28 de out de 2010

Padroeiro

Hoje é feriado em minha cidade, dia de São Judas Tadeu.
Antes mesmo de mudar nesta cidade, Quinta do Sol, vez ou outra estava por aqui visitando os parentes. Desde então ao chegar fazia questão de passar pela avenida central, pois ao final dela poderia me inebriar com a beleza do cenário oferecida pela igreja católica, que a meu ver, é de uma primorosa arquitetura.
Por aqui já fazendo morada, acostumei-me a estar presente na missa aos domingos pela manhã quando começa, de fato, a semana e não na segunda-feira como muitos acreditam. Tenho o hábito de chegar pelo menos vinte minutos antes do início, ainda com poucas pessoas presentes sinto que numa saudação silenciosa, mas acolhedora, Jesus me dá boas vindas, convidando-me a oração e a um exame de consciência assim vou me preparando para uma boa celebração, um tempo curto, mas precioso na busca por uma migalha de eternidade.
Nesse momento aproveito também para me deliciar com a beleza que o interior do templo oferece, delicadamente cuidado, as gravuras em suas paredes, criadas com uma graciosa habilidade, remetem a momentos vividos e eternizados na Bíblia, algo que enleva o espírito. Com um olhar atento é possível sentir em cada traço a presença de Deus, basta ter o coração aberto e desejoso de vê-lo em tudo que ali o representa.
Do lado de fora, encontra-se uma grandiosa imagem, mesmo nos tempos em que aqui eu era uma mera visitante tinha a enfática convicção de que se tratava da imagem do padroeiro. Estabelecida a residência nessa cidade e entabulando conversa com alguns moradores, dei-me conta da gafe cometida, precisei ser alertada para perceber que a figura ali representada era de Jesus. Faltou-me subir um pouco mais o olhar e ver melhor o rosto daquele que está a nos abençoar.
Logo eu, tão observadora, cometi esse erro grosseiro, certamente serei perdoada afinal acabei confundindo Jesus, nada mais, nada menos com o intercessor das causas impossíveis, valei-me S. Judas Tadeu!


23 de out de 2010

Viajando



Toda vez que entro no carro para ir à cidade próxima dar uma ajudinha nos cuidados com meu pai (acamado há oito meses) fico tentando imaginar como irei encontrá-lo.
Há dias em que ele está lúcido reconhecendo a todos, outros em que divaga, volta ao passado, pergunta se fui a cavalo, uma graça, faz-me rir com seus devaneios.
Às vezes sou filha, em outros momentos sou neta, ainda não consegui descobrir com quem ele me confunde, o certo é que agora começou a chamar todas as filhas (seis) de Néia. Esse foi o jeito que encontrou de driblar sua memória, para que ficar matutando tentando lembrar o nome de cada uma se as ama da mesma forma?
Na sua sala há uma miniatura de um carro de boi esculpido primorosamente pelo seu irmão Francisco, para nós Tio Chico, que tem o lindo dom de criar incríveis peças talhadas em madeira. A foto acima foi tirada por mim, percebem como não tenho a menor habilidade com uma câmera fotográfica? Na tentativa de achar um ângulo ideal, virei para cá e para lá, por pouco não deixei ir tudo ao chão, enfim essa saiu melhorzinha, pelo menos consegui enquadrar todos os elementos e a peça sobreviveu à minha total falta de jeito.
Outro dia, nas suas idas e vindas no tempo, meu pai achou que ainda era jovem e que estava em sua terra natal, a longínqua Minas Gerais, pôs-se a falar com ar obstinado que precisava dar água aos bois senão como iriam trabalhar?
Pude então perceber que aquela peça outrora encomendada para decorar seu ambiente é mais que um objeto de sua estima, retrata uma época feliz da sua vida e da qual sente um orgulho enorme e embriagador.
Ao seu lado viajo, vou e volto, faço um pacto comigo mesma de não trazê-lo à realidade nos momentos de delírio, melhor completar o cenário e atuar como coadjuvante nas suas histórias do passado. Decidi estar com ele em qualquer momento no ontem, no hoje ou no amanhã, em qualquer época embarcarei na sua imaginação. Não importa se nas tardes iluminadas pelo sol acobreado ou no silêncio frio das madrugadas, juntos sonharemos!


