24 de fev de 2012

Hábitos que se mantêm

      Uma das vantagens de viver numa pequena cidade é notar alguns costumes que não se perderam com o tempo, embora a modernidade insista em bater à porta em todo momento. Por aqui ainda se ouve o chamado do verdureiro, vez ou outra de um fruteiro que encosta o caminhão na esquina, dos vendedores que saem lá no longínquo Nordeste e vêm oferecer redes e tapetes em cada portão.
     Pela manhã não é obrigatório abrir a janela para saber se o sol já se espreguiça, basta ouvir a conversa dos trabalhadores passando pela rua, bem cedinho vão achando o rumo da lavoura para a labuta de todo dia. Nada há de me convencer de que esse despertar tranquilo, sem pressa alguma, não seja o melhor jeito de dar bom dia à vida.
    Também, por essas bandas, um hábito ainda se cultiva, o de cumprimentar os vizinhos, perguntar como eles vão, quando faltar assunto dizer que o dia está quente e se vai chover ou não, coisas mínimas para quem tem educação. O que não pode é ter cara feia, ser chato de galocha, num lugar tão pequeno, não vale a pena carregar essa fama pela vida afora.
     No meio do dia, quando o calor vai a graus suficientes para estalar castanhas no asfalto quente, ainda se vê um menino que, na precisão de ganhar uns trocados, segue pelas ruas íngremes empurrando um carrinho. De minuto a minuto, buscando o ar lá no fundo dos pulmões, fortes e intactos de poluição, solta um grito que já se tornou um canto: - Óóóóóóóó o sorveteeeee!!!!
     Ao findar da tarde, é comum perder alguns minutos na frente da casa, bater um papo ligeiro com aquela pessoa de idade que anda com passos pesados e os olhos voltados na ânsia de conversar com alguém. Os seus assuntos prediletos, dores senis e saudade dos que já se foram não serão o mais animados, mas se isso lhe faz bem, a mim fará também.
     E por aqui, não posso deixar de dizer, veem-se orquídeas nas árvores, o ar agradável fica ainda mais leve impregnado pelo odor suave que corre solto, a visão é de encher os olhos, as flores reinam em beleza e cor.
    Esse modo de vida um tanto pacato para a maioria da gente, é para mim um privilégio do qual não pretendo, tão cedo, ficar sem!

(Esse texto faz parte do projeto "Orgulhosa Simplicidade" de Néia Lambert).
Direitos Reservados

28 comentários:

Fabio Baptista disse...

Acho que a vida da cidade grande já está impregnada em mim.

Denise Portes disse...

Néia,
O mais importante de cada detalhe, seja na cidade grande ou no interior, é nos sentirmos felizes no lugar onde escolhemos viver e ter esse olhar poético no lugar escolhido. Você passa isso quando fala do lugar onde vive.
Um beijo
Denise

Camila Monteiro disse...

Néia... acho a vida nas idadezinhas mais saudavel!
É tão bom ver sempre teu ponto de vista!

Bjos!

✿ chica disse...

Esse modo de vida é realmente pra ser mantido. curtido em cada detalhe e essas orquídeas fazem parte dele...beijos,lindo fds!chica

Rô... disse...

oi Néia,

é meu desejo sincero,
que em breve possa sair de São Paulo,
para morar num lugar,onde eu possa viver...
ter esse contato com a natureza,
tempo para amar e ser feliz...
bateu uma vontade de ir embora,lendo você!!!

beijinhos

Arnoldo Pimentel disse...

Muito lindo o texto. É bom demais viver em lugares assim, beijos.

Mariazita disse...

Bom dia, Néia
Felizes os que podem usufruir esse estilo de vida.
Cada vez se vêem mais pessoas a procurar a vida nas cidades pequenas, por mais saudável e repousante.
A sua descrição fez-me remontar aos meus tempos de criança, em que a vida era exactamente como vc a descreve. Agora... é bastante mais stressante.

Beijinhos

Carla Ceres disse...

Seu texto me deixa contente e tranquila como se eu também estivesse aí. Obrigada, Néia! Beijos!

Célia Gil, narciso silvestre disse...

Excelente! Também aprecio as tradições e faço o que posso para as manter! Bjs

Socorro Melo disse...

Oi, Neia!

Viajei em suas palavras, e pude captar a simplicidade e a poesia que cada imagem me transmitiu. Lindo! Eu também vivo no interior, e temos muito disso por aqui, e eu confesso que não quero abrir dessa vida pacata, a não ser que Deus o queira.

Um grande abraço, amiga
Socorro Melo

CLEMENTE GERMANO MULLER disse...

Querida amiga Néia. Que belo texto. Eu que passo a vida viajando sei bem o que é passar uns dias numa pacata cidade do interior. E como conheço muitas. Gosto do clima, do ar, das pessoas sempre atenciosas e um pouco preocupadas com um "estranho" na cidade, ainda mais de motor home e carregando um cachorro na cestinha da bike. Mas eu curto muito isso, muito diferente das grandes cidades onde, quando chego, sou apenas mais um entre a multidão que passa apressada. Um grande beijo. FIQUE COM DEUS.

