30 de jan de 2012

Louvor

Quando me virem inteiramente absorta,
perdida em meus próprios pensamentos,
não julguem antecipadamente,
nem mesmo a razão
ousaria me condenar nesse momento.
É quando, discretamente, desvio o olhar da humanidade,
crio asas leves e coloridas,
pouso nas flores que emanam vida,
sinto, aqui e acolá, a suave presença de Deus,
e, numa ligeira reverência,
louvo-o a cada perfume que inalo.





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26 de jan de 2012

Em meio às Estrelas


      Costumo dizer que sou altamente privilegiada, pois vivo entre astros e estrelas, não pense que ando com a cabeça no mundo da lua, o que posso fazer se ao sair do meu portão já me acho em plena Estrela Dalva? À noitinha, voltando os olhos para o céu, vejo-a grandiosa, ela que dá nome à minha rua perde em brilho somente para a Lua. Na verdade, trata-se do planeta Vênus, perfeitamente visualizado a olho nu, como é iluminado quase totalmente pelo Sol, faz-se ver melhor ao fim do entardecer e um pouco antes do alvorecer. Dois momentos que a natureza me encanta pela beleza, o fim do dia é mágico, quando o Sol vai lentamente derrubando as pálpebras para descansar deixando a Lua tomar o seu lugar. O amanhecer é êxtase total, o cheiro da terra úmida pelo orvalho da madrugada traz vigor ao dia que está a começar.
     Pois então vou falar um pouco mais dessa cidade onde há algum tempo tenho vivido, em qualquer canto ela me lembra o universo, não pelo tamanho, tão pequena que sequer poderia ser comparada ao menor grão de poeira cósmica, mas pelo nome das ruas, todas relacionadas aos planetas e constelações. Quem as denominou foi muito feliz, em qualquer lugar desse pequeno pedaço do mundo é possível escutar o silêncio e sentir uma força inexplicável que vem do alto.
     Ninguém imagina que na minha caminhada matinal faço um verdadeiro tour sideral, ando calmamente pela Av. Centauro - constelação celestial sul - também me vejo na Estrela Cadente, sigo em frente pela Três Marias e chego até Netuno, Saturno, Marte, Lira, Andrômeda...vou longe, viajo entre Cometa e Órion.
E caso eu queira dar uma volta em torno da cidade vou pela Av. Carena que a circunda por completo, nunca antes tinha ouvido esse nome, a curiosidade me fez saber que sua origem vem da palavra latina Carinae, denominação da mais bela constelação austral, só podia ser! O melhor disso é ter a certeza de que não irei um dia acordar e achar que tudo foi um sonho, afinal vou para todo lado com os pés bem firmes no chão.
     Outro detalhe interessante, aqui a imaginação não tem limite, é possível caminhar até em torno do Sol. Imagine se o astro rei seria esquecido, com a forma circular a praça central o representa muito bem. Meticulosamente planejada dela partem diversas ruas que lembram os raios solares brilhando forte.
     Como não poderia deixar de ser, o nome desse lugar tão inspirador também é muito apropriado, traz à mente a imagem de um recanto iluminado, estou falando da minha tão querida “Quinta do Sol”.

(Não poderia deixar de incluir o texto acima no projeto "Orgulhosa Simplicidade", essa a razão de estar postando-o novamente).

24 de jan de 2012

O voo dos poetas


Para que se deixassem levar com total leveza,
vencessem as mais inesperadas barreiras,
lugares longínquos fossem alcançados,
Deus deu asas aos pássaros
e palavras aos poetas.




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22 de jan de 2012

Que chato!


O Blogger, há poucos dias, numa tentativa de implantar a novidade de ativar respostas aos comentários, deparou-se com um problema, os seguidores não conseguiam abrir a caixa de comentários, o que passou a ser impossível em muitos blogs, inclusive no meu! De acordo com informações obtidas no Google, a equipe do Blogger decidiu voltar atrás e deixar como antes. Entretanto, aqui no Eterno, tudo continua da mesma forma, espero que isso seja resolvido o quanto antes, estou com saudades de alguns amigos que estão com dificuldade de comentar meus posts.

Beijos a todos

19 de jan de 2012

Essencial



Como as nuvens brancas no céu que,
sem nenhum alarde,
chegam e se vão
sairei, delicadamente, da vida de alguém toda vez
que eu não mais me sentir essencial.





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16 de jan de 2012

Livros - uma eterna paixão!


