28 de nov de 2013

O meu sustento


Ainda bem que eu tenho fé,
ela me sustenta sempre!



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25 de nov de 2013

Reformas


           Há quinze dias a casa onde moro está passando por reformas, optei por não me mudar, preferi suportar a bagunça, ir acomodando as coisas num cômodo, depois noutro e conforme a obra ia caminhando fui testando minha capacidade em lidar com a desordem. Coincidentemente outras tantas coisas na vida precisavam de organização urgente, colocadas em lugares onde não incomodassem ou descartadas definitivamente. Aproveitei o ensejo e fui procurando um cantinho onde pudesse guardar sentimentos, pessoas, esperanças, o restante que não era bom, mas ocupava espaço, despejei junto aos entulhos a serem levados para bem longe. Nessas horas o desapego é condição essencial para que o ambiente físico e espiritual se renove completamente. Agora, quase ao final desse período conturbado, posso dizer que valeu a pena o sacrifício, é muito bom ver tudo arrumado




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22 de nov de 2013

Alegria





Quem traz em si a alegria
sempre encontra um jeito
de colorir o dia.




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19 de nov de 2013

Educadamente


Cada dia gosto mais
de gente,
educadamente, simples.



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15 de nov de 2013

Soltar das mãos




          Falando com uma amiga sobre a necessidade de criarmos os filhos de forma que eles cresçam sabendo cuidar de si mesmos, contei-lhe que minha amada mãe costumava mostrar à sua vasta prole que não a teríamos para sempre, isso de forma natural a fim de não aterrorizar ninguém. Enquanto criança é inadmissível pensar que se pode ficar órfão, nessa fase, há uma crença inabalável que mãe é um ser que não morre nunca!
            O fato é que ela não usava nenhum método educativo, muito menos ameaças disso ou daquilo, o seu jeito de nos preparar para a vida foi permitir que vivêssemos, desde muito novos, experiências simples, ajudando-nos a crescer e amadurecer de forma espontânea e segura.
            Assim, aos onze anos de idade, fui autorizada para fazer sozinha uma pequena viagem até a casa de uma irmã. Algo tão simples que, além de estimular um sentido de independência pessoal, também eliminou alguns temores bobos que eu trazia e acima de tudo, ajudou-me a vencer uma cruel e limitante timidez. É bom que eu diga que isso foi num tempo em que a violência não imperava e nas ruas a tranquilidade ainda existia.
Apesar de desejar demais essa singela aventura, sentia os músculos do estômago em contrações ao pensar na minha chegada sem companhia numa cidade que era, infinitamente, maior que a minha. Celular, para qualquer emergência, ninguém imaginava que fosse inventado um dia e até telefone fixo, um luxo para a época, em minha casa não havia.
No dia marcado acordei com o rosto rígido de ansiedade, ao redor dos olhos a marca da noite insone, o medo que minha mãe voltasse atrás em nosso combinado me corroia por dentro. No entanto, assim que a vi na cozinha preparando, caprichosamente, o doce preferido de minha irmã, tranquilizei-me, tive a certeza que sua palavra permanecia em pé.
Em posse de uma pequena bagagem, despedi-me sentindo no seu olhar preocupado o quanto estava sendo difícil deixar a sua menina sair sozinha assim. Então abriu minha mão e nela colocou um rosário - o mesmo com o qual a vi tantas vezes rezar, certamente, por cada um dos filhos - e de um jeito doce me disse: - Vai com Deus minha filha!
No horário previsto cheguei então ao meu destino, sã e salva! Hoje penso que a confiança por ela depositada em mim, a sua fé que me fez sentir protegida, o desejo que um dia, na sua ausência, eu soubesse me virar sozinha, com certeza, fez desse dia o primeiro do resto da minha vida.
Muitos anos depois, vi-me do outro lado da moeda, dessa vez quem embarcava sozinho para uma viagem era meu filho, ainda um garoto. Trouxe à mente, imediatamente, a expressão da minha mãe ao me colocar dentro do ônibus há mais de trinta anos.  Imitei-a disfarçando também a apreensão do meu coração, não queria ofuscar o brilho que dos olhos do meu pequeno saía, muito menos atingir o seu espírito autoconfiante, uma característica tão importante que o fez independente, muito precocemente, para minha alegria.
Senti assim, na pele, o que um dia minha mãe, em silêncio, havia vivido e aprendi que não é tarefa fácil soltar a mão de um filho, porém deixá-lo que saia debaixo das asas e caminhe sozinho, para o bem dele, é sempre preciso!
  





13 de nov de 2013

À deriva





Quando uma dor, insistente e profunda,
ficar por dias seguidos cavando um vazio,
então o seu coração, como um frágil barquinho de papel
estará inteiramente à deriva nas águas da vida.









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10 de nov de 2013

Felicidade


Felicidade, acima de tudo, tem que ser
uma mescla de paz e segurança,
tal qual uma linda e calma paisagem onde o único barulho
é o do vento leve e morno batendo no rosto.




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7 de nov de 2013

Despertar



Nem sei há quanto tempo
que, no princípio da aurora,
ele insiste em me despertar.
De alguma árvore ou gaiola
sem guitarra ou viola,
canta para alegre eu levantar.
De olhos meio abertos,
espreguiço, agradeço e digo:
Bom dia sabiá!







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4 de nov de 2013

Pedido



Hoje preciso fazer a Deus um pedido:
eu quero o privilégio de ter um amigo,
de preferência raro, do tipo que não exija palavras,
nem faça acusações por coisas não realizadas,
mas que seja sensível o suficiente
para entender no meu olhar ou no meu silêncio
tudo o que acontece aqui dentro de mim.






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