28 de jul de 2011

Tudo passa!


O rugir da tempestade que, furiosa, castiga o telhado,
o olhar vago na tela branca do computador,
a busca incessante por palavras que caibam no texto e no contexto,
o pensamento que vai tão longe a ponto de não querer voltar,
tudo isso não dura mais que um breve instante.
Vejo-me a pensar na efemeridade dos momentos,
não ficam parados no tempo, nem avisam quando vão passar,
alguns tão bons que deixam marcas,
outros tão infelizes, deixam cicatrizes.
Como tudo vai passar então que se viva bem o presente,
que o futuro se acautele, automaticamente,
e a dor, essa vilã na história de qualquer um,
nunca vá além do que os ombros possam suportar!
Que a cada manhã esse mistério infindável que é a vida
me faça acordar com um novo semblante.
Quero ser tal qual o sol,
até em meio a um aglomerado de feias nuvens
se faz lindo com seus dourados e aconchegantes reflexos.





Direitos Reservados

25 de jul de 2011

Música

     Nas letras que demonstram um sentimento, nas notas que expressam a melodia, na voz que traz o melhor tom da composição, a música é assim, um conjunto de elementos que, quando uniformes, elevam aos céus um som agradável aos ouvidos.
   E quem haverá de dizer que nunca teve uma música especial para cada fase da vida? Nos momentos lúdicos da infância, na angústia e ansiedade da adolescência, no esplendor da juventude, na preocupação da idade adulta e quem sabe até na incerteza do futuro, virá na memória um verso cantado no ritmo preferido de cada um.
   O estado de espírito também é responsável pelo som do momento, quando um suspiro de paixão é solto no ar, uma música romântica, certamente, estará a tocar. Quando o bom humor e a alegria estão presentes, logo o que se quer ouvir é algo que possa mexer o corpo jogando os pés para lá e para cá. Quando a saudade apertar qualquer estrofe musicada haverá de trazer de volta as melhores nostalgias. E, como não poderia deixar de ser, a música também age como um bálsamo à solidão, essa que insiste em ter como companhia o silêncio absoluto.
    Uma lufada de vento no rosto, assim que a música deve ser, que ela nos faça acordar e perceber que a vida é sempre mais leve quando embalada por um som agradável, dessa forma até a alma se acalma e se acomoda, harmoniosamente, dentro do corpo.


(Esse texto faz parte do projeto "Dois Olhares" de Néia Lambert e Denise Portes O delírio da bruxa )


21 de jul de 2011

Sair de cena faz parte do show!

     Dizem que para o ator coadjuvante o instante mais difícil numa encenação teatral é o momento em que ele precisa se obscurecer para que o protagonista apareça de forma evidente. Apesar dos papéis serem previamente estabelecidos, uma pequena ponta de ciúme, até mesmo inconscientemente, reina nesse instante, afinal a trama não se desenvolve sem a participação de ambos, tanto um quanto o outro são peças fundamentais. Apesar dessa dependência mútua, os holofotes recaem, geralmente, apenas sobre o ator principal.
    Também a vida, em alguns momentos, imita essa mesma situação, onde sair de cena é preciso, mesmo que a vaidade e o coração insistam em dizer que não. Afinal ter a percepção que a sua presença está passando dos limites é uma atitude inteligente e mesmo ficando um imenso vazio pode ser do “espetáculo”, a salvação!

18 de jul de 2011

Um Menino!

