31 de out de 2011

Gente

    Fiquei o restante da tarde de domingo com os fragmentos de uma conversa impregnados no meu pensamento. Um papo que tive com uma pessoa querida que, embora distante, está próxima o bastante para me fazer sentir segura nos momentos mais difíceis. Falamos sobre vários assuntos que permeiam nosso dia a dia e do quanto a minha realidade interiorana é diferente da que ela vive numa capital, em sua opinião, o melhor e o mais lindo lugar do Brasil. Também entramos em um consenso ao achar que o habitat faz o caráter e influencia na personalidade de cada um, afinal, em grandes centros urbanos a diversidade de pessoas, seus usos, costumes e uma cultura onde as mentes são abertas a todo tipo de comportamento, todo ato é mais fácil de ser aceito, salvo raras exceções. Já nas cidades pequenas, vive-se em torno do pensamento que todos fazem parte de uma comunidade, o “bem comum” é o objetivo maior e qualquer atitude estranha irá ferir a sociedade.
    Ousamos por um momento, sem nenhum constrangimento, trocar opiniões sobre as qualidades uma da outra, afinal por maior que seja a distinção do nosso jeito de viver, temos muitas coisas boas em comum. A partir de então, deixamos a emoção fluir e as lágrimas rolarem e concluímos que apesar dos defeitos, o melhor que há em nós é o que importa e também temos o suficiente para que a nossa amizade se mantenha viva e firme: verdade, respeito e atenção sem medida.
    Ao final da conversa combinamos ou quem sabe fizemos um pacto do bem, que a alegria - sua marca registrada - estará sempre me sustentando e me pondo para cima em qualquer situação. E eu desejei, com a minha simplicidade, ser a tranquilidade que ela precisa e merece ter em todos os momentos da vida.
    Assim, esse texto que, inicialmente, era para falar sobre gente, pois foi a ideia que a nossa conversa gerou, acabou saindo dessa forma, uma sincera declaração que toda amiga gostaria de ouvir e que à alma faz tão bem. Então para não fugir do assunto proposto quero apenas dizer que embora existam inúmeros tipos de pessoas, gente que é do bem traz lá das entranhas o melhor de si e se o que surgir à tona for uma dor, faz dela uma rosa amarela para deixar o outro, incondicionalmente, feliz!

(Esse texto faz parte do projeto "Dois Olhares" de Néia Lambert e Denise Portes O Delírio da Bruxa)


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28 de out de 2011

Vazio

A decepção causa um vazio que aperta o peito, dói na alma,
semelhante ao sentimento de quem fica vagando pelas ruas sem ter lugar para voltar.

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24 de out de 2011

"Pequenas porções de ilusão"

      Andei procurando a definição da palavra ilusão. Várias fontes a trazem como uma confusão dos sentidos, seja visual, tátil, auditiva, olfativa ou gustativa. Esse é o significado ao pé da letra, no entanto, esse termo é utilizado, comumente, para expressar aquilo que não existe, mas que se acredita nele a todo instante.
    Usar o imaginário, deixar um pouco de lado o senso da realidade, inventar a ponto de sentir um vão prazer, é assim que se vive iludido, criando sonhos, às vezes, tão frágeis como bolhas de sabão.
     Creio que em pequenas porções, isso não faz mal a ninguém e vejo que, mesmo sem perceber, também tenho os meus momentos ilusórios, como agir com naturalidade diante das impossibilidades, fazer a voz soar normalmente mesmo quando uma lágrima a quer travar. Ao trazer no coração, intencionalmente, uma despreocupação de criança que me faz enxergar apenas o colorido e esquecer, por uns instantes, as tragédias e as dores do mundo.
    Talvez não seja a melhor forma de viver, porém é um jeito simplista de metamorfosear a vida, deixá-la mais leve e quem sabe até fazer de muitos momentos um secreto e agradável encanto.

(Esse texto faz parte do projeto "Dois Olhares" de Néia Lambert e Denise Portes O Delírio da Bruxa)



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20 de out de 2011

Muita calma nessa hora!

    Ainda tenho encontrado alguns blogs amigos que, por conta da invasão de malware, estão impossibilitados de serem visitados e comentados. A solução para a maioria dos casos, pelo que tenho visto, é a retirada dos gadgets da sidebar que mostram os blogs seguidos, uma vez que algum deles esteja infectado, o blog que o hospeda também ficará. Para melhor compreensão indico o link explicativo do Blog Um pouco de mim que, com muita propriedade, tem ajudado vários blogueiros a se verem livres desse incômodo.
    Espero ter ajudado e poder voltar a comentar nos blogs que gosto tanto!

   Beijos a todos.

17 de out de 2011

Esperança

     Era uma noite chuvosa e fria, pus-me, silenciosamente, a pensar que seria muito bom se o dia amanhecesse com um sol forte, a claridade viesse trazendo ânimo não deixando espaço algum para as angústias mortais tão comuns em noites vazias. Acordei ouvindo o canto longínquo de um sabiá que não escolhe somente as manhãs bonitas para cantar, em todas as auroras dá boas vindas ao dia esperando que ele seja bom, muito bom. Também os seres humanos necessitam de sonhos e desejos que, por mais comuns, impulsionam e dão vigor à vida. Nesses momentos entra em ação a tão conhecida, estimada e cultivada esperança.
     Para os otimistas ela não é vista como um depósito de ilusões, mas uma ação natural, usual e totalmente realista, uma vez que alimentar anseios e objetivos pode se tornar um hábito saudável do dia a dia. Triste é pensar naqueles que vivem com um olhar admoestador para o futuro, vomitando amarguras e sequer cogitando em esperar por algo melhor na vida.
    Quero sustentar o meu olhar para além das conjecturas, sonhar e acreditar naquilo que desejo, jamais deixar desvanecer em mim a esperança, responsável por essa minha tão simples, mas profunda e apaixonada existência!