Ler é muito mais que um prazer,
é abrir a mente ao entendimento das coisas simples,
as complexas, um dia,
de um jeito ou outro, a vida ensina.
Cultivo uma convicção inabalável,
após algumas páginas lidas,
ninguém mais viverá
como uma carroça que sacoleja vazia.





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12 de jan de 2012

Nipônica por um dia

     Durante muito tempo fiquei num exercício inútil tentando descobrir como teria sido escolhida em minha escola, aos sete anos de idade, para representar os imigrantes japoneses num desfile cívico. Naquela saudosa época esse era um dos eventos mais concorridos do ano, praticamente um acontecimento obrigatório nas cidades do interior.
     A única característica física que pudesse me fazer aparentar, de longe é claro, uma japonesa eram meus cabelos pretos e lisos, originalíssimos, visto que “naquele século” não havia escova progressiva para alterar forçosamente o DNA dos fios. Também não se falava nas torturantes chapinhas, que hoje brigam, desesperadamente, por um espaço na necessaire (não na minha). O fato é que meus cabelos balançavam ao vento de tão soltos e sedosos... eu era feliz e não sabia!
   Quando comento sobre isso, há sempre alguém com humor festivo para perguntar se fora nessa encarnação mesmo que eu teria nascido com esses fios tão contrários ao atual pixaim, enrolado ou encaracolado, como queiram. Tudo bem, muitas fotos se perderam, nenhuma prova material, no entanto conto com depoimentos familiares confiáveis, que comprovam esse fato, para muitos, inacreditável!
    Voltando ao desfile, a memória me traz a elegância daquela vestimenta típica, posso sentir ainda a suavidade do quimono, o cetim que roçando meu corpo trazia conforto e bem estar, nas suas cores toda delicadeza e discrição apropriada a uma menina asiática. Porém o que me deixou em absoluto êxtase fora o lindíssimo e cobiçadíssimo leque que dava leveza e graciosidade aos meus gestos. Minhas mãozinhas não paravam quietas, queriam aproveitar cada segundo da posse momentânea daquele acessório que era objeto de desejo de dez entre cada dez meninas. Acredito que no meu inconsciente trago até hoje a vontade de possuir um exemplar, de preferência igual àquele que além de ser lindo, era originalmente japonês, como fazia questão de lembrar a querida professora que me havia, generosamente, emprestado e que exigia todo cuidado com aquilo que era uma raridade.
    Com os meus olhinhos pintados de tal forma que ficavam puxados nos cantos, fui então para a avenida com seriedade em bem empenhar meu papel. A sociedade estava presente, esse era um momento em que, nós crianças pujantes de vida, deveríamos brilhar. Teria passado por uma autêntica japonesinha e terminado minha apresentação com esmero, caso não tivesse durante o trajeto me atrapalhado toda com aqueles chinelos tradicionais, tamanha era a dificuldade em usá-los com meias e que para meu desalento, ficavam a todo instante para trás. Um desconforto que o meu plágio de menina oriental não fora capaz de driblar levando a apresentar, sem ensaio prévio, outra característica à minha personagem, um sorriso tímido nos lábios.
    Acredito que venha desde essa época o meu fascínio pela cultura japonesa e a minha admiração pela adaptação desse povo nessa terra de hábitos tão antagônicos aos seus. E tenho que admitir, imitá-los não é fácil não!

(Esse texto já publicado no blog há algum tempo, agora também faz parte do projeto "Orgulhosa Simplicidade" de Néia Lambert).



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9 de jan de 2012

Cumplicidade


Quando me extasio diante de um incrível espetáculo da natureza, emociono-me ouvindo o lindo refrão de uma música ou ainda sinto o corpo flutuar com um suave perfume, é certo que me vem logo à mente alguém que eu gostaria de partilhar esses momentos. A sensibilidade necessita de um cúmplice sempre, pois nem mesmo o mais belo é perfeito quando apreciado sozinho.