Clau disse...

Oi Néia :)
Que maravilha de cidade...parece utopia!Mas que bom que existe um cantinho assim.
Quem dera,que a minha cidade (que também é interior) fosse assim.
Bjs!
Linda postagem!

BIA disse...

Oi Néia!!!

Infelizmente está cada vez mais difícil encontrar lugares assim... acho super importante manter hábitos saudáveis e naturais principalmente nas grandes cidades tão violentas e poluídas...
Com certeza é um privilégio viver em lugares tranquilos!!!
Tenha um ótimo fim de semana!!!
Bjs :)

Vanessa_Oliveira disse...

Néia sempre morei em cidade pequena ... e agora morro de saudade.
daquelas pessoas sentadas nas calçadas no fim de tarde... sorvete de palito ao passear pela rua.
Ler vc me deu uma nostalgia gostosa...
beijos querida e parabéns pelo maravilhoso texto ***

BIA disse...

Oi Néia!!!

Adorei tuas palavras lá no comentário no meu blog. Você é tão sábia sempre!!! Obrigada!!! Agora eu to respondendo meus comentários direto nos blogs dos amigos porque fica mais prático e rápido já que o tempo não dá para tudo.
✿✿Tenha um ótimo sábado!!! ✿✿
Bjs :)

Debbie disse...

oi Neia, adorei seus texto. Muito lindo, senti minha cidade sendo descrita aki... afinal ela tbm é pequena. Bjus e ótimo fds!

José María Souza Costa disse...

estimada Néia...
Conseguiste, me levar, até a minha Arari-Maranhão
Adorei, amei, o seu texto.
Estou cá, a aplaudir-te, de pé.
Tenhas, um final de semana, agradavel

Livinha disse...

Maravilhoso texto em prosa Néia,
adorei...
Belíssima descrição no que vai numa cidade que ainda se mantém o velho costume ainda que soa o bater à porta da modernidade. A conservação do ontem prismando o presente, sem haver dado o adeus dum passado distante...

Gosto de tuas divagações, teus contos são encantos...

Bjinhus

Livinha

Maria Célia disse...

Ei Néia
Belíssimo texto e lindas orquídeas.
Senti como se você estivesse descrevendo minha cidade, em Minas, Pedro Leopoldo é deste jeitinho.
Bjo e boa noite.

Anabela Jardim disse...

Orgulhosa simplicidade ... Que bacana! A vida é mesmo assim nesses recantos que me causam uma inveja boa.
http://odiariodeanabelajb.blogspot.com/

Suely Rezende - Ministério HD disse...

Olá Tia Néia,

Fiquei alguns dias ausente do blog, aliás, vários dias.
Muito trabalho tive q enfrentar, mas tb testemunhos a compartilhar.

Vejo que seu blog está super atualizado com textos sábios e originais.

beijos
Suely

ELAINE disse...

Amiga! Valores tão importantes que foram se perdendo na correria das grandes cidades! Eles precisam ser resgatados com urgência! Texto ótimo e lindo! Grande bjo!Ótima segunda-feira!
Elaine Averbuch Neves
http://elaine-dedentroprafora.blogspot.com/

Vivian disse...

Bom dia,Néia!!!

É a sensibilidade e delicadeza do seu olhar que faz tudo ser tão lindo e interessante!
Seu texto é tão lindo quanto uma tela!!(sou muito visual, e sempre se formam imagens na minha cabeça quando leio!!rsrs).
Que cenário rico de vida, tão acolhedor!!
*Gosto de cumprimentos, espalho sorrisos por aqui, só fico sem sorrisos(e sem assunto) com as fofoqueiras...bah!Ai se complica...
Com elas é necessário ser mais comedida,mas distante...
Beijos minha querida amiga!!!
*Estou com o frio na barriga...rsrsr
Obrigada!!!

ValeriaC disse...

Doce texto minha querida, também aprecio por demais toda esta encantadora simplicidade...fui imaginando cada cena...apreciando toda esta beleza.
Ótima semana amiga, beijinhos
Valéria

Pelos caminhos da vida. disse...

Eu usufruto desse privilégio tb Néia.

beijooo.

Sonhadora disse...

Minha querida

E como é bom morar no aconchego do que realmente desejamos, como sempre lindo.

Beijinhos com carinho
Sonhadora

Vera Lúcia disse...

Olá Néia,


Sua descrição me leva a uma cidade tranquila, acolhedora e aconchegante. Um pequeno paraíso.

Também vim do interior e a vida por lá, àquela época, era bem parecida
com a vida em sua cidade.

Hoje, porém, transformei-me em uma pessoa extremamente urbana e não sei mais se conseguiria viver num lugar tão tranquilo.

Seu texto é lindo e sua narrativa
parece um pequeno filme a rodar.

Beijão.

Zilani Célia disse...

OI NÉIA!
LI ESTE TEXTO E ME REPORTEI A MEU TEMPO DE CRIANÇA, DO MODO QUE RELATAS VIVI, NO INTERIOR DO RIO GRANDE DO SUL, DEU SAUDADES.
ABRÇS
http://zilanicelia.blogspot.com/