     Durante minha gravidez, toda vez que eu era indagada sobre o sexo do bebê dizia não sabê-lo, como de fato, não sabia. A intenção era sentir a mesma emoção das mães de outrora, quando ainda não existiam aparelhos de ultrassom, então somente no momento do nascimento é que se recebia a tão esperada notícia. Loucura a minha? Que nada! Foi o melhor momento da vida, uma experiência única e inesquecível. Vencer a curiosidade durante os nove meses foi um desafio, perceber que eu tinha controle sobre as minhas vontades me transformou numa pessoa mais segura e tranquila.
     Alguns, inconformados com essa atitude, perguntavam sobre a minha preferência, o que era prontamente respondido: menino ou menina, o que viesse seria muito querido. Isso deixava a todos encabulados - que mãe mais descabida - certamente era o que, longe de mim, diziam.
   Sentindo as primeiras contrações, no trajeto para a maternidade, um amigo que nos levava não se contendo diante do quadro de alegria e ansiedade do casal, foi logo dizendo: vai ser um garoto ou uma mocinha? E, para surpresa do meu marido eu disse com todas as sílabas que o bebê seria um menino. Faltando tão pouco para dar a luz, aquela resposta veio à tona, fluiu sem nenhuma dúvida ou medo de errar, um fato para o qual jamais procurei explicação, não haveria mesmo de encontrar, deixei apenas a emoção ocupar assim, devidamente, o seu lugar. E sem demora, num parto normal exatamente como eu desejava, ele chegou!
    Tudo isso para dizer como foi especial a vinda do meu filho, desejado, querido e no quanto, desde que foi gerado, fez a minha vida ter sentido. Na infância, adolescência e agora juventude, está sempre presente e atento a tudo que me diz respeito e, como se isso não bastasse, foi o primeiro a me incentivar nesse mundo mágico da escrita.. Costumo agradecer a Deus todos os dias pelo caráter firme e resoluto, pela forma respeitosa e amorosa, tanto com a família quanto perante os amigos, pelo sorriso constante no rosto e o seu desejo de ser uma pessoa cada vez melhor, esse é o meu menino!

(Esse texto faz parte do projeto "Dois Olhares" de Néia Lambert e Denise Portes O Delírio da Bruxa)

11 de jul de 2011

Seja leve!


Um pensamento esvoaça no meu cérebro,
que vida não precisa ser pesada em nenhum momento,
quando a paisagem ao redor não for bonita,
que se gire sobre os calcanhares e enxergue o outro lado.
O sorriso, indispensável, esteja brincando no canto dos lábios
e se saiba ver o diferente nas coisas mais comuns,
ler uma poesia e saborear cada palavra tal qual um bom vinho, gole a gole, refinadamente.
E as emoções, essas deverão estar sempre escancaradas, reacendendo o fascínio e o desejo de viver intensamente.
Há que se lembrar de jamais passar ao largo da vida e dela nunca esperar apenas grandes espetáculos,
pequenos atos também causam alegria e arrancam grandes aplausos,
um beijo estalado, um olhar ousado, um carinho inesperado.
E se, por acaso, o cair não seja evitado
que o tombo não seja estrondoso a ponto de atrair olhares
mas, como uma pluma, pouse com delicadeza
e seja capaz de se reerguer, rapidamente, ao menor assopro.


(Esse texto faz parte do projeto "Dois Olhares" de Néia Lambert e Denise Portes odeliriodabruxa




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7 de jul de 2011

No ritmo!


Às vezes, a vida imita uma pista de dança onde alguns,
por comodismo ou medo, preferem ficar como meros expectadores,
criticam, julgam e não saem do lugar;
enquanto outros bailam, melhoram a cada passo,
flutuam e seguem no ritmo cadenciado da música,
até o dia clarear!



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4 de jul de 2011

Alma

Vez ou outra é aconselhável e faz bem, deixar-se ver por dentro,
esse local profundo, silencioso como um sepulcro,
onde as garras do pecado estrangulam - ou não - o espírito.
Um ambiente lacrado onde não se invade facilmente,
nem quando em sua direção se estreita a visão.
Tal qual uma caixa de surpresas,
somente revela o seu conteúdo
quando alguém se põe, curioso, a perscrutar.
Ao bom entendedor que,
no olhar traz um leve traço de desafio,
basta uma pausa de alguns segundos,
para entrar e se perder nesses labirintos.
Numa ligeira reverência, então pede licença
para esquadrinhar, detidamente, esse terreno
que pode ser muito ou pouco bonito,
alma, esse instigante lugar!

(Esse texto faz parte do projeto "Dois Olhares" de Néia Lambert e Denise Portes odelíriodabruxa.blogspot.com)


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