26 de fev de 2011

Impaciência

Perguntei ao meu conselheiro Amor por onde andava a minha paciência,
ele foi logo me dizendo: como assim? ela está ao seu lado sempre! é essa tua ansiedade que te cega e não a deixa ver, não compreendes que em tudo é preciso saber esperar? Que as coisas não acontecem a seu bel prazer e sim de acordo com a vontade daquele que te fez?
Como é difícil aceitar e entender o ritmo cadenciado do nosso Criador, geralmente a gente quer mesmo é tudo para ontem e se apenas a nossa vontade fosse feita, quem sabe já estaríamos, deliberadamente, encerrando o ano que mal começou.
A natureza é o maior exemplo que não é aconselhável pular fases, é preciso semear no tempo certo, esperar brotar com tranquilidade, deixar crescer com liberdade, florescer em beleza e cor e, finalmente, deixar-se morrer. Não se atropelam os ciclos, nem adianta quebrar o ovo antes da hora, tudo tem o seu momento certo para acontecer. Cada etapa tem a sua importância, nada se faria de modo perfeito se todas não fossem cumpridas numa rigorosa e ordeira sequência.
Eu quero aprender a ser absolutamente paciente, ter a tranquilidade de abrir os braços como largas asas e respirar profundamente, é assim que deve ser antes de tomar qualquer decisão ou rumo.   Também vou  fazer ao menos de alguns minutos um tempo de reflexão, haverei de entender todas as pausas que me forem impostas, dessa forma a vida vai mostrar o seu real sentido e me ensinará que sábio não é aquele que consegue driblar o tempo, mas o que sabe viver um dia de cada vez!
“Não é bom agir sem refletir; e o que se apressa, com seus pés erra o caminho.” (Pr 19,2)


23 de fev de 2011

Mente e Coração

Tanto se tem falado dos poderes da mente,
dizem que tem o dom de esculpir pensamentos
e ao seu gosto, dar-lhes boa forma ou não.
Vou pedir à essa tão primaz escultora,
que molde as minhas ideias com material firme e sólido,
dessa forma nem mesmo as intempéries da vida
poderão mudá-las ao sabor do vento.
No entanto, em se tratando de assuntos do coração,
melhor que ela seja bem maleável,
só assim para suportar o embate constante,
a busca do eterno equilíbrio
entre a razão e a emoção.
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Direitos Reservados

15 de fev de 2011

Canais Lacrimais ou Cachoeira?

Quem me conhece pessoalmente sabe bem o quanto é fácil me ver com o rosto todo molhado. No choro ou na gargalhada, uma verdadeira cachoeira se rompe pelos meus canais lacrimais, há quem diga que eles tem conexão direta com as Cataratas do Iguaçú, que por coincidência, ficam aqui no meu Paraná, caso isso fosse verdadeiro pelo menos uma certeza eu teria, água nos meus olhos é que nunca iriam faltar!
Nem procuro entender isso tudo, uma vez que a minha sensibilidade sempre fala mais alto, tudo me emociona, sou a velha conhecida “manteiga derretida” que chora tanto de tristeza quanto de alegria.
Não pensem também que assim sempre sou, às vezes consigo ver em mim uma verdadeira fortaleza, como se nada pudesse me abalar e permaneço firme até o momento em que algum “ser” fique com os olhos rasos d’água perto de mim, esse pequeno e simples detalhe é a terrível senha capaz de romper as comportas das minhas lágrimas, nada as contém, parecem rios correndo soltos rumo ao mar.
Sendo assim, quando um dia você me encontrar, não me julgue previamente ao me ver com os olhos marejados, pois se uma observação mais atenta for feita certamente verá que o meu rosto pode estar molhado não de tristeza, mas simplesmente de tanto gargalhar.