19 de out de 2010

Vale do Sol Noturno

Por uns dias a mídia explorou exaustivamente a clausura e finalmente o resgate dos mineiros no Chile. Agora vemos os programas de humor, que se pautam nos acontecimentos do dia a dia para fazerem suas paródias, aproveitando esse fato para tirar algumas gargalhadas dos telespectadores, sugerindo que aquela mina agora vazia é muito convidativa a deixar lá algumas personalidades, isso não seria má ideia.
Fiquei pensando em tudo isso e confesso que realmente nesse momento de eleição dá vontade mesmo de empurrar algumas figuras buraco abaixo, não esquecendo de um detalhe importantíssimo, fechar a saída. Imaginem se os mineiros já ficaram famosos ao serem tirados de lá, que dirá os políticos, seria a glória eterna, isso não, nem pensar!
Agora devaneando um pouco imaginei que seria muito saudável se todos pudessem contar com um esconderijo para armazenar suas mazelas, decepções, tristezas, cansaços. Isso livraria aqueles que sem culpa alguma pagam pelo stress dos outros.
Vou contar um segredo: eu já tive um “buraco”. No tempo em que fui aprovada no meu primeiro vestibular, saía da minha cidade todos os dias por volta das 18:30 chegando cerca de 40 minutos depois à cidade próxima onde se localizava a faculdade
Havia um trecho da rodovia que me encantava, no verão quando o sol já estava se pondo e a noite se fazendo aparecer, alguns raios avermelhados ainda iluminavam aquele local que aparentava ser um grande caldeirão em meio aos morros. Não poderia deixar de dar um nome apropriado àquele belíssimo lugar e o chamei de “Vale do Sol Noturno”. Visualizar aquele fantástico cenário que só poderia ser uma tela pintada por Deus era uma terapia no fim do dia, principalmente naquele tempo em que eu trabalhava num banco, pairar o olhar naquele lindo lugar era minha forma de desestressar. Ao passar por ali procurava me esvaziar dos sentimentos negativos e uma força propulsora me renovava.
Até hoje quando passo por lá vem à memória os momentos então vividos, nem sei quantas mágoas enterrei naquele vale, certamente os meus problemas e preocupações lá derramados dariam para nivelar aquele terreno.
Não tenho fotos do local, procurei no Google uma imagem que tivesse alguma semelhança, achei essa acima perfeita.
Por isso aconselho que você tenha um lugarzinho qualquer para depositar tudo que o atormenta, flagela, entristece, isso não vai torná-lo famoso, nem irá chamar a atenção de ninguém, mas vai fazer um bem enorme à humanidade!



18 de out de 2010

Renascendo


A ausência de palavras escritas
me fez sentir por uns dias
um melancólico vinhedo retorcido.
Hoje já vejo em mim
folhas verdes brotando
a vida com frutos renovando.
Aprendi que não é preciso
atropelar as estações,
tudo tem o seu tempo.
Os dias e as noites sabiamente
fizeram dos galhos ressequidos
uma seiva mágica escorrer.
Voltam minhas meras sílabas
emprestando suavidade à minha rústica vida.
Mando embora o gosto amargo do fel.
Prefiro o poder das ideias
que trazem aos meus dias
uma doçura comparável à do mel.





Direitos Reservados

13 de out de 2010

Desejos


Quero um mundo melhor
onde possa olhar ao redor
e ver apenas sorrisos inteiros.
Nada de falsidades explícitas
de pessoas malquistas.
Quero apenas a verdade brilhando,
nos olhos o amor se doando
em troca nada esperando.

Quero que a harmonia exista
e como na obra de um artista,
encontrar um tom de claridade,
ver assim no silêncio da reflexão
o melhor caminho para o perdão.
Que as diferenças sejam resolvidas,
metas igualitárias estabelecidas.

Que a simplicidade seja regra,
SER seja mais forte que TER.
Que todo excesso seja controlado,
o tempo muito bem aproveitado.
Voltar os olhos para dentro
e ver que o atual momento
é o melhor para ser vivido.

Não quero passar pela vida
como um desenho garatujado,
meramente esboçado, em seguida desprezado.
Quero ser uma tela sutilmente pintada,
ter a vida em belas cores matizada,
ao final, com dignidade, emoldurada!

Mas se em pouca cor eu me fizer,
resta-me ainda ser como aquela flor
que num branco tom irradia paz,
assim ao menor assopro serei capaz
de espalhar e fazer brotar
formosas sementes de amor.




Direitos Reservados

9 de out de 2010

Ah...o amor é lindo!


