30 de mai de 2011

A tua ausência me causa um caos

Um vazio do tamanho do mundo ( imensurável);
o olhar vago incapaz de alcançar o horizonte (um lugar muito distante);
um silêncio frio que deixa até os recônditos da alma gelados (graus negativos);
aquele nó na garganta que não permite o menor fio de voz (nem um sussurro);
um bramir de impaciência que faz perder a noção do tempo (minutos viram séculos);
como não fazer perguntas banais (cadê você? Ta fazendo o quê? com quem você está?);
até um presságio funesto (algo fatídico teria acontecido?);
um barco à deriva, um pássaro sem vontade de voar, uma música incapaz de fazer dançar, um desvario de solidão,
é isso que tua ausência me faz!

(Esse texto faz parte do projeto "Dois Olhares" de Néia Lambert e Denise Portes http://odeliriodabruxa.blogspot.com)


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25 de mai de 2011

Pijamas Coloridos


Há um tempo em que a alegria não se faz nem um pouco comedida,
travesseiros voam, risadas ecoam, palavras soam,
são sentimentos explícitos, segredinhos contados, paixões reveladas,
um momento de cumplicidade na amizade, no amor ou no que for.
Bom mesmo seria manter continuamente essa felicidade flagrantemente expressa,
capaz de rasgar qualquer véu de melancolia,
viver sem nenhuma reticência as delícias, os sonhos,
a audácia e a volúpia dos sentidos.
Felizes os que curtem intensamente e para sempre
os seus mágicos e irreverentes pijamas coloridos.

Esse texto faz parte do projeto "Dois Olhares" de Néia Lambert e Denise Portes http://odeliriodabruxa.blogspot.com

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21 de mai de 2011

O mundo aos olhos do artista

O dia nem sempre começa quando o sol se levanta, para o amante da arte, o amanhecer é apenas um detalhe, as horas, os minutos, os segundos avançam e até bailam conforme as batidas do coração. Nada pode conter esse ritmo que, unido ao talento, mantém a vida e a deixa mais impetuosa e bonita.
Coisa alguma passa despercebida a quem nos olhos consegue trazer todas as cores, aquelas em que o mundo precisa ser visto e faz de pequenos detalhes, como um traço, uma palavra ou até mesmo uma emoção incontida o toque final que dá o melhor tom na tela da vida.
Quem da arte sobrevive, aprende que criar vai muito além de uma mera inspiração, é olhar incansavelmente para dentro de si mesmo, num exercício contínuo, prazeroso e infinito. O fluir das ideias é tal qual o ar puro que tem o poder incomparável de revigorar os pulmões, oxigenar a alma e num suspiro é capaz de trazer à tona o que se leva no mais íntimo.
E quando a voz soa num lamento ou numa alegria explícita é ele, o artista, que, no palco, nas notas ou numa melodia, traduz o que de melhor há em si.
O amor jamais será esquecido, a felicidade se fará nos lugares mais inesperados, a palavra não vai se calar nunca, a sensibilidade estará sempre aflorada onde a arte se fizer presente, só ela pode fazer de uma ocasião qualquer, o melhor momento da vida.
Um dia, quando por razões inerentes ao destino, as pálpebras caírem para sempre, até mesmo esse fatídico momento não será o fim, uma nesga de silêncio se fará apenas por alguns minutos, pois até mesmo a morte, com todos os seus requintes de crueldade e tristeza, far-se-á se medíocre diante da eternidade das obras de um artista.

(Esse texto faz parte do projeto "Dois Olhares" de Néia Lambert e Denise Portes)



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17 de mai de 2011

Detalhes

Bom senso e maturidade nas coisas do amor,
suavidade nas palavras mesmo em meio à ira,
firmeza nas decisões em momentos cruciais,
coragem para admitir os erros mais banais,
ouvir educadamente sem que seja pedido,
maximizar as qualidades e minimizar os defeitos alheios,
manter o olhar voltado para o infinito e não perder a esperança de vista,
do que já foi vivido manter somente as melhores nostalgias,
não reprimir as lágrimas, que banhem o rosto de felicidade ou dor,
reconhecer que somente na simplicidade se vive com originalidade,
que requintado mesmo é valorizar pequenos detalhes, como sentir toda a beleza e até mesmo o apelo romântico de um mero copo de água com uma flor.
Essas minúcias, imperceptíveis a tantos, emprestam suavidade à vida, fazem a diferença e deixam o espírito esfuziante, comprovando, uma vez mais, que os seres humanos não são feitos em série, ainda bem!




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13 de mai de 2011

Vem cá!


Quando não há mais nenhuma palavra a ser dita,
atitude alguma a ser tomada,
um palpite sequer a ser dado
então restar dizer, vem cá!


(Devido a uma pane do Blogger, esse post havia sido deletado e, consequentemente, os comentários já publicados, peço aos amigos que puderem, enviar novamente, será uma alegria tê-los por aqui).
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7 de mai de 2011

Pétalas

Ainda sou capaz de visualizá-la em meio ao seu jardim junto às roseiras, suas preferidas, sentia-se feliz mesmo que em alguns momentos trouxesse o corpo ou até mesmo o espírito ferido pelos espinhos. Coincidência ou não, até seu nome lembrava uma flor, você era a minha Rosa Lambert.
De todas as cores e com os melhores odores, era assim como eu a via, a mais suave, resistente e bela flor da minha vida.
Quisera no dia das mães não ter seu túmulo para ornar com margaridas, crisântemos, orquídeas e sim ainda poder pairar meus olhos nos seus, ouvir aquele riso alegre e espontâneo de todos os dias, descansar no seu regaço e sentir toda a segurança que somente um colo de mãe pode dar.
Herdei todos os seus sonhos, sua determinação, uma incansável persistência em ser feliz e vejo que até a sua alegria desmedida trago em mim. O tempo é cruel por não permitir voltar atrás e se possível fosse algumas datas importantes para você eu jamais esqueceria, alguns abraços a mais eu lhe daria, “eu te amo” com maior frequência, você ouviria.
Quero presenteá-la, mas agora de que outra forma se não com palavras? Que elas sejam leves, delicadas ao mesmo tempo profundas, tais quais eram as suas, assim possam alcançar lá onde estiver a sua alma linda e iluminada.
Eu a agradeço por ter sido o meu melhor exemplo de vida, então numa mágica de amor, vou transformar todas as letras desse texto em pétalas que, juntando-se umas às outras, para você, far-se-ão em flores. Quem sabe assim, amenizo essa minha indizível dor por todas as flores que, outrora, eu não te dei.