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5 de jan de 2012

Amanhecer


     Levantar bem de manhãzinha é um hábito que fui adquirindo conforme os anos foram passando, seria esse já um sintoma da melhor idade? Uma vez que são os jovens os amantes de um sono infinito, fiquei então com essa dúvida pairando no cérebro por um instante.
    Apesar de me por em pé ao clarear do dia, oito horas de descanso são absolutamente necessárias, assim vou para a cama não muito tarde. Esse costume foi adotado naturalmente impulsionado pelo silêncio noturno da minha localidade, pegar no sono por aqui é uma tarefa muito fácil. Para que tenham ideia da calmaria que me cerca, os poucos barulhos são os que a própria natureza oferece.
    Carrego a certeza de que eu não saberia viver num grande centro urbano, seria um exigir demasiado, uma vez que me sinto totalmente dependente dessa tranquilidade que me invade e que toma conta da minha alma por inteiro.
    Abrir a porta pela manhã e sentir o frescor do ar vindo do mar, mas que mar alguém irá perguntar se o litoral fica muito distante desse lugar? Então explico, em qualquer direção que eu me volte avisto lavouras que rodeiam a cidade e se estendem até onde o olhar puder alcançar, seguindo ainda por trás dos montes, quem sabe, com outras cores em todas as suas nuances. E quando o vento impetuoso balança a plantação para lá e para cá, creiam, nesse oceano sem água ondas de folhas verdes se fazem por todos os lados. Essa paisagem que parece uma tela muito bem elaborada faria até mesmo Monet, caso pudesse ver, questionar quem fora o artista que ousou pintar a perfeição.
    Como é possível não desfazer as rugas entre os olhos, desanuviar o rosto, corrigir uma postura encurvada diante da tamanha serenidade que aqui é visível em todo lugar?
    No meu acordar detenho qualquer pensamento sem nada me perturbar, a minha atenção é tirada apenas por um ou outro pássaro que chega querendo sentir os diferentes perfumes do meu jardim. Eu vivo assim, completamente encantada por esse pequeno pedaço do mundo que já faz parte de mim!

(Esse texto faz parte do projeto "Orgulhosa Simplicidade" de Néia Lambert)





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2 de jan de 2012

Ano Novo, Vida Nova!

     O título desse texto é mesmo um clichê, porém impossível iniciar o ano sem ter em mente todas as coisas que, agora, preciso fazer diferente. Promessas e metas são comuns nessa época, vou então embarcar nessa onda e correr atrás dos meus anseios nesse novo período que começa.
   A cada dia que passa, sinto a necessidade de mudar em alguns aspectos, já consegui uns tantos progressos, hoje as minhas horas não correm mais aleatoriamente, nem poderiam, uma vez que o tempo tem sido um bem precioso e querido por tanta gente. Tenho ainda a aprender, decisões a tomar, novos pensamentos e atitudes a adotar, mais sorrisos a distribuir, também quero algumas coisas quase impossíveis e como sonhar não paga nada, não custa pedir. Desejo, por exemplo, que a serenidade faça parte do meu semblante mesmo quando tudo esteja desmoronando por dentro, afinal um contorno triste no rosto contagia outros tantos. No meu olhar eu traga sempre a transparência que só a verdade sabe conceder e que eu não me perca na ilusão da ambição, esse nevoeiro que embota a visão e não deixa ver o que, realmente, é importante ter.
    Imagine se não vou querer coisas incríveis, quem sabe o céu me ouve e diz amém, assim almejo ler e escrever muito mais, que eu saiba transformar em palavras tudo aquilo que no meu coração perpassar. Por perto quero pessoas com firmeza de caráter e espírito, percebo-as tão facilmente, são as que me fazem sentir vontade de estar junto e quando se vão deixam saudades para sempre. Também gostaria de perceber melhor as manifestações de gentileza que a natureza insiste em me mostrar, como as pétalas de um botão de rosa que, numa cumplicidade silenciosa, uma a uma, irrompem deixando a vida de qualquer um mais bonita e harmoniosa. Além disso, preciso estabelecer uma relação de autenticidade com Deus, lembrar que ir à igreja é uma forma linda de louvá-lo, no entanto, somente os meus atos poderão, de fato, glorificá-lo.
    Ainda tenho em mente deixar de lado algumas velhas manias, mas vou logo dizendo que não tenho esse poder todo, quero apenas adquirir novos hábitos e uma vez que eles moldam as ideias que então sejam, no mínimo, saudáveis.
    Não quero, ao final dos próximos doze meses, ficar culpando a minha pobre memória de não me lembrar de todos esses intuitos, assim, farei questão de guardar, zelosamente, um sábio ditado oriental e para não esquecê-lo irei dizê-lo todos os dias: “Comer a metade, caminhar o dobro e rir o triplo”, assim será bem mais fácil ir ao encontro do que desejo tanto!
    Então é isso, agora é só respirar fundo e seguir adiante.
    Feliz Ano Novo!



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