15 de ago de 2011

As Cartas

     O chamado do carteiro era sempre esperado, o coração acelerava e uma interrogação ficava, por alguns segundos, no ar: quem seria o privilegiado da casa que estaria a receber uma carta?
     Nessa época as correspondências limitavam-se às missivas, não se entregavam boletos, extratos, produtos comprados à distância, essa parafernália toda que lotam, hoje, as caixas de correio.
     Abrir o envelope com todo cuidado era uma regra, afinal sempre havia quem requisitasse o selo para enriquecer uma coleção, até mesmo eu andei com esse intento por um tempo, logo descobri que não seria jamais uma filatelista convicta. Juntar objetos até hoje é uma tarefa impossível aos meus hábitos, as coisas mais importantes eu as guardo todas, no coração!
     Desdobrar a folha e com olhos ávidos decifrar cada palavra, era prazeroso perceber em cada traço da caligrafia um pouco da alma do remetente, por alguns minutos, amenizava-se um pouco a saudade de quem estava longe.
     Quando as notícias eram boas o semblante logo mostrava um sorriso que ia de orelha a orelha, no entanto, quando algo funesto havia acontecido, uma angústia muda deixava os olhos marejados e um tempo era preciso até soltar as palavras paradas na garganta.
     Escrevi muitas cartas, recebi outras tantas, gosto de recordar esse tempo em que a pressa não fazia parte da rotina, não se corria desesperadamente em busca de tempo e qualquer demora em receber a correspondência era, educadamente, admitida. Mesmo que as felicitações pelo aniversário chegassem após a data ou a notícia da morte fosse recebida sem mais tempo para o sepultamento, tudo era normal numa época em que as cartas ainda eram a forma mais comum de entrar em contato.
    Hoje a velocidade e o alcance da comunicação são inimagináveis, fala-se com o mundo todo em questão de segundos, apenas não conseguiram ainda digitalizar os sentimentos, esses que eram tão bem percebidos até mesmo nos borrões de tinta no papel branco das cartas, que saudade desse tempo bom!

(Esse texto faz parte do projeto "Dois Olhares" de Néia Lambert e Denise Portes O delírio da bruxa)


29 comentários:

Maria Luiza disse...

COISA MAIS LINDA DE RELATO! APAIXONEI-ME! TEMPO LINDO ESSE EM QUE O CORAÇÃO DISPARAVA COM O CARTEIRO,E EU NAMMORAVA POR CARTAS! Parabéns! Linda semana com meus bjbjbj!!!

Denise Portes disse...

Néia,
Resgatar essa delicadeza das cartas nos dias de hoje enche o coração de ternura.
Um beijo
Denise

✿ chica disse...

Nada substitui a magia de receber cartas, principalmente as de amor! Lindo!beijos,chica e ótima semana!

Elaine Freitas disse...

Sabe Néia... eu sou muito adebta as cartinhas e bilhetinhos...

Adorei seu texto... me fez voltar um pouquinho no passado de coisas boas..

Beijinhos Iluminados no seu ♥

Camila Monteiro disse...

Que lindo esse post. A carta é algo mais caloroso né? O email é pratico mas nunca roubará a assencia de uma carta.
Beijos!

Rô... disse...

oi Néia,

eu romântica que sou,
não deixo de lado nunca,
cartinhas e bilhetinhos,
é muito mais caloroso e próximo,
faz o coração bater mais forte mesmo...
adoro!!!

beijinhos

Cláudia Anahí disse...

que saudades desse tempo, que eu esperava o carteiro na porta de casa...muito bem descrita a emoção que se sentia...parabéns! Boa semana! Namastê

margoh werneck disse...

...as mãos se tornam sublimes quando falam de amor.


beijo

BIA disse...

Oi Néia!!!

Um dos seus posts mais lindos!!! Se eu tivesse que eleger um dos posts que mais gostei acho que não conseguiria pois a cada post é mais surpreendente do que o outro se superando cada vez mais, quanto talento!!! Ao lê-lo já faz a gente começar a semana com a alma e o coração leve!!! Amei!!! Ainda tenho cartas da minha tia que morava em São paulo endereçadas a minha mãe, guardo todas com muito carinho, também tenho guardados todos os cartões e postais que agora se tornaram coisas raras né?
Um ótima semana!!!
Beijos
Bia :)

Meri Pellens disse...

Que bom aquele tempo. Muito escrevi, muito recebi...
Beijinho, muita paz e abençoada semana!

。♥ Smareis ♥。 disse...

Néia, adorei o texto, receber cartas é a coisa mais gostosa que existe. Hoje é só Email e mais nada. Saudades das minhas cartinhas.Desejo uma ótima semana cheia de muitas coisas realizadas pra ti.
Beijos !
Smareis

Suzy Rhoden disse...

Néia, que delícia relembrar as cartas enviadas e especialmente as recebidas através deste teu texto! Bons tempos, sim, em que os sentimentos iam e vinham por cartas... dava até para 'ouvir' a voz do remetente em nossa mente, enquanto, líamos, não era assim? Infelizmente os emails, por mais úteis que sejam, nos roubaram essa pessoalidade que só as cartas tinham. Nos resta, então, recordar esse tempo bom, e você fez isso aprimoradamente e nos levou junto com você em suas lembranças!
Beijos,
Suzy

ONG ALERTA disse...

As pessoas estáo desaprendendo a escrever...beijo Lisette.

Malu disse...

Acabo de ler um texto sobre as cartas e confesso que enchi-me de saudades e venho por aqui e me carrego ainda mais de nostalgias...
Abraços

Vivian disse...

Bom dia,Néia!!

Que belíssimo texto!!!Eu amava receber cartas!!
Com certeza a sensação é única!!!
Beijos pra ti!!
Tenha um lino dia!