11 de fev de 2011

Sinceridade, uma Flor entre Espinhos


Meus parcos neurônios não conseguem entender por que sinceridade às vezes tem que estar atrelada à malcriação - fazia tanto tempo que eu não usava esse termo - meu pai é que tem o hábito, vez ou outra, com seu antigo sotaque mineiro, engole o “l” e diz macriação. Apesar da pronúncia não ser muito boa, o sentido que ele dá à palavra é perfeito: falta de educação.
Existem inúmeras maneiras de se dar uma opinião verdadeira, quando não se medem palavras, corre-se o risco de ferir para sempre um coração amigo. Por maior que seja a proximidade, falar sem ofender é uma questão de respeito e também ter consciência que poderá receber em troca palavras pesadas, essa é a famosa troca de farpas que traz tanta dor e anestésico nenhum dá jeito.
Para que arrancar sangue quando é tão simples dizer, delicadamente, que isto poderia ser assim ou assado, ir por esse ou aquele caminho, que algo é feio ou bonito? Se até mesmo uma flor sobrevive em meio aos espinhos, que dirá o ser humano diante de uma verdade, principalmente, quando dita com sutilidade.
Não tenho vivido isso, porém fico revoltada quando acontece com alguma pessoa querida, é como se fosse comigo, o mais difícil é se conter e não dar opinião, mas nesses momentos é como em briga de casal, a gente não deve meter a colher, pois um dia eles acabam se entendendo e a gente é que fica mal por ter se metido.
Enfim, eu nunca irei descobrir por que algumas almas insistem em não querer que os outros sejam felizes e vivem a machucar com suas opiniões inadequadas, como se a felicidade não pudesse ser dividida, partilhada. Inveja? Não sei não, penso mesmo que isso tudo nada mais é que o efeito da funesta “macriação”.


8 de fev de 2011

O Meu Melhor Desenho

     Sou capaz de ficar horas diante de uma tela admirando cada traço em tinta nela deixado, porém ficaria absolutamente inerte, com as mãos atadas por pesadas correntes, caso colocassem nelas um simples pincel.
Logo nas primeiras aulas de Desenho, talvez na quinta ou sexta série, eu bem notei não haver em mim o menor indício de uma futura artista plástica. Quando a professora, um gênio em matéria de artes, dizia no dia da prova: usem a criatividade, passem para o papel a mais bela paisagem já vista ou que seja possível imaginar. Aquilo para mim era uma sentença condenatória, podia antever a cor da nota daquela matéria ao final do bimestre, um vermelho bem forte, o único tom que tinha o poder de tirar a beleza do meu boletim. Para meu alívio ou talvez um desencargo de consciência daquela que nos orientava - ela devia saber que nem todos os mortais nascem com os mesmos talentos - passava-nos então como tarefa umas faixas decorativas que eram traçadas com régua, milimetricamente medidas e posteriormente pintadas. Eram a minha salvação, com elas eu recuperava as notas que faltavam e assim me livrava da reprovação. Até hoje quando em algum lugar eu vejo um desses desenhos, bendigo a maravilhosa criatura que os teriam inventado,  não fossem os tais eu estaria até hoje no colegial.
    O fato é que da paisagem nem sempre eu conseguia fugir e vez ou outra lá estava com os mesmos elementos de sempre: uma árvore, o sol, algumas nuvens e pronto! mais do que isso seria exigir um esforço descomunal da minha massa cinzenta, que às essas alturas nem na sua cor pastel mais se apresentava. Terminada a árdua tarefa, restava-me lançar o olhar para o trabalho da colega ao lado e me extasiar com seu magnífico desenho, era uma expert nas cores, sabia combinar tudo com tudo, no entanto, o seu olhar de descaso para o meu trabalho deixava bem claro que eu também tinha um grande talento, o de combinar nada com nada!
     Não importa onde esteja hoje a alma daquela saudosa professora, certamente ela saberá que os meus desenhos ainda não passam de uns meros traços garatujados. Caso pudesse, eu apenas lhe diria que não vivo mais à mercê dessa tormenta, uma outra arte se fez em mim, hoje transformo a minha inspiração em palavras, faço versos e aprendi, como ninguém, a dar um colorido todo especial aos meus sonhos. Agora, senhora de mim, ao me oferecerem uma tela em branco saberei muito bem o que fazer, ocuparei cada centímetro dela com minhas poesias e as cores...ah! as cores estariam todas nos olhos de quem as quisessem ler.

4 de fev de 2011

A Lua do Meu Bem


É bom estar sob essa claridade que não ofusca,
testemunha das nossas maiores intimidades,
levados por esse encanto que é pura magia e poesia,
somos dependentes absolutos da doce luz da lua.
Suavemente, vem minimizar nossos defeitos,
silenciosa, ouve sem macular nossos segredos.
Sábia, não quer ordenar, apenas ensinar
que o melhor do amor é estar bem perto,
ouvir o tum tum do coração do outro,
saborear lentamente o gosto bom do beijo,
viajar pelos mistérios do olhar,
sentir o calor das mãos correndo pelo corpo,
perder-se na deliciosa cumplicidade do prazer.
Delicadamente a lua se faz assim,
um tênue fio entre nós e a eternidade.





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