(Esse texto faz parte do projeto "Dois Olhares" de Néia Lambert e Denise Portes O Delírio da bruxa).


14 de out de 2011

E com a palavra, o silêncio!

Vez ou outra é mais viável uma comunicação silenciosa,
aquela que sem perder o senso da realidade,
traz à tona até mesmo pequenas excentricidades.
O olhar, que desnuda, exprime os sentimentos do momento
e o coração não se faz de rogado,
faz da emoção a sua melhor e inteligível linguagem

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10 de out de 2011

Humor

     Acredito que procurar ser bem humorado é deixar a vida mais leve e a daqueles que conosco convivem. Um cuidado apenas é preciso, não ser forçosamente engraçado, corre-se o risco de estar pagando um grande mico.
     Ultimamente, tenho visto pouca coisa na mídia que me faça rir, alguns programas levam o público mais ao choro que ao riso, com baixa criatividade fazem graça da desgraça, artistas e políticos são os seus personagens preferidos. Algumas piadas, de tão repetidas, viram jargões de gosto um tanto duvidoso e, como o povo, para essas coisas, tem uma memória infalível, acaba incluindo essas expressões ao seu linguajar do dia a dia, confesso que eu queria rir disso, mas não consigo!
     Ao ver um rosto carrancudo e nada propenso à alegria, penso que rir ainda é, sem dúvida, um grande remédio, dizem até que desintoxica o fígado, oxalá isso seja sério e torne os semblantes leves e mais bonitos.
     Eu quero é não ter motivo algum para procrastinar a minha alegria, fazer disso um exercício contínuo, sabe-se lá se amanhã eu estarei por aqui ainda. Bem distante do humor trágico e hostil, desejo toda liberdade de soltar umas boas gargalhadas desde que não causem ofensa alguma!

(Esse texto faz parte do projeto "Dois Olhares" de Néia Lambert e Denise Portes O Delírio da Bruxa)



7 de out de 2011

Crer!


     Acredito que é imprescindível ocupar a mente, não deixar que o tempo tenha muitas horas sobrando, trazer um brilho contagioso nos olhos e um ar resoluto, caminhar com total desembaraço sem ter que abafar o som dos passos. Aquele que crê na força que vem do alto não terá nenhum minuto em vão para inexplicáveis e fúteis questionamentos. Deus me livre de uma espiritualidade frívola própria dos vazios que não admite nada que seja superior a si mesmos, prefiro a fé vívida que, preenchendo-me, concede um elevado sentido à minha existência e me acalma em todos os momentos.


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3 de out de 2011

Rotina


     Espreguiço-me, olho as horas e tomo a decisão inusitada de não me por em pé agora, apesar de todos os meus músculos estarem clamando, desesperadamente, o contrário. Num breve segundo decido que o meu dia vai ser diferente e para isso preciso acordar, pelo menos, uma hora adiante. Esqueço que o organismo, agarrado aos costumes diários, nem sempre é obediente às ordens do cérebro. Assim, revolvo-me para um lado e outro, o sono que é bom já foi embora faz tempo!
     Faço um esforço desumano, minha ansiedade fica a me estalar os dedos, respiro fundo, insisto em não ligar o lap top logo que levanto, percebo que alguns hábitos já se tornaram vícios e não satisfazê-los é um tormento.
     Ao meio-dia meu estômago, indiferente ao desafio em sair da rotina, quer ser saciado imediatamente, nada de saber dessa história de almoçar em outro horário. E para que eu não o esqueça, faz-me lembrá-lo a cada minuto emitindo roncos audíveis a quilômetros.
    Passo os olhos pela estante à procura de um livro que jamais leria em dias normais, prendo uma mão à outra para que não alcancem Rubem Alves ou Mário Quintana, que ali, ficam saltitantes, diante de mim. Crueldade é o que estou fazendo comigo mesma ao fugir dos meus mestres poetas que gosto tanto!
     Saio à rua, preciso ir por onde eu nunca tenha andado, missão praticamente impossível numa cidade de tão poucos metros quadrados. Crio uma paisagem diferente caminhando de trás para frente, ouço a voz da mulher à janela dizendo: lá vai a louca que inventou viver de outro jeito. Divirto-me com essa minha mais nova e impetuosa insanidade.
     Ligo a TV e faço um juramento que, sei muito bem, não vai durar mais que um momento, assistir ao menos um capítulo de novela sem derramar lágrimas ou me irar com as cenas ou quem sabe acompanhar um programa de notícias sem ver sangue escorrendo.
     A noite chega e meu relógio, o biológico - outro não tenho - diz-me que está na hora de ir para a cama, teimo em não dormir como sempre tão cedo, quero ir até altas horas e descobrir todos os segredos da madrugada. Sigo embriagada pelo sono, seguro as pálpebras com os dedos.
     Eu me rendo! Coisa mais complicada fazer na hora errada o que é tão simples fazer no momento certo. Fecho os olhos e se amanhã eu acordar, que isso não seja diferente, quero dar, bem cedo, um bom dia à minha rotina. Depois de um dia tentando ficar bem longe dela, descobri que, livre de rigores inflexíveis, ela pode ter lá as suas belezas também!

(Esse texto faz parte do projeto "Dois Olhares" de Néia Lambert e Denise Portes O delírio da bruxa)
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