Valéria disse...

OI Néia!
Que saudosismo gostoso!
Tudo era mais simples e sem imediatismo. Que maravilha escrever e receber cartas em uma época em que os sentimentos eram expressos em palavras perfumadas. Lindo relato!

Beijos!

Clau disse...

Qdo eu era criança adora escrever cartinhas para as minhas primas que moravam tão longe de mim,(no norte do PR).
Saudades desse tempinho!
Bjs Néia!

♥ Luciana Mira ♥ disse...

Eu quando mais nova, vivia escrevendo cartinhas e me comunicando com pessoas de todo o Brasil, era uma epoca super gostosa!

Vera Lúcia disse...

Olá Néia,
De repente me deu saudades daquele tempo.
O texto expressa exatamente como as cartas tinham importância peculiar para nós. Hoje são tantas correspondências inúteis que nem sequer nos damos ao trabalho de abri-las de imediato.
E, de fato, nunca mais nos deliciaremos com aquelas cartas que chegavam juntamente com o coração do remetente.
Parabéns pelo belo conteúdo do texto bem como
pela escrita do mesmo.
Beijos.

Fernando Imaregna disse...

Oi Néia....

Olha, teu texto me fez chorar...hum rum...não nego algumas fragilidades, apesar dos meus 5.4 bem rodados...hehehehe

É que escrevi algo parecido há alguns meses no blog, falando sobre as correspondências, quando as cartas (como você descreveu brilhantemente) eram a forma que encontrávamos de "matar" as saudades de alguém, ou mesmo receber as notícias tristes...escrevi muitoooooooooooo e recebi muita carta também...bons tempos...

Lindo demais relembrar tudo isso...muito mesmo...humpft!


Deus te abençoe...beijo carinhoso no coração

Andréia B. Borba disse...

Néia, querida, sabe que no fim do ano passado um amigo muito querido enviou uma carta para mim. Fiquei absurdamene emocionada, relembrando justamente essas sensações que vc relatou em seu post.
Coisa mais linda!
Bjs minha querida!
Déia

Wanderley Elian Lima disse...

Oi Néia
Bons tempos. Não se trata apenas de saudosismo, mas sim da constatação de uma época em que as pessoas eram mais unidas, e tinham o prazer de escreve à mão , para um parente ou amigo, aquilo que lhe ia no coração.
Bjux

Tetê disse...

Ah... bom demais! Eu ainda tenho correspondentes, recebo carta e as respondo à mão, tradicionalmente! É muito bom ouvir o carteiro chegar! Obrigada pela visita ao Livre Pensamento! Fico feliz de encontrá-la em meu cantinho! Bjks Tetê

Mônica Bif disse...

Oi Néia! AMEIIII o texto de hj, puxa, eu tb tenho tanta saudade das cartinhas que eu escrevia... Rsss, para os amigos distantes, para o amor secreto anonimamente, ahhhh, as palavras tinham mais sentimento, escritas a dedo, traduziam as notas que haviam dentro do coração. As palavras borradas, a tinta que levemente fora escorrida pelo papel, uma lágrima talvez?! Ahhh, concordo com vc, bons tempos aqueles!!! Bju Flor, fico encantada com sua escrita cada vez que venho aqui, lugar mais de lindo!!! Rss. Bju!

Majoli disse...

Que lindo Néia, um texto que me remeteu ao passado, não tão longínquo, ano de 1987...que alegria quando o carteiro chegava, e entre as correspondências, de cara eu já via no envelope a caligrafia do homem que eu amava, o meu namorado.
Hoje eu me arrependo de tê-las destruídas...
Mas carrego cá dentro do peito, as recordações desses momentos únicos que vivi.

Agora, quando vou ver na caixa de correio o que tem, são contas, extratos bancários e etc e tal, menos uma carta de amor.

Beijos com carinho.

Cacá - José Cláudio disse...

"Não hei de trocar datas à minha vida só para agradar às pessoas que não amam histórias velhas."

Eu gosto desta frase do Machado de Assis, porque se tem uma coisa que a modernidade não me expropriou foi o prazer de trocar correspondências manuscritas. Inclusive, fazia isso com minhas próprias filhas (mandava-lhes cartas pelo correio). Quando crianças elas se sentiam chiques demais por receberem correspondêncis em seus próprios nomes . Até hoje ainda tenho algumas (poucas) pessoas com quem troco umas cartas. Abraços, Néia. paz e bem.

Adelaide Araçai disse...

Néia eu gosto tanto de carta que ainda as escrevo. Tenho uma afilhada de 3 anos e como eu sou a única que lhe escreve cartas, ao pegar o envelope é como se ela soubesse ler, pois fala de imediato: - A Dinda Dê escreveu para mim!
A mim fica a felicidade de saber desta bela recepção que tem a carta que lhe envio uma vez por mês. E moramos perto eu a vejo várias vezes antes que a carta chegue... pois graças ao correio os atrasos são enormes. Mas a nós vale a espera, e o prazer da troca escrita de próprio punho, com carinho.
Amor manuscrito.

Muita luz e paz
Abraços

Suely - HD disse...

Néia,

Escrevi algum tempo atrás em meu blog um texto sobre cartas, pois alguns anos atrás eu me correspondia com uma pessoa que foi muito usada por Deus na minha vida.

Suas cartas chegavam nos momentos mais propícios e únicos. Eram palavras de Deus para minha vida e meu ministério.

Saudades das Cartas de Denise.

Deus abençoe sua vida,

Amei o texto.

beijos
Su

palavrassmagicas disse...

A vida é mesmo um encanto e você faz ela ficar um pouquinho mais encantadora parabéns pela sensibilidade Erica