26 de set de 2011

Os meus brinquedos

     Num lampejo de memória, fui saudada por um aceno da minha remota infância, tão bom quando o passado não causa lástima e guardar sempre vivas as boas lembranças é uma terapia, um jeito simples e eficaz de ficar bem. Pensei na criança que fui, como qualquer outra regada de humor sem malícia, permitia que através dos olhos entrasse em mim a alegria e tudo era muito bom!
     Das coisas simples à minha volta e que me fizeram feliz trago na mente um natal marcado pela emoção de ganhar a minha primeira boneca. Aos quatro anos de idade, vi-me boquiaberta com aquele presente, seus cabelos negros iam até a cintura, no rosto redondo um par de lindos olhos que pareciam estar atentos a tudo ao seu redor. No entanto uma característica, absolutamente inesperada, assustou-me, a sua altura era maior que a minha! Eu, a caçula da família, sempre mandada por todos, sentia estar indo por água abaixo o gosto de dar ordens em alguém, o que seria o meu bebê parecia mais uma irmã ou amiga mais velha, eu era mais cuidada por ela que ela por mim.
     Por incrível que pareça, esse brinquedo teve uma durabilidade impressionante, não sei se pela excelência do produto ou pelo seu assustador tamanho eu não consegui destruí-la, apenas tive o desplante de arrancar-lhe uns poucos fios de cabelo numa tentativa frustrada de ouvi-la gritar. O fato é que ela permaneceu por muito tempo na família e fez mais alguém feliz, dessa vez, de outra geração, minha sobrinha mais velha.
     Os anos foram passando e outros presentes se tornaram inesquecíveis, cada qual com sua importância pelo momento vivido, como o triciclo, então, chamado velocípede que me fez descobrir, pedalando, as delícias e os perigos da velocidade, minhas pequenas cicatrizes que o digam. Também o fogãozinho com as panelinhas era lindo, porém, minha relação com ele não era intensa, já antevia o meu futuro nada habilidoso na cozinha.
     Percorrendo o passado, aqui e ali, percebo que alguns brinquedos, mesmo não existindo mais, tornaram-se eternos, afinal todos estiveram vinculados à família, a momentos inesquecíveis e aos queridos amigos que comigo brincaram. É assim que se perpetuam, naturalmente, os melhores momentos da vida.

(Esse texto faz parte do projeto "Dois Olhares" de Néia Lambert e Denise Portes O delírio da bruxa)

25 comentários:

✿ chica disse...

Lindo isso e realmente temos boas recordações dos brinquedos que fizeram parte da nossa infância ou as de nossas crianças.. Linda semana,beijos,chica

BIA disse...

Oi Néia!!!

Como sempre você traduz em palavras coisas que a gente não consegue dizer Uma bela e profunda poesia. É impressionante mas esses dias eu tava pensado exatamente sobre isto que você escreveu, pois até hoje ainda tenho guardado bonecas e ursinhos, não consigo me desfazer deles por mais que já tenha crescido e me tornado adulta. É inacreditável, parece telepatia mas você falou exatamente as memórias que estavam passando como um filme em minha mente. Ótima semana!!!
Bjus
Bia :)

Denise Portes disse...

Néia,
Falar da infância mexe com o coração de todos nós e falar dos brinquedos da infância deixa o coração mole. Quem não tem guardado como um tesouro essas recordações? Eu gostei muito de compartilhar dos seus tesouros querida.
Um beijo, com carinho
Denise

Suzy Rhoden disse...

Néia, você é um baú de recordações que se abre em textos lindos, e nos carrega para dentro dele! rsrsrs
Adorei seus brinquedos, e claro que fiquei revendo os meus... também ganhei uma boneca enorme, do meu tamanho aos 2 anos e imediatamente dei-lhe o nome de Neiva. Até hoje ninguém sabe porque, pois não tínhamos contato com nenhuma Neiva naquela época, porém nem hesitei para nomeá-la! Coisas interessantes de um passado sempre presente... e, como você falou, que não causa lástima!

Adoro seus textos, um beijo!

Malu disse...

Estou acompanhando suas atividades, minha amiga, assim posso ficar por dentro das suas atualizações.
Grande abraço

Mônica disse...

Neia
Estou aqui procurando a minha primeira boneca.
Eu não em lembro!
Mas tive uma bela infancia cheia de brinquedos, de bonecas. A gente ganhava até os 15 anos brinquedos da empresa onde papai trabalhava e eram todos otimos.
E tinhamos uma qualidade( nós seis) nunca pedimos nada e ganhavamos sempre o que queriamos ou precisavamos.
E agora? As crianças tem de tudo e a gente nem sabe como agrada-las.
Naquela época era facil nos agradar.
com carinho Monica

ღα૨gѳђ ખ૯૨ท૯૮ઝܟ disse...

Falar da infancia é falar de carino, do
colo que acolhe, braço que envolve, palavra que conforta.É falar da felicidade que tive em ter tido Dona Nina como mãe, meu melhor presente.


Beijo

Debbie disse...

Essas lembranças da nossa infância são nostálgicas.
Eu costumava ter muitos brinquedos e acabava com todos eles, mas ainda restam alguns aqui até hoje. rs beijos

Tais Luso disse...

