enfim, impossível fazer mercado num dia desse e chegar em casa sem uma história inusitada para contar.
     Estava aguardando minha vez na fila, com o pensamento voando alto, quando percebi um sujeito com cara de gerente de qualquer coisa, falando e agitando, desconexamente, as mãos em direção à moça do caixa. Não entendi o motivo da sua irritação, mas o que me chamou a atenção foi o comportamento da funcionária. Numa palidez de morte, procurava acalmar o cliente, explicando algo que ele se recusava ouvir, tamanho era seu nervosismo. Como é difícil assistir uma pessoa sendo ofendida verbalmente, palavras pesadas servem apenas para afundá-la ainda mais no abismo em que já se encontra. Não sei se ando muito sensível ou se essas coisas sempre aconteceram e eu nunca prestara atenção, mas ultimamente tenho visto situações envolvendo pessoas com comportamentos violentos por tão pouca coisa.
     A razão precisa ser usada para pôr limites a determinados sentimentos e a humildade é a única forma de combater o orgulho que se apresenta na forma de arrogância, soberba, prepotência. Querer levar vantagem em tudo, tem sido praticamente uma lei.
    O que desejo nessa Páscoa é que usemos esses episódios corriqueiros para uma análise de como estamos fazendo uso da nossa vida, que deveria ser, mas nem sempre é, um ato de amor. E quando abrirmos a boca, seja para falar algo mais valioso que o nosso silêncio.
     Feliz Páscoa a todos!

1 de abr de 2010

Dia da Verdade


     Hoje é o primeiro dia do mês de abril, onde tantos já acordam procurando na imaginação criar uma mentirinha qualquer para pegar seus amigos. Curiosa como sempre, fui em busca da origem desse costume.
     Na França, desde o século XVI o Ano Novo era comemorado no dia 01 de abril, mas com a adoção do calendário gregoriano essa festa passou a ser comemorada em 01 de janeiro. Algumas pessoas resistiram a essa mudança e continuaram a considerar a data antiga para festejar o início do ano. Com isso eles eram constantemente ridicularizados, recebendo falsos presentes e mentirosas congratulações.
     Fiquei pensando: como eu gostaria de dizer hoje que são mentiras as tantas verdades batidas no nosso rosto diariamente, a caótica a situação do nosso país com a democracia em crise. Vemos políticos sendo eleitos, não pela representatividade, mas pelo dinheiro, pressão, promessas mirabolantes e que cidadania é uma palavra praticamente desconhecida ainda pela maioria da população. Gostaria que mentira fosse o fato de estarmos cada vez mais introspectivos, que fazemos os nossos problemas bem maiores que dos outros, que estamos fixando nosso olhar mais para nossos próprios pés, não levantando a cabeça às novas perspectivas.
     Queria que não fosse verdade que as pessoas reagem violentamente quando as coisas não acontecem de acordo com sua vontade e que não têm controle do ego diante das decepções. 
     Desejo que esse dia seja o da verdade, onde possamos nos conscientizar que as adversidades da vida não devem roubar a paz do nosso coração e que o melhor caminho é sairmos de nós mesmos, valorizando aquilo que é essencial, a vida.