O ditado “antes tarde do que nunca” é muito apropriado para esse momento, visto que meu amor e eu fizemos Bodas de Prata no mês de junho e só agora resolvi falar sobre isso. Na verdade não são apenas vinte e cinco anos juntos, mas exatamente trinta e cinco, uma vez que dez foram de namoro, acredite se quiser!
Ele um garoto com dezesseis anos e alguns ralos pelos no rosto, eu aos treze quase ainda uma criança, achava que já era dona do meu nariz, assim começamos a namorar para o desespero de duas irmãs mais velhas, no momento, solteríssimamente sós.
Nesse contexto é possível imaginar que chegar em casa com um namorado à tiracolo pela primeira vez não foi das tarefas mais fáceis, hoje reconheço, a minha ousadia e coragem estiveram muito além do esperado e o que a gente não faz em uma paixão avassaladora? Apetecidos por esse sentimento que invade a alma com uma fúria desmedida e ao mesmo tempo prazerosa, seríamos capazes de romper fronteiras, cruzar mares, desfraldar bandeiras, enfim, tudo em nome do nosso jovial, pujante e impetuoso amor!
Foi difícil para meu pai aceitar que a sua caçulinha, sua seguidora por toda parte, dividisse agora sua atenção com aquele frangote metido a homem sério e brilhantemente educado. Tanto cuidado e o outro foi chegando assim, tirando sua menina da infância querida e a transformando em namorada, uma afronta para a sua condição de progenitor.
Devagar, bem devagarinho, meu velho foi abandonando seu ar de muxoxo e se acostumando com a ideia que aquele namorico estava tomando um rumo certo. As intenções do pretenso genro eram das melhores, mas como um bom mineiro - desconfiado por natureza - somente se convenceu disso uma década depois ao nos ver, finalmente, no altar.
Depois de tanto tempo, fazendo uma contabilidade da nossa vida conjugal, vejo que somamos ricos e lindos momentos, subtraímos diferenças, dividimos tristezas, multiplicamos alegrias, mesmo assim, vez ou outra, precisamos cuidar para não cairmos em saldo negativo. Nessas horas lançamos então um crédito de compreensão, paciência, perdão, ao final as contas se acertam e saímos no lucro.
Hoje com nossos cabelos grisalhos, os meus pela tinta muito bem disfarçados, vejo que o tempo passou, não somos mais os mesmos, agora certamente bem melhores!
Apesar de desprovidos de ambição, conquistamos um tesouro, nosso bem maior, um filho querido, agora já um homem feito, vejo nele o que há de melhor em nós.
Nesse arroubo de ternura e enlevada por essa indizível paixão deixo esses versos, pelo rei cantado, nessa linda e eterna canção:
“Eu tenho tanto pra te falar, mas com palavras não sei dizer, como é grande o meu amor por você”.
Que venham as Bodas de Ouro!




4 de out de 2010

Pilates, para sempre!


Joseph H. Pilates, criador do método que leva seu sobrenome, em uma das suas brilhantes frases nos diz: “Se aos 30 anos você está sem flexibilidade e fora de forma, você é um velho. Se aos 60 anos você é flexível e forte, você é um jovem”.
Resolvi falar sobre isso hoje, pois é algo que me tem sido muito importante ultimamente. Pode parecer bobagem estar durante cinquenta minutos com um grupo de mulheres fazendo exercícios, a princípio, tendo como objetivo apenas um cuidado natural com o corpo.
No entanto, esses valorosos minutos tem sido uma ótima terapia. Não sei se todas as amigas encaram da mesma forma, esses momentos em que nos tornamos iguais, sem preconceitos de classe social, religião ou filosofias são altamente enriquecedores.
Com idades variadas, inclusive penso que sou a titia da turma, vejo em cada rosto o desejo de manter a saúde física para assim ter uma boa qualidade de vida.
Esse pequeno tempo vai além das expectativas, a integração faz com que conheçamos melhor umas às outras, falamos do nosso dia a dia, de coisas ou pessoas que nos são valiosas,  trocamos receitinhas, enfim saímos como se tivéssemos passado por um verdadeiro divã, sempre mais leves.
A tão famosa endorfina liberamos com os nossos esforços, rimos à toa, qualquer coisa é motivo para cairmos em gargalhadas, quer coisa melhor na vida? É assim que mandamos embora um pouco de tudo que nos pesa ou entristece.
Cada uma de nós apresenta alguma limitação, ninguém é melhor em tudo, há sempre aquelas que prevalecem nos alongamentos, mas fatalmente se veem entregues nos exercícios de força. Outras cuidam dos movimentos exigidos e travam uma luta com o controle da respiração. Enfim somos, naquele breve instante, todas iguais apesar de tão distintas.
É exatamente nessa hora que vejo como tudo isso também faz bem não somente ao físico, mas revigora a mente, eleva o espírito e nos ensina a conviver com as diferenças. Pensa que é fácil aceitar que algumas apresentem uma alta performance, enquanto outras se esvaem em suor para acompanhar o ritmo? Adivinhe se puder em qual grupo me enquadro!
Como tenho o hábito ou mania de observar comportamentos - disse isso no meu post "Eu presto muita atenção ao meu redor - vejo que estou muito bem acompanhada com esse querido grupo que se reúne duas vezes por semana.
E o que falar das instrutoras? Em A arte de transformar "ais" em sorrisos deixei um pouco da minha impressão sobre a querida Silmara e da Maria Soraia digo que ela é amiga, companheira e eficiente na sua profissão e como qualquer uma de nós, também tem uma fraqueza que a põe fora de órbita: dormir sozinha, longe do seu amor! Ui, contei!
Não posso deixar de falar de alguém que, sutilmente, faz-se presente e que tem uma importância tamanha: Rose, sempre com um sorriso no rosto, mantém tudo eficazmente cuidado para que o ambiente esteja sempre agradável e organizado, penso sempre nela ao sair com minhas meias tão brancas quanto chegaram, o que prova sua atenção para que o piso esteja sempre limpo. Muitas vezes partilhamos rapidamente nossas dores, pois vivemos uma situação semelhante, tem seu pai vitimado e acamado por um AVC, assim como o meu.
Costumo eternizar alguns momentos preciosos da minha vida e esse é um deles, deixo então o meu carinho a todas as companheiras da sessão de Pilates, é muito bom estarmos juntas.