Fui lendo sua crônica e ao mesmo tempo passando pela minha memória os meus brinquedos, também. Lembro que queria uma boneca do meu tamanho para dormir com ela. E a fiz toda de pano, costurada à mão, com cabelos de lã, toda molenga. Deselegante. Meio assustadora! Realmente, Néia, são preciosas lembranças, momentos felizes que não retornam. Sua crônica me fez pensar e recordar de momentos muito importantes que moldaram meu perfil.

Grande beijo, amiga.

Roseli disse...

Oi Néia,
Que lindas e tocantes lembranças de sua infância. Também tive uma infância feliz apesar de todas as dificuldades. Brinquei até quase os vinte anos e trago comigo delicosas recordações, assim como você.
Lindo texto!
Bjs

Maria Célia disse...

Oi Néia
Belo texto. Quem não se lembra de algum brinquedo da infância que deixou marcas.
No meu caso não foi uma boneca porque nunca fui apreciadora, mas sim, uma bicicleta que não esqueço.
Bjo

Vera Lúcia disse...

Olá Néia,
Com seu delicioso texto fiz uma pequena viagem no tempo e também recordei da minha primeira boneca, que sobreviveu até que minhas sobrinhas nasceram (rsrsrsrs).
Com certeza, são lembranças que se eternizam, pois estão ligadas a momentos marcantes de nossa infância, principalmente com as amiguinhas que já perderam de nós.
Beijos.

Clau disse...

Olá!
Muito bom ler essa postagem e relembrar dos brinquedos...
Eu também tive uma boneca maior que eu,e dei-lhe o nome de Andréa.
Eu era a professora das minhas bonecas!
Bons tempos...
Bjs Néia,tenha uma semana de paz!

Vivian disse...

Bom dia,Néia!!

Tem brinquedos que se tornam eternos mesmo!!
Que delicia este texto querida!!!
Tem coisas que só nos trazem alegria recordar!!!
beijos!

Mônica disse...

neia
Sempre venho porque sei que aqui tem um tesouro: todas suas escritas e posso aguardar que dali a pouco terei uma breve surpresa nos ses comentarios que me deixam com um dia de alegria.

ValeriaC disse...

É bem verdade minha querida, que é tão bom quando nossas recordações são felizes, faz um bem enorme lembrar cada detalhe que tanto nos trouxe alegria...
Boa tarde amiga...beijinhos
Valéria

Sotnas disse...

Olá Néia, que tudo permaneça bem contigo!

Primeiro agradeço por tuas palavras de conforto por lá, obrigado mesmo, e também por tuas sempre tão generosas visitas e comentários.

Falando de brinquedos não tenho nenhum da infância, pois não foram tantos assim, mas as lembranças existem, pois costumávamos construir nossos próprios brinquedos e, destruir também!

Belo texto e, belas lembranças dos teus brinquedos, que nos faz experimentar uma verdadeira viagem a infância.

E contente por estar por cá encantado por mais esta tua postagem, eu deixo meu desejo que você e todos ao teu redor tenham um intenso e feliz viver, abraços e até mais!

FREICO NORDON disse...

A presença constante em nossa memória, são os fatos que nos conciliam com esse "todo" magnífico de se ter lembrança. Nossos brinquedos e suas epopeias descontentes, que nos perseguem para serem cumpridas, ainda, depois de grandes ^^ ... Nossas realizações de hoje, são mostras significativas e tatuadas do que fomos e zelamos, ontem.

Grande texto!!

Abraços!!

:P

Severa Cabral(escritora) disse...

Bom alvorecer !
Depois que o bicho(vírus) se instalou no meu blog,me fechei e só hj que estou abrindo com uma postagem linda e emocionante.
Te convido a ir lá,depois passarei por aqui para fazer meu comentário...Tenha um dia fenomenal e de muita luz...
Grata pela amizade...Particularmente estava com saudades de viajar nesse universo,junto com vcs...por amar demais(sonhadora)todos.
Bjs para aquecer teu dia!

Judite disse...

Bom dia!

Que seu dia seja de paz, de sorrisos e de muitas bênçãos, e que você possa sentir a presença de Deus aonde quer que vá.

“Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós”. (I Pedro 5:7)

Deus seja contigo!

Blog Yehi Or!
http://hajalluz.blogspot.com/

Sonhadora disse...

Minha querida

São doces essas recordações dos nossos brinquedos, eu ainda tenho uma boneca que adoro e guardarei até ao fim.
Adorei como sempre o texto e deixo um beijinho com carinho.

Sonhadora

Tetê disse...

Oi, Neia! Um texto lindo e que me fez voltar também no tempo... Obrigada pela visita ao Livre Pensamento! Fico feliz de encontrá-la em meu cantinho! Bjks Tetê

。♥ Smareis ♥。 disse...

Oi Néia que lindo o post. Você me fez acordar lembrança bonita da minha infância. Que bom voltar lá e pegar minhas caixa de brinquedos. Bjs!
Smareis

Camila Monteiro disse...

hahahahaha Néia que interessante esse teu pensamento por conta da altura da boneca, me diverti lendo.
Bjbj!
Excelente dia!

Daniele disse...

Estive sumida. Quanta coisa boa perdi por aqui...
vou tentar ler e comentar cada poesia sua.

Essa nostalgia nos faz lembrar quem somos e de onde viemos, nossos valores...não abro mão!

Também tenho meus momentos nostálgicos que me revigoram a alma.

Beijos em seu coração e obrigada